Argentina aumenta o controle sobre empresas estrangeiras

Pela cartilha neo-liberal, o que o governo argentino está fazendo com as empresas estrangeiras é um pecado mortal. Pois ataca diretamente o dogma da LIBERDADE ABSOLUTA DO MERCADO.

Para o Povo Argentino é uma bênção, pois tem um governo que quer equilibrar os legítimos interesses dos investidores estrangeiros com os legítimos interesses argentinos. E se o governo não fizer isso, estaria fazendo o quê?

A Liberdade do Mercado nunca pode estar acima da busca do Bem Comum do país em que uma empresa atua.
Tanto mais, no caso em pauta, em que o governo argentino, representante do Povo, também é acionista nessas empresas em que está exigindo participar da Diretoria.

Em vez de briga, uma boa síntese de Liberalismo e de Socialismo e uma boa dose de Intervencionismo do Estado para, diante das empresas estrangeiras, resguardar os legítimos interesses nacionais e, perante as empresas nacionais, resguardar os legítimos interesses dos que, nas relações comerciais, trabalhistas e de defesa real, concreta dos direitos fundamentais dos cidadãos, das famílias e das pequenas empresas, é sempre salutar.

Deixar ao Capital, ao Mercado, internacional e nacional, que só visa o LUCRO RÁPIDO e sem limites, que ele se auto-limite e, assim, garanta os interesses nacionais e os interesses dos trabalhadores (quem gera a riqueza é o Capital e o Trabalho, não só o Capital), seria como deixar ao rato o dever de se auto-limitar diante do queijo. Tanto o rato como o Mercado não têm ética alguma: guiam-se só pelo instinto. O rato pelo instinto da fome/sobrevivência, o Mercado pelo instinto do Lucro rápido e ilimitado, doa a quem doer.

Há sinais cada vez mais claros de que a América Latina, a partir das bases, está tentando e, pouco a pouco, conseguindo, não sem fortes e mais ou menos velados ataques de quem não quer que isso aconteça (o Capital internacional no chamado MERCADO, os Estados Unidos que, pouco a pouco, vão perdendo seu quintal sul-americano onde sempre deram as cartas e a Quinta Coluna dos grandes atores econômico/políticos nacionais que sempre dominaram o Povo e querem continuar a dominar, aliando-se, para isso, com qualquer força externa ou interna que os apoie e lhes garanta o poder, mesmo que para isso seja preciso vender a Pátria e sacrificar todo o Povo) inventar uma nova maneira de fazer política. De cariz fortemente popular e de tentativa de desmonte das eternas oligarquias.
A recente adesão da Venezuela e o pedido de adesão ao Mercosul do Equador e da Bolívia, do Suriname e da Guiana, são alguns desses sinais. Chile, Peru e Colômbia deixaram-se seduzir por acordos bilaterais com os norte-americanos (estratégia: divide e impera!) e, enquanto assim permanecerem, não poderão fazer parte do Mercosul.
Não vai ser fácil a caminhada da progressiva união e independência/interdependência da AL, mas este parece ser o único caminho para uma autêntica democracia em todo o continente centro e sul-americano.

João Tavares

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Por César Felício
As empresas na Argentina que contaram com recursos dos antigos fundos de pensão estatizados em 2008 ganharam um novo motivo de preocupação na semana passada. Um decreto da presidente Cristina Kirchner normatizou a atuação dos diretores indicados pela Anses, a autarquia previdenciária que passou a centralizar as participações acionárias dos antigos fundos nas empresas privadas do país. Desde abril do ano passado, Cristina determinou que a Anses deveria ter assento nas diretorias que contam com esse tipo de capital, mas não havia um controle dessa atuação por parte da Casa Rosada.
Pelo decreto, o vice-ministro da Economia Axel Kicillof irá coordenar a ação de 50 diretores em 28 empresas, entre elas a Petrobras, o banco Patagonia, que é controlado pelo Banco do Brasil, e a Quickfood, empresa de processamento de carne recentemente assumida pela Brasil Foods após um acordo com a também brasileira Marfrig.
Na Petrobrás, a participação da Anses é de 9,8%; segundo o último balanço da subsidiária enviado para o órgão regulador de mercado de capitais em Nova York. Na Quickfood, a participação da autarquia é de 5,3% e no banco Patagonia a Anses conta com 15,3%.
Os diretores designados pela Anses irão repassar informações mensalmente para Kicillof sobre as decisões das empresas. Um “sistema de informação para o monitoramento permanente das sociedades” será criado.
Kicillof receberá relatórios sobre balanços, informes de gestão, orçamentos e planos de investimentos. O decreto estabelece, contudo, que as informações terão caráter sigiloso.
Os representantes da Anses serão orientados a “resguardar o interesse público” durante as reuniões deliberativas. Será dada particular atenção aos acontecimentos dentro das organizações “suscetíveis de acarretar prejuízos para o patrimônio público, lesar o interesse do Estado ou que configurem transgressões em matéria tributária, aduaneira ou previsional”.
Para que não reste dúvida sobre a quem se reportam os diretores, o decreto determina que os salários dos representantes da autarquia serão pagos pelas sociedades diretamente ao Ministério da Economia, que irá repassar o pagamento aos executivos.
Segundo um advogado ligado a investidores brasileiros, a nova orientação não deve afetar o cotidiano administrativo das empresas, mas o sistema de monitoramento implantado pode inibir investimentos novos. “O normal em uma pessoa jurídica é que os diretores tenham como diretriz máxima os interesses da empresa, porque sempre pode haver situações de conflito entre uma empresa privada e o governo”, comentou, sob reserva.
O decreto marca ainda a ascensão como interlocutor com o setor privado de Axel Kicillof, um economista que se notabilizou por textos doutrinários em que tenta fundir o marxismo com a linha keynesiana. Kicillof estava à esquerda do governo de Cristina Kirchner até 2009, quando passou a ocupar um cargo de direção na Aerolineas Argentinas, que foi estatizada no ano anterior.
Em 2011, a designação de Kicillof como um dos representantes da Anses na diretoria da Siderar, uma subsidiária do grupo siderúrgico Techint, fez com que a empresa privada fosse a única da Argentina a reagir ao decreto de Cristina que abriu espaço para indicados do governo nas sociedades em que o poder público é acionista.
Neste ano, Kicillof chegou ao comando da secretaria de Política Economica e substituto eventual do ministro da Economia Hernán Lorenzino, a quem deve subordinação apenas do ponto de vista formal: seu vínculo direto é com a presidente. No mesmo dia em que Cristina centralizou as participações acionárias nas empresas, Kicillof recebeu mais um quinhão de poder: em outro decreto, a presidente atribuiu à sua secretaria a faculdade de regular o setor privado de óleo e gás.
Procuradas pelo Valor, a Petrobras, o banco Patagonia e a Quickfood não se manifestaram.
FONTE: http://www.valor.com.br/imprimir/noticia/2778468/internacional/2778468/argentina-aumenta-o-controle-sobre-empresas-estrangeiras

Respostas de 2

  1. Argentina aumenta o controle sobre empresas estrangeiras

    João Tavares,

    Oxalá nosso Brasil siga o altaneiro exemplo da Argentina, na quebra de braço contra a LIBERDADE ABSOLUTA DO MERCADO, representativa do capitalismo selvagem, construído às custas da dominação do capital estrangeiro, a serviço das grandes potências, na sua inesgotável fome do ouro (auri sacra fames)!
    Viva a Argentina! Viva a América Latina! Viva o Mercosul!
    Abraços,

    Monção.

  2. Tavares:

    Parabéns pelas suas colocações.
    De fato, o mercado, por ser um serviço, deve se subordinar ao bem comum.
    Esta selvageria do neo-liberalismo, causou a miséria no mundo e o caos na Europa.
    Você está exercendo o profetismo: mutatis mutantis, é o que fez João Batista, quando censurou Herodes, condenando-o por ter desposado a mulher de seu irmão.
    Nossa Hierarquia deveria estar fazendo o mesmo que você. No entanto, ela vem se omitindo. Em alguns casos está até apoiando, como no Paraguai, onde o Vaticano foi dos primeiros governos a reconhecer o governo golpista, que derrubou Lugo.
    Um abraço,

    F. Resende

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