Bispo de Viseu (Portugal) conta com ex-padres para reavivar diocese

 

D. Ilídio Leandro diz que Igreja Católica está a «perder espaço» e mostra-se satisfeito com ordenação dos 10 primeiros diáconos permanentes.

Conheço suficientemente Dom Ilídio Leandro para saber que ele não aprovaria o título acima, da Agência Ecclesia. Recebeu-nos em audiência, conversamos bastante e ele nos convidou, a mim e à minha esposa Sofia, para o seu primeiro encontro, por ele promovido, com os padres casados da diocese de Viseu, em 2010. Na altura convidou-os explicitamente para o ajudarem na preparação do Sínodo diocesano e a pensarem em maneiras de, juntos ou individualmente, porem a serviço da diocese os seus talentos.

Encontramos um bispo simples, aberto, direto, sem medo de dizer e de fazer o que acha que está certo no seu pastoreio. Sabe que é Bispo da sua diocese e que disso tem de prestar contas antes a Deus, ao povo a ele confiado e, depois, aos colegas da CEP e ao Vaticano. Por isso tem tomado com simplicidade atitudes concretas e claras em problemas polêmicos e assumido tranquilamente as consequências. Pelos vistos, leu e estudo com seriedade a Lumen Gentium, a Gaudium et Spes e os outros documentos do Vaticano II sobre o Povo de Deus, os bispos, os padres e os leigos, e procura aplicá-los à realidade da sua diocese.

Por tudo isso posso afirmar que ele não aprovaria a expressão ex-padres. Nem ele nem nós aceitamos a expressão ex-padres, porque teológica e juridicamente incorreta. Segundo a doutrina católica, não há ex-cristãos, ex-crismados nem ex-padres, porque Batismo, Crisma e Ordem imprimem caráter, marcam definitivamente quem os recebe.

João Tavares

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O bispo de Viseu diz que conta com padres que pediram a dispensa do exercício do sacerdócio para reavivar a diocese e sustenta que a Igreja Católica está a perder influência em Portugal.

Em entrevista publicada hoje no Semanário Agência ECCLESIA, D. Ilídio Leandro revela que reuniu com padres que deixaram de exercer o ministério, encontros de que resultaram “reflexões importantes” e que colocaram a questão de saber como se podem “integrar mais na ação da Igreja”.

“Nem todos participaram nos três encontros, mas contámos sempre com cerca de 20 presenças”, declara, adiantando que “muitos” dos sacerdotes em questão vivem fora da diocese.

Os padres que pediram dispensa “lamentam” por vezes “um certo ostracismo, um esquecimento, uma marginalização mesmo que em algumas situações”, aponta o prelado.

“Há sempre a dificuldade de apresentar uma possibilidade de servir a Igreja sendo eles padres, porque pediram a dispensa do exercício sacerdotal mas não deixaram de ter o sacramento da Ordem”, assinala.

Todos os participantes nos encontros “fizeram propostas para a diocese”, diz D. Ilídio Leandro, acrescentando que “há alguns bem realizados e felizes na relação que têm com a Igreja porque estão identificados com a sua missão e vocação”.

O prelado está a preparar um encontro “com todos os que têm formação teológica”, incluindo padres que pediram dispensa do ministério, professores de Educação Moral e Religiosa Católica, diáconos e antigos alunos de Seminário “que completaram o seu curso de Teologia mas se ausentaram da vida da diocese”.

Na reunião, que “talvez” se realize na Quaresma, D. Ilídio Leandro vai questioná-los sobre o contributo que podem dar na formação, “aposta fundamental” da diocese viseense.

O vogal da Comissão Episcopal do Laicado e Família lamenta que a sociedade portuguesa esteja a perder a crença na transcendência.

“O homem tornou-se ídolo de si próprio, deixou de viver a sua vida em relação. E quando perde a alteridade, a referência ao outro, e este Outro com letra grande que é Deus, procura-se a si próprio e ilusoriamente constrói a sua vida”, pensando que realiza “um ideal portador de felicidade”, observa.

A “falta de referências” na sociedade atinge também a Igreja Católica, “que se sente isolada e ausente dos contornos da missão” e, ao mesmo tempo, “vai perdendo espaço”.

A Igreja, “realizada nas pessoas e na sociedade deste tempo, vai sendo truncada na sua orientação e vai-se interrogando até que ponto é capaz de, na contemporaneidade das dificuldades, projetar a missão que está no Evangelho”, salienta.

O prelado mostra-se satisfeito com a ordenação, há cinco meses, dos primeiros 10 diáconos permanentes da diocese.

“O contributo está a ser positivo e serve também para aprofundar a missão da Igreja enquanto servidora da humanidade. Se o sacerdote tem como orientação a realização da ação de Cristo nas comunidades, o diácono permanente tem como missão a expressão do Cristo servidor, nas mais diversas dimensões”, realça.

O dossiê da edição de hoje do Semanário Agência ECCLESIA é dedicado à Diocese de Viseu.

RJM

FONTE: http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=93477

 

Uma resposta

  1. D.Ilídio Leandro merece toda a aprovação e elogio às iniciativas que está tomando em relação aos padres que pediram demissão do ministério. Afinal, eles são pessoas preparadas, assim como todos os teólogos e teólogas. Quanto ao termo leigo na Igreja, acho que é uma extravagância, uma vez que quem é cristão não pode ser leigo no assunto. Temos que achar outros termos para expressar a igualdade e a unidade dos cristãos. Os termos leigo, ex-padre, ex-religioso, seitas, etc. expressam sectarismo e não contribuem para a verdadeira e autêntica comunhão na Igreja que é una, santa, católica(universal, mundial) e apostólica!

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