O padre casado Almir Simões foi convidado pelo pároco da paróquia em que reside em Salvador, Bahia, para fazer a homilia da missa da noite de natal.
Confira o texto abaixo:
Meus irmãos o Natal é encontro e re-encontro. O Natal é justiça e graça.
Acabaram-se os desterros e cativeiros… Silenciaram-se as profecias…
As promessas messiânicas se realizaram….
O velho testamento deu ao novo o seu lugar.
Nasce a nova criação, a fraternidade universal…
O Amor passa a ser o único mandamento da Lei. Esta é a essência do Natal.
Não importa que esta data seja simbólica. A bíblia não relata exatamente o dia em que Jesus nasceu. Sabe-se que houve um recenseamento decretado por César Augusto e por isso José e Maria saíram de Nazaré na Galileia e foram para Belém na Judeia. Maria grávida, prestes a dar a luz, viajou aproximadamente 150Km. Na estrebaria, pousada, não havia lugar para eles e por isso ficaram do lado de fora da cidade. Foram se hospedar num estábulo e um cocho onde os animais comem a ração é que serviu de berço pra Jesus. Os magos do oriente viram uma estrela e vieram adora-lo. Haviam pastores no campo e isto indica que não tinha neve, nem frio, nem podia ser 25 de dezembro. Herodes, governador da Judeia – um homem tirano – que já havia matado em sua própria família 2 filhos e duas mulheres, não sabendo exatamente a data em que Jesus nasceu, ordena matar todas as crianças de 02 anos para baixo. Maria e José fogem para o Egito. Eis em síntese o que diz a bíblia sobre o cenário do presépio.
Somente no séc IV, ano 336 dc, que a Igreja comemora pela primeira vez em Roma o nascimento de Jesus. Escolhe o dia 25 de dezembro – dia do solstício – festa pagã dedicada ao Deus Sol, para transformá-la numa festa cristã.
Meus Irmãos
Deus na historia das religiões é considerado como um ser transcendente, distante e inacessivel… o Deus do alto dos céus.
Os filósofos procuraram conhecer Deus e o definiram como um ser eterno, absoluto, onipotente, imutável… O nosso Deus se fez carne, habitou entre nós e faz parte da nossa caminhada. É um Deus que se fez gente, quiz esperimentar as mazelas e sentiu na própria pele a discriminação.
A essência da comemoração da festa do Natal é a reafirmação da nossa fé no mistério da encarnação. O encontro da divindade com a humanidade. Jesus é tão homem como se não fosse Deus e tão Deus como se não fosse homem. Este mistério é uma agressão ao monoteísmo. Jesus é a realização das promessas messiânicas e de tudo que os profetas anunciaram. No plano divino, na historia da salvação, a encarnação do verbo não é dissociada da redenção e poderíamos muito bem louvar como na liturgia da páscoa:
Ó feliz pecado de Adão que mereceu tão grande salvador!!!
Um menino nos foi dado. Ele será mais sábio que Salomão para fazer justiça, mais forte que Davi para reunir o povo, líder maior que Moisés para conduzir a humanidade à vida eterna. Maior que o pai Abraão que morreu ele será o vencedor do pecado e da morte. Ele é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo conforme anunciara João Batista. Ele é a luz que resplandesce nas trevas na visão do profeta Isaias. Jesus é a pedra angular que divide a história em duas: – o antigo e o novo testamento.
A criação velha – Adão – introduziu o pecado e a morte, a re-criação – Jesus, o Cristo – introduziu a graça e a salvação. Deste modo a distância infinita que existe entre o eterno e o tempo, se uniram para reabrir para a humanidade o paraíso perdido.
Este menino será sinal de contradição disse ainda o velho Semeão. Toda a vida de Jesus foi um constante sinal de contradição: Ele é um rei que nasceu em um estábulo… Veio para os que eram seus e os seus não receberam… os magos procuravam Jesus para adorá-lo, Herodes o procurava para matá-lo.
Meus irmãos a mensagem do natal hoje mais do que nunca continua atual, válida e oportuna. O testemunho da fé é um verdadeiro desafio ao espírito missionário e às contradições do tempo presente. O reino de justiça e da verdade está camuflado nas estruturas sociais. O desapego, o despojamento de um rei que nasceu em um estábulo é incompatível com os acenos da sociedade de consumo onde o líder é Papai Noel e predomina o ter – o poder – o aparecer e o gozar.
Jesus veio para que tenham vida e vida em abundancia e presenciamos na periferia das grandes cidades bolsões de miséria. Na câmara dos deputados a tentativa de legalizar o aborto.
A paz aos homens de boa vontade não chegou a Copenhague onde na semana passada mais de 120 governantes do mundo inteiro discutindo o clima e o super aquecimento da terra se desentenderam por individualismos políticos.
A paz de espírito não chegou ainda Salvador onde as pessoas vivem cada vez mais assustadas por falta de segurança. A luz que resplandece nas trevas não chegou a Barreiras onde a magia negra enfiou 31 agulhas no corpo de uma criança. Este é o triste quadro de uma cultura da morte de uma sociedade que se diz cristã e cada dia nos surpreende com cenas de estupidez e paganismo.
O que desejo a todos em 2010 é que possamos trabalhar sem desânimo para construir uma realidade diferente e reverter esta situação. Em meio aos conflitos , às dores, às desilusões, o cristão não deve cruzar os braços mas confiar sempre sem perder a esperança. A esperança nos dá o gás da perseverança. A fé nos conduz ao amor. E só o amor pode levar a paz.
Na segunda feira última, dia 21, D. Geraldo Magella nosso cardeal arcebispo, lançou um livro Semear a Esperança. Ele diz com muita simplicidade: O mundo todo e cada pessoa em particular precisa da humildade e não da arrogância para construir a paz No cerne da evangelização se encontra o amor. O amor não é egoísta é comunicação de si mesmo e deve levar à justiça, ao perdão, à misericórdia, à solidariedade e à fraternidade. Adiante pergunta: O que está faltando para termos a paz ? Está faltando vontade. Precisamos fazer o mesmo que o povo de Ninive fez: acreditar na palavra de Deus, fazer penitência, jejuar, convertermos e nos reconciliar uns com os outros. Não matar nem com as armas nem com a língua. A única opção construtiva é a que sugere São Paulo: aborrecer o mal e aderir ao bem.
Meus irmãos que a eucaristia – a mais importante ceia natalina – nos alimente.
Que em nossas vidas desapareçam as trevas…
e que a sagrada família – Jesus, Maria, Jose, encontrem guarida em nossas casas, em nossas famílias , em nossos corações.
Só assim o natal será um feliz natal!
Louvado seja Nosso senhor Jesus Cristo.
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Olá irmãos e irmãs da Associaçao Rumos, a Paz!
Sou Pe. Adilson Ferreira Bispo. Sou padre afastado do ministério há dois anos. Resido em Redenção – PA.
Atualmente me dedico ao ensino, lecionando as disciplinas de Ensino Religioso, Filosofia, Sociologia e História para adolescentes e jovens da rede pública estadual.
Me encontro bastante tranquilo, sem em momento algum, pretender rebelar-me contra a minha fé e a nossa Santa Mãe Igreja.
Nestes dias em que me encontro em recesso escolar, entre uma atividade e outra, procuro ler algo sobre os padres casados. Nestas minhas buscas encontrei a RUMOS. Bastante interessante e bem vinda ao cenário tão hostil dos padres que, por razão ou outra, deixam o Ministério.
Entre as promoções, atividades e reflexões advindas da RUMOS, louvei grandemente esta linda homilia proferida pelo nosso irmão no sacerdócio Pe. Almir Simões, na noite de Natal. Isto mostra o quanto de bom existe no intelecto, no coração e na alma do padre, mesmo sem exercer a função.
Uma belíssima reflexão onde se percebe claramente o que há de mais evidente, sincero e sensível da parte deste irmão com diz respeito ao equilíbrio e segurança que demonstra. Quanta capacidade e sensibilidade para sintetizar o verdadeiro sentido do Natal! É disso que o povo precisa! De compreensão da linguagem do amor. Eis a síntese do novo mandamento.
Enquanto não hover verdadeira introspecção deste mandamento, correremos o perigo de estancar no tradicionalismo, no legalismo e, conesquentemente, na esterilidade.
Institucionalismo estético apenas, creio não poder se sustentar no desdobrar deste novo século.
Mas, a Igreja conta com a inspiração maior, a do Espírito Santo. Algum vento novo deverá ser soprado por Ele neste atual contexto de profunda exigência de transformação. Daí, a Igreja continuará sendo porta-voz da Boa Nova de Jesus Cristo às gerações atuais e futuras.
Fraterno e grandioso abraço à todos!
Professor Pe. Adilson Ferreira Bispo.
Licenciado e pós-graduando em Filosofia e bacharelado em Teologia.
Prezado colega Adilson. Muito grato, em nome dos 6 mil padres casados do Brasil. Estamos felizes com sua chegada ao nosso MOVIMENTO das Famílias dos Padres Casados – MFPC.
E de nossa Associação RUMOS. Certamente você soube de nosso XIX Encontro Nacional, acontecido em junho de 2012, em Fortaleza CE.
Leia também nosso jornal RUMOS, cujas edições (228) você encontra na coluna esquerda deste nosso site.
Deste jornal, profético que anuncia e denuncia, sou o editor. Se lhe interessar, pode tornar-se assinante do jornal impresso, conforme consta nas páginas 2 de cada edição, em EXPEDIENTE.
Nosso colega João Tavares, de São Luís do MA lhe enviará e-mail contando mais coisas de nosso MFPC e solicitando seus dados pessoais e familiares, para enriquecer um novo catálogo dos padres casados do Brasil, que está em fase de atualização, busca de novos dados, para breve publicação.
Aceite meu fraterno abraço catarinense e tenha um feliz 2013.
Giba (Pe. Gilberto Luiz Gonzaga)
Boa tarde,Pe. Adilson vc disse em seu comentario que vc é licenciado, bom gostaria de saber
se um padre licenciado pode celebrar a santa missa.faser confisao ou ele fica restrito em todas as atividades sacerdotal? elien.e31@hotmail.com.Obrigado
Boa noite, Senhores!
Sou católico mas ainda não entendo o porquê desta questão tão polêmica.
Afinal, o celibato é imposto por Jesus ou apenas por Roma?
Por favor, me ajudem a entender.
Querida Eliene, boa tarde!
Quando usei o termo LICENCIADO no comentário acima, me referi à minha escolaridade (licenciatura plena em Filosofia e bacharelado em Teologia) e não à minha condição atual no ministério sacerdotal. Quanto ao ministério sacerdotal, pedi afastamento e assim me encontro, isto é, não exercendo as funções próprias do ministério ordenado.
Abraço fraterno.
Pe. Adilson.