Camino Martínez – Segunda, 06 de junho de 2016
A reportagem é de Camino Martínez e publicada por El Mundo, 03-06-2016. A tradução é de André Langer.
“Acredito que o fato de que tenhamos presença permanente em Roma há dois anos facilitou a obtenção da licença”, comenta para El Mundo Kate McElwee, representante da Women’s Ordination Conference na capital italiana, que detalha que as ativistas que participaram de um dos últimos protestos, em 2011, foram detidas pela polícia.
“Com o Papa Francisco, também nos sentimos mais livres”, reconhece McElwee, mas esclarece que o Vaticano não teve nenhum papel ativo na concessão da permissão. Tudo dependeu da Prefeitura de Roma. E, além disso, o protesto não acontecerá em território vaticano, mas italiano. Mesmo assim, não deixa de ser significativo, tendo em conta que desde a quarta-feira realiza-se no Vaticano o chamado Jubileu dos Sacerdotes, e mais de 6 mil padres de todo o mundo chegaram à capital italiana. Evidentemente, todos homens e vestidos com a preceptiva batina.
“Há algumas semanas começamos a tramitar a autorização na polícia local”, segue relatando a ativista, que ainda parece incrédula por ter conseguido a desejada licença.
A Women’s Ordination Conference é a maior e mais antiga associação e que trabalha pela ordenação das mulheres como sacerdotes, diáconos e bispos. Sua atividade começou em meados dos anos 70 e em seguida conseguiu um grande impulso quando, em 1978, várias de suas atividades irromperam em uma conferência de bispos em Washington reclamando a igualdade de direitos das mulheres na Igreja católica.
A partir de então a Women’s Ordination Conference protagonizou múltiplas ações reivindicativas e conseguiu tecer uma ampla rede em diversos países, como Reino Unido, Alemanha, França, Austrália, Japão ou Índia. Segundo sua representante na Itália, no momento não dispõe de nenhuma delegação na Espanha.
Confronto com a hierarquia eclesiástica
Em seu confronto com a hierarquia eclesiástica, a Women’s Ordination Conference conseguiu a ordenação de diversas mulheres com a ajuda de um bispo, que decidiu desobedecer a Santa Sé. No total, 150 mulheres foram ordenadas sacerdotes. A reação do Vaticano foi excomungá-las.
O Papa Francisco mostrou sua disposição, em 12 de maio passado, para que se crie uma comissão que estude a possibilidade de que as mulheres possam ser novamente diaconisas na Igreja, como já foram no passado. O pontífice fez este anúncio durante um encontro com 900 líderes de congregações religiosas femininas de todo o mundo.
O diácono é uma figura eclesiástica à qual é conferido a ordem e grau segundo em dignidade, ou seja, a seguinte em importância ao sacerdócio. Sua responsabilidade é cantar o Evangelho e assistir o sacerdote nas missas solenes. Também pode administrar certos sacramentos, como o batismo e o matrimônio.
A Women’s Ordination Conference valoriza a postura do Papa como um “passo em frente”, mas não entende como o pontífice continue a se negar a permitir que mulheres presidam a eucaristia.
Camino Martínez
Para ler mais:
- 03/06/2016 – Ativistas que lutam pela ordenação presbiteral de mulheres fazem encontro inédito com representante do Vaticano
- 31/05/2016 – Diaconato para as mulheres: qual o seu papel na Igreja?
- 23/05/2016 – “As mulheres têm que estar onde são tomadas as decisões. Do contrário, a Igreja não será completa”. Entrevista com Carmen Sammut, presidente da UISG
- 16/05/2016 – O que o papa disse em seu discurso às superioras gerais sobre mulheres e diaconia
- G1 – Mulheres sacerdotes pregam o Evangelho na Colômbia…
- Ordenação das Mulheres? – Women can be priests!
- Sacerdotisas | Portal Pegasus
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Uma resposta
Todo eso lo tendré para el que viene, igual al otro.