Ecumenismo: ”Queremos despertar inquietação”

Günther JauchFrank-Walter Steinmeier Annette Schavan assinaram o apelo Ecumenismo agora!. É o que eles pedem juntamente com outros 20 célebres signatários de uma iniciativa que se refere a toda a Alemanha. Por quê? É o que perguntamos ao teólogo Christian Führer, de Leipzig.

Führer nasceu em Leipzig em 1943. Foi pastor da igreja evangélica Nikolai em Leipzig. Hoje é membro do comitê diretivo da fundação Friedliche Revolution (revolução pacífica) e é um dos primeiros signatários da iniciativaEcumenismo agora!.

Eis a entrevista.

Outra iniciativa ecumênica: o senhor é um dos primeiros 23 signatários do abaixo-assinadoEcumenismo agora!. O que distingue esse apelo dos anteriores?

Trata-se do fato de que cristãos e cristãs envolvidos nos âmbitos da política, da economia, da ciência, do esporte, da cultura e das Igrejas manifestam o pedido do ecumenismo – com referência aos 500 anos daReforma e aos 50 anos do Concílio Vaticano II. Retomamos o que foi dito milhares de vezes pelos grupos de reforma de base. Simplesmente porque não acontece nada!

Em outras palavras: do ponto de vista do conteúdo, nada de novo, mas sim uma nova estratégia. Vinte e três personalidades famosas, de Günther Jauch a Frank-Walter Steinmeier, tentam amolecer o coração do papa?

De fato, é uma tentativa que poderia atrair a atenção graças aos nomes dessas personalidades. E isso também se deve à iniciativa do professor Norbert Lammert, presidente do Bundestag. Mas o mais importante é isto: se a base das comunidades católicas e evangélicas colaborar, ela poderá efetivamente provocar alguma coisa “lá em cima”. Então, aqueles que sempre pisam no freio, que sempre hesitam, os dignitários, poderiam sentir uma salutar inquietação.

Até agora, no entanto, Roma não parece nada preocupada com essa iniciativa.

Sim, Roma quase nunca parece perder a calma. O Vaticano mostrou que, mesmo quando se encontrou diretamente envolvido em casos extremamente preocupantes – como por exemplos os casos de abuso –, não perde a calma. Mas Roma não é a unidade de medida. É a base que se torna cada vez mais inquieta. Em todoKirchentag (evento dos leigos evangélicos) ou Katholikentag (evento dos leigos católicos) é expresso este desejo: “ecumenismo agora!”. Eu espero, portanto, que justamente aqueles que raramente ouvem a base, mas que ouvem as personalidades, comecem agora a se inquietar.

A quem o senhor se refere?

A todos aqueles que “pisam no freio” em nível teológico, que não querem mudar nada no status quo. A nossa iniciativa quer deixar claro que a base não quer mais essa situação. Queremos um caminho como Jesus desejou: “Que sejam um, para que o mundo creia”. Isso deve começar “de baixo”. Da hierarquia não podemos esperar nada.

Mas não é mais necessário mover a base, já que ela está majoritariamente do lado de vocês.

Sim, mas a base ainda não fala suficientemente alto.

Até hoje, há diferenças teológicas entre as Igrejas da reforma e a Igreja católica romana. O que é ensinado sobre a ceia, a missão e a Igreja não é a mesma coisa. O senhor é teólogo. A teologia se tornou agora indiferente?

Levar a sério a teologia não significa pôr os dogmas acima da Escritura! Na Reforma, aprendemos queCristo está no centro. A Escritura é a autoridade, não o que, ao longo da história da Igreja, foi empilhado como erros. Se olharmos para a teologia a partir desse ponto de vista, podemos facilmente tirar isso da cabeça. Se, por exemplo, eu olho para como foi motivada a divisão da Igreja em 1054, eu fico de cabelos em pé. De todos os boatos teológicos, resta só uma coisa: a questão do poder. E podemos muito bem nos esquecer dela

A reportagem é de Britta Baas, publicada no sítio Publik-forum.de, 05-09-2012. A tradução é deMoisés Sbardelotto.

 

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