Lindo XIX Encontro das Famílias dos Padres Casados do Brasil

De 27 de junho a 1º de julho de 2012 aconteceu em Fortaleza – CE o XIX Encontro das Famílias do Padres Casados do Brasil. Segundo a última estatística fornecida, existem no Brasil, aproximadamente, 8.000 (oito mil) padres casados. 

No entanto, neste Encontro, se minha contagem não estiver errada, éramos, aproximadamente,  60 (sessenta), sem contar mulheres e crianças. Ressalvo, por oportuno, que aqui, a semelhança  com a narração do fato ocorrido em Mt. 14, 21, é pura coincidência. Se lá elas não eram contadas por motivos ditados pela  cultura machista da época, aqui, muito pelo contrário, são elas que contam, pois são a razão de ser do que somos: “padres casados”. O trocadilho até que veio a calhar.

Onde estavam, ou melhor, onde estão os outros 7.940 (sete mil novecentos e quarenta )? É gente que não acaba mais e dá até para levantar  algumas conjecturas:

1- Ou a grande maioria dos Padres casados no Brasil não conhece o Movimento  (MFPC);  2-  Ou conhece, mas por motivos particulares, encontra-se tão desiludida com Igreja, que prefere se manter longe de tudo que lhe lembre religião, clero ou coisa semelhante; 3 – Ou, embora  sabendo da existência do Movimento, mas desconhecendo seus objetivos, opta por se manter no anonimato; e   4 – Ou, até conhece, mas não quer mesmo participar de nada. 

Eu, particularmente, conheço colegas que se encaixam numa ou noutra dessas categorias. Já encontrei quem me dissesse: “me deixa fora disso, não me mande convite  para reunião ou encontro, porque não vou”. Paciência! Aí, não se pode fazer nada!

Mas, tenho certeza, nossos Encontros, com muitos ou poucos participantes, vão continuar a acontecer, pelo menos até quando a categoria “padre casado” for considerada “exceção” dentro da Igreja. Acho que não podemos deixar de mostrar nossa “carteira de identidade”, afinal de contas, não somos nenhum fora da lei. Nossas esposas só vieram nos completar e nos santificar. Todo mundo sabe os motivos dúbios e escusos que levaram a Igreja a proibir o casamento para padres do rito latino. Motivos estes que não se justificavam na origem e, muito menos, hoje. Seria obra dos  falsos misóginos dos primeiro séculos? Tudo leva a crer que não, porque, na clandestinidade, agia-se de modo bem diferente. Ainda hoje o discurso sobre o tema é tão dissonante e contraditório que  a gente fica por entender o que se quer com tanta teimosia. Um “casal sacerdotal”, querendo ou não, realiza com muito maior perfeição o plano de Deus, individual e coletivamente. Contudo, até que isso venha a ser aceito por quem dá as cartas, o MFPC vai continuar crescendo. Nossos Encontros, no mínimo, nos possibilitam dizer com o salmista: quam bonum et jucundum habitare fratres in unum” Irmãos que durante anos, décadas até, conviveram, trabalharam e sofreram juntos, se encontrarem depois de tanto tempo, é muito mais que “bom e agradável”, é maravilhoso! São oportunidades, também,  para a gente refletir e rezar juntos. 

Por isso tudo e muito mais, vamos continuar nos encontrando.

Curitiba que nos aguarde em 2015 !

Neste Encontro de Fortaleza registramos, com alegria, a presença de  casais  Chilenos, Mexicanos e Argentinos. Pelo que se pode perceber, nesses países, os problemas enfrentados pelos padres que se casaram, são mais ou menos os mesmos que enfrentamos no Brasil.

 O grupo de Fortaleza preparou e realizou um Encontro maravilhoso. O local, SESC de Iparana no Município de Caucai, foi , na linguagem cearense, um “só o mi dibuiado”. Pena aquele marzão ali  no fundo ser “breado”, assim, a gente não precisaria ter ido à praia de Cumbuco, embora não muito longe . Mas, assim mesmo valeu e muito, principalmente pela alegria contagiante da guia Rejane, nora do querido e inesquecível Lauro Mota. Usando expressão do “Dicionário Cearense” seria o caso de dizer: o Ciarense é  “abortado”,  com 578 km. de praias maravilhosas,  presente único da mãe natureza. Briguem aí, gente, com seus pulíticos p’ra dar um jeito de despoluir  as praias da Capitar. Quando isso acontecer não deixem de avisar p’ra gente.

Falando sério, o SESC nos proporcionou um Encontro tranquilo e muito proveitoso: apartamentos excelentes com espaços exclusivos para reuniões e refeições. Parabéns,  turma arretada do Ceará! Não deixem esfriar esse “fogão” de entusiasmo, alegria e idealismo que vimos aí. Deus queira que os outros Estados, com o  exemplo de vocês, saiam da moita. O Movimento não é favor para ninguém, é nosso, ou melhor, nós somos o Movimento.

O conteúdo do Encontro não poderia ter sido mais apropriado: DA IGREJA QUE TEMOS PARA UMA IGREJA Á LUZ DO ESPÍRITO DO CONCÍLIO VATICANO II NA AMÉRICA LATINA.

Quem de nós, vivendo, vivenciando e participando, direta ou indiretamente, dos problemas graves e cruciais que atingem as famílias no mundo de hoje, pode estar tranquilo? Há 50 anos o Concílio terminou e, até agora, quase nada foi feito para que o Evangelho fosse pregado ao Povo de Deus numa linguagem moderna e adequada aos tempos de hoje. Que nossas vozes e da teóloga Maria Soave que nos falou no primeiro dia, não clamem no deserto. A voz do Espírito Santo que guia e ilumina a Igreja não pode cair no esquecimento, não pode ir para um “arquivo morto”. Causa-nos espanto a declaração de Dom Demétrio Velentim (página 12 do livro de texto do Encontro), a respeito do Concílio: “está correndo o risco de cair no esquecimento, porque os Bispos que dele participaram já morreram”, o povo ignora ou desconhece os temas discutidos e decididos pelo Concílio, e conclui: para muita gente o Vaticano II é coisa do passado”.

Lamentável que um Bispo pense assim. Seria o atestado evidente com firma registrada em cartório, que a Hierarquia continua no mundo da lua, catando “coquinho”, celebrando missa como “sacrifício” a um Deus que, já na Antiga Aliança, disse que odiava sacrifícios e só queria misericórdia. Uma pergunta, parafraseando o festejado cantor padre Zezinho: Quem caminha à frente do Povo de Deus? “O Povo de Deus no deserto andava, mas à sua frente alguém caminhava.  O Povo de Deus era rico de nada, só tinha esperança e o pó da estrada”.Se continuar assim, um dia, até a esperança pode acabar.

Para finalizar, os casais que estiveram presentes em Fortaleza: 30 do Ceará; 05  de Brasília; 07 do Paraná; 04 de Santa Catarina;  02 do Maranhão; 02 de Pernambuco; 04 de Minas Gerais; 05 da Bahia; 04 de São Paulo; 03 do Rio de Janeiro; e 01 do Amazona voltaram para suas casas, espera-se, levando muita alegria e esperança no coração, igual às do casal de Emaús, porque escutaram, nesses dias, o Senhor lhes falando. A “túnica” já deixamos, mas não abramos mão do  “avental”, porque assim, sempre, estava vestido nosso Mestre, até na cruz.

Com licença do casal Presidente, José Edson e Maria Lúcia, lançamos aqui um grito de alerta aos milhares de  Padres Casados do Brasil inteiro para que saiam do anonimato. A Igreja (Povo de Deus), mesmo cinquenta  anos após o término do Concílio Vaticano II, precisa de nós.

Belo Horizonte, 15/07/2012

Beatriz e Lino

Respostas de 6

  1. Prezados colegas Beatriz e Lino. Gostamoa da apreciação do XIX Encontro. Não marcamos presença devido à distância e preocupações de família. Nossa realidade é bem diferente dos presbíteros solteirões. Hoje mesmo estava refletindo com nossos botões: porque a teologia da libertação é tão marginalizada pelos donos do poder religioso católico. Há diveros sistemas dominantes dentro do absolutismo vaticanista: o sistema da peregrinação, pois, onde há peregrinos, há comércio e,onde há comércio, há dinheiro e surgem as abadias, as basílicas e seus administradores vivem confortavelmente…o sistema paroquial,pois, onde há uma paróquia, há esmola, há dízimo, há casas paroquiais confortáveis, carro na garagem, motos, portões com segurança digital, companheiras etc. O pensamento cristão de libertar o homem incomoda muita gente. Sentimos mesmo não marcar presença, mas aoompanhamos o Encontro em toda a dimensão e assinamos tudo. Abraços Laís e Osvaldo.

  2. Sou interessado em assuntos ligados ao “movimento” pelo fim do celibato obrigatório. Fiquei feliz em saber do XIX Encontro das famílias dos padres casados em Iparana, mas não pude acompanhar melhor, só agora tive oportunidade de comentar. Quero parabenizar o movimento,desejar sucesso e que se expanda e chegue à Igreja, tanto à hierarquia, quanto aos leigos.
    Se me permitem, quero ousar fazer algumas sugestões, talvez até estranahas, por parte de uma pessoa que não conhece a história desta organização. Mas vou ousar. São SUGESTÃO DE LEITURAS:
    1. É fundamental ler PE. DIOGO ANTONIO FEIJÓ, que pregava o fim do celibato em 1829 em discurso na Camara dos Deputados. Tem uma biografia dele nas livrarias.
    2. Também ler Dom Carlos Duarte Costa, FUNDADOR DA IGREJA BRASILEIRA, era um homem que pensava além de seu tempo e tem sua posição contra o celibato obrigatório, sendo ele celibatário. Mas não tem livros sobre ele, somente na internet. Brevemente sairá uma monografia que estou orientando no Curso de História da UECE.
    3. Por último lembrar o livro de DOM CLEMENTE ISNARD, sobre as instituições eclesiásticas, acho que este todos devem conhecer.
    Tenho outras sugestões, mas vou ver a repercussão destas para voltar a escrever, posso está “malhando em ferro frio”, como se diz aqui.

  3. OS PADRES CASADOS PODEM PREGAR O EVANGELHO
    Na minha linha de ousadia, sem ser padre casado e conhecendo pouco o seu importantíssimo movimento, estou pensando aqui “com os meus botões”: Por que os padres casados não se dedicam, dentro de suas limitações, a pregar o Evangelho? Todo mundo hoje se arvora de pregar o Evangelho. Por que uma pessoa que tem formação, não pode pregar? Pode. Nínguuém vai proibir. Onde isso poderia acontecer? Nos chamados círculos bíblicos, nas comunidades que não tem padre pelo interior afora, com a permissão do vigário, é claro, onde isso for possível. E fora da órbita paroquial, ou episcopal? Em suas casas, ou em espaços independentes. Já pensou uma rede de CAPELAS DE PADRES CASADOS? As capelas particulares são uma tradição na IGREJA, você pode ter uma CAPELA particualr e rezar nela diáriamente: terços, novenas e ninguém vai proibir. Por que não rezar o terço e depois fazer a leitura do Evangelho e a sua pregação. Vai que isso dar certo e se forma uma REDE DE CAPELAS DOS PADRES CASADOS. Outras formas de pregar o Evangelho de forma difusa, em programas de rádios comunitárias. Os Padres casados podem pregar em rádios comunitárias e isso também pode formar uma rede. Tudo tem que ser em rede. E por aí vai, pela internet, pelas redes sociais. Sinto que os padres casados, por si próprios podem sair do anonimato, ganhar credibilidade junto à sociedde e no futuro entrar pela porta da frente na Igreja.
    Se os senhores acharem absurdas as minhas idéias, podem dletá-las e se elas ofendem a alguns, peço perdão.

  4. Meus queridos, sou padre casado. Por mais de um ano,POR MUITÍSSIMAS VEZES, tentei entrar em contato com o movimento de vocês através de e-mails e telefones (os que vocês colocam no site do movimento e no Jornal de vocês). Pura perda de tempo. Gostaria realmente de saber qual é a dos senhores. Como disse, sou padre casado, mas os senhores não me representam. Na melhor das hipóteses, os senhores teriam que repensar as estratégias do movimento. “Movimeeeeento”? Movimento, no caso, não é uma palavra muito adequada.
    Em Cristo.

    Pe. Francisco

  5. Prezado colega de sacerdócio Francisco,
    em nome da Diretoria e centenas de participantes do MFPC apresento-lhe BOAS VINDAS!
    Repasso-lhe alguns dados de contato com nosso Movimento, que teve seu XIX Encontro nacional recentemente (dias 27 de junho a 01 de julho) em Fortaleza.
    Site: http://www.padrescasados.org
    E-mail de contato: padrescasados@gmail.com
    Meu e-mail, como editor do jornal RUMOS do MFPC: gilgon@terra.com.br
    E-mail de nosso Presidente Edson Mariano, de Fortaleza? edsonmariano@hotmail.com
    E-mail de nosso moderador e organizados do próximo catálogo nacional dos padres casados, João Tavares: tavaresj@elo.com.br
    Para assinatua do jornal Rumos ou sócio de nossa Associação Rumos (AR) com CGC, veja na pág. 2 dos Jornais Rumos, em EXPEDIENTE, como fazer.
    Eu gostaria de tê-lo como assinante e colaborador de artigos do jornal.
    Peço-lhe, se concordar, que envie a mim e ao João Tavares seus dados pessoais e endereço, para futuros contatos e remessa de noticias sobre nosso Movimento e AR.
    Cordial abraço
    Giba (Gilberto)

  6. Amigos, qualquer padre casado que quiser celebrar pode sim. Venham participar da Igreja católica apostolica brasileira junto com sua família e seja feliz dentro do que vc mais quis na sua vida, ser padre e ter uma família. Vejam o que Paulo expos na sua carta a Tito 1,2 em diante,na carta a Timóteo 3 tb está escrito tudo que vcs precisam para seguir a sua vida de padre tendo a sua familia junto.Sou padre a 3 anos,tenho 4 filhos maravilhosos trabalhamos tds juntos.Duas catequistas,uma da pastoral de acolhimento e coral,um toca violão, minha esposa faz parte da pastoral da familia e coral.Meu fone para contato 85 9992 7425. Um abraço.

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