
Foto: Miguel Schincariol/AFP
O golpe em curso não é só parlamentar, mas institucional. Ele envolve desde o empresariado, banqueiros, a grande mídia, setores do Judiciário e da PF.
A mudança do regime político que os golpistas pretendem implantar significa a revogação da eleição direta para cargos executivos. Ou seja, se o golpe se consumar, todo prefeito, governador e presidente da república terá uma espada sobre sua cabeça: se os donos do poder não gostarem de quem foi eleito, declaram que o vencedor cometeu alguma irregularidade ou não tem apoio político, e cassam seu mandato.
Revogam a soberania popular expressa nas urnas. O voto do povo não terá mais valor e suas vozes serão caladas pela repressão policial e pela censura promovida pelos próprios meios de comunicação controlados pelo grande capital.
Isso poderá ser feito em surdina, através da aplicação distorcida de dispositivos legais em vigor, como vem acontecendo há tempos, e de forma avassaladora no ambiente criado pela operação Lava Jato. Mais adiante, quando as circunstâncias permitirem, a mudança assim produzida será consolidada em fórmulas jurídicas novas, muitas delas de natureza constitucional.
Os magos do regime em formação dão tratos à bola na busca da combinação perfeita de ingredientes conhecidos:
- parlamentarismo;
- voto distrital, não obrigatório;
- redução do tempo e restrições ao acesso à propaganda eleitoral gratuita;
- restauração do financiamento privado às campanhas.
Podem não estar de acordo quanto a meios e modos exatos, mas estão firmemente unidos em torno do objetivo comum: ampliar as esferas de decisão “independentes”, isto é, blindadas contra os controles democráticos, bloquear a participação popular, expulsar as grandes massas da vida política.
Enquanto confabulam, os golpistas fazem uso sistemático da violência policial para calar o protesto, reforçando a tendência já antes visível de transformação da força policial em polícia política.
O golpe em curso não é só parlamentar, mas institucional. Ele envolve várias atores e instituições, desde o empresariado, os banqueiros, a grande mídia, setores do Judiciário do Ministério Público, da Polícia Federal, formando um campo de poder unificado contra as mudanças ocorridas no país desde os governos populares de Lula e Dilma: a elevação do salário mínimo de forma sistemática, durante 13 anos e inúmeras políticas sociais que diminuíram a desigualdade social e reduziram a pobreza.
O programa econômico desse bloco antidemocrático é conhecido.
- Arrocho fiscal dramático a fim de liberar recursos para a remuneração de uma dívida pública permanentemente onerada por taxas de juros indecorosas,
- aliado a uma política radical de privatização, que no contexto atual significa entregar, a preços aviltados, setores essenciais da economia nacional ao capital estrangeiro.
Desprovido de projetos e estratégias de desenvolvimento plausíveis, o programa em questão acena, no longo prazo, com a miragem da integração nas cadeias produtivas globais e advoga a adesão acrítica aos mega-acordos comerciais liderados pelos Estados Unidos. Ele é, portanto, recessivo, antinacional e desindustrializante.
A contra-face desse projeto econômico nefasto é o ataque maciço aos direitos dos trabalhadores. A ofensiva começou na Câmara Federal com o projeto de lei sobre a terceirização, logo no início do segundo governo Dilma. Agora ela é comandada diretamente do Planalto, e se traduz em inúmeras propostas em discussão na Câmara e no Senado visando
- a restringir direitos previdenciários,
- reduzir despesas com salários
- e retirar a proteção legal a todas as conquistas dos trabalhadores.
Essa coalizão também se movimenta contra o novo realinhamento que o Brasil assumiu no cenário internacional adotando posição de maior protagonismo, especialmente na América Latina e nas alianças com os BRICs.
No equilíbrio frágil que marca no presente as relações internacionais, a pretensão de autonomia exibida por um país de tamanho continental e peso econômico expressivo situado na área de influência direta dos Estados Unidos torna-se inaceitável para os donos do poder em escala global.
Os golpistas brasileiros se aprestam a servi-los. Por isso, seus passos estão sendo acompanhados de perto e com grande interesse pelas empresas estrangeiras e por estrategistas da geopolítica internacional.
Mas eles estão sendo seguidos também, com atenção crescente, pelo povo brasileiro, que há vinte anos gritou “Diretas-já” e agora voltará a gritar: “Diretas, sempre”.
A resistência popular saberá vencer os golpistas e construir uma pátria mais justa, democrática, livre e soberana.
Forum 21
Respostas de 2
Que bom que está terminando a novela “Dilma”, ela já vai tarde. Com a ajuda do PMDB e das mentiras deslavadas ela conseguiu 54 milhões de votos contra 51 milhões que votaram contra ela, quer dizer sem o PMDB e sem as mentiras ela não teria chegada à presidência. E vejam: hoje só 10% da população e esta Associação confiam nela. Notem que ela deixou atualmente mais de 12 milhões de desempregados na míngua. E mesmo assim vocês acham que ela tem capacidade de governar nossos destinos? Clara que não. Já se deram conta que em nenhum país do mundo funcionou ou está funcionando o socialismo tipo Venezuela, Cuba, Coreia do Norte? A Alemanha Oriental e a União Soviética já se foram. A História já comprovou que o Socialismo é pura safadeza e exploração do povo, que beneficia apenas meia dúzia de espertinho e que não tem nada a ver com democracia. Só educando e formando o povo com seriedade, um país chega à democracia. É o caso dos diversos países da Europa e dos Estados Unidos. Clara que lá tem problemas, pois onde tem gente, tem problemas, mas muitíssimamente menos do que no Brasil e na Venezuela. Só no céu – reino de Deus – não tem problemas.
Senhor Beto,
acho simplesmente falta de inteligência de comparar o Brasil dos últimos 12 anos com a antiga Alemanha Oriental, União Soviética, Coreia do Norte….. Estes tiveram ou ainda tem um sistema totalitário, ditaduras. (Lembre-se o que é uma ditadura???)
O Senhor escreve “só educando e formando o povo com seriedade, um país chega à democracia.” É o que tentaram Lula e Dilma. Mas as classes media e alta não aguentaram de ver, por exemplo, os filhos dos porteiros dos prédios deles na universidade…
Sobre a “crise”: Há uns anos os Brasileiros se riam da “crise” nos Estados Unidos e na Europa, da China. Mas estes Brasileiros não eram capazes e não o são de ver que esta crise mundial um dia tinha que atingir também o Brasil (mesmo Deus sendo Brasileiro). A Dilma, ao meu ver, não fez um bom governo, mas culpar ela totalmente pela crise do nosso país significa culpar ela por exemplo pela caída dos preços de matéria prima que o Brasil exporta, culpar ela pela caída da exportação para a China, porque aquele país também está em crise, fatos que contribuíram muito para a crise no nosso país culpar ela pelo alto índice de desempregados,culpar ela disto tudo é realmente muita falta de inteligência.
Sobre os desempregados: A Alemanha por exemplo durante anos tinha um percentual mais alto de desemprego do que o Brasil hoje. Portugal e Espanha então nem falar. Mas nenhum destes países instalou o teatro de um impeachment (e achava melhor de chamar isto aqui com a palavra portuguesa “Afastamento do Cargo” do que “Impeachment” já que ninguém sabe pronunciar esta palavra inglesa direitinho).