Vaticano expulsa padre de Congregação por assumir homossexualidade

340O Vaticano condenou este sábado um padre polaco por ter revelado a sua homossexualidade na véspera de um grande sínodo, considerando o ato “muito sério e irresponsável” e anunciou que será despojado das suas responsabilidades na hierarquia da Igreja.

O padre polaco Krzysztof Charamsa, oficial na Congregação para a Doutrina da Fé, não poderá prosseguir neste organismo após declarar a sua homossexualidade publicamente, revelou o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi.

Numa entrevista publicada este sábado no diário “Corriere della Sera”, o jornal de maior tiragem nacional, o prelado assegura que é ‘gay‘, que tem um companheiro e que se sente orgulhoso disso.

As declarações de Krzysztof Charamsa são “muito graves e irresponsáveis” ao terem sido produzidas a um dia do arranque do Sínodo da Família, indicou Federico Lombardi em comunicado.

“Cabe assinalar que – apesar do respeito que merecem os acontecimentos e situações pessoais e as reflexões sobre eles – a decisão de fazer uma tal declaração na véspera da abertura do Sínodo resulta muito graves e irresponsável”, disse.

Nesse sentido, o porta-voz assinalou que tais declarações parecem visar “submeter a assembleia sinodal a uma pressão mediática injustificada”.

Quanto ao seu futuro no organismo da Curia, no qual se encontra integrado desde 2003, Federico Lombardi afirmou que “certamente não poderá continuar a desempenhar as suas funções da Congregação para a Doutrina da Fé e as universidades pontifícias”.

Outros aspetos da sua situação, acrescentou, serão decididos pelo bispo local.

Na entrevista que deu ao “Corriere della Sera”, Krzysztof Charamsa assegurou que não se importa com as consequências da sua revelação.

“Quero que a Igreja e a minha comunidade saibam quem sou: um sacerdote homossexual, feliz e orgulhoso da minha identidade. Estou preparado para pagar as consequências, mas é altura de a igreja abrir os olhos e compreender que a solução que propõe, a abstinência total da vida do amor é inumana”, defendeu.

Nas entrevistas que deu, Krzysztof Charamsa, admitiu que a sua ação tornaria insustentável a sua permanência como padre.
“Eu sei que vou ter que desistir do meu ministério, que é toda a minha vida”, disse ao “Corriere della Sera”.

No entanto, disse querer desafiar o que designa de “paranóia” da Igreja em relação às minorias sexuais, alegando que o clero católico foi em grande parte composto por homossexuais intensamente homofóbicos.

FONTE http://expresso.sapo.pt/internacional/2015-10-03-Vaticano-expulsa-padre-de-Congregacao-por-assumir-homossexualidade

 

Respostas de 5

  1. Bem, ao meu ver, o Padre Krzysztof Charamsa, foi mandado embora não tanto por ser homossexual mas por declarar publicamente de viver com um companheiro. Se ele fosse heterossexual e confessasse de viver com uma mulher, também seria mandado embora, porque tanto o homossexual como o heterossexual, sendo Padre tem que viver, segundo as leis da Igreja católica, celibatariamente.

  2. Irene,

    Comentário perfeito e esclarecedor.
    Ele estava vivendo uma vida dupla e sendo desleal com a Igreja. Prova disso é que o esperto padre polaco escolheu a véspera do Sínodo para fazer sua declaração.

    Nada contra a opção ou natureza sexual dele, pois é um homem livre. Mas, como ele estudou Moral, deve ter se preparado durante longos anos para o sacerdócio e prometeu viver celibatário e casto, questiono:
    – ele sabia que era homossexual quando foi ordenado? ou descobriu depois?
    – se sabia, escondeu?
    – se não escondeu, o bispo que o ordenou é corresponsável.
    – quando resolveu viver com o parceiro, por que não pediu dispensa das obrigações assumidas?
    – como seu bispo e seus superiores em Roma foram tão cegos que não descobriram a situação dele?
    – ou será que sabiam e calaram até que ele resolveu tornar pública a sua situação, obedecendo ao aforisma/norma implícita: “se não consegui ser casto, pelo menos seja cauteloso”?

    Deus ilumine os participantes do Sínodo e o Papa Francisco para enfrentaram o problema dos homossexuais na Igreja. E, depois do Sínodo, o Papa Francisco para, finalmente, se debruçar sobre o grande problema dos mais de cem mil padres casados espalhados pelo mundo e sobre o problema do celibato opcional. É inútil o Vaticano continuar a fazer de conta que nós não existimos. De 29 de outubro a 01 de novembro haverá o Congresso Mundial das Federações de padres casados. Da América Latina estarão presentes cerca cinco casais

  3. JOão,

    obrigada pela sua resposta. Gostei do primeiro e terceiro parágrafo. Porém tenho umas perguntas acerca do segundo, perguntas às tuas perguntas:

    “Ele sabia que era homossexual quando foi ordenado, ou descobriu depois?”
    João eu te pergunto: Tu e todos os nossos colegas sabiam que eram heterossexuais, gostando de mulheres, ou descobriram depois?

    “Se sabia, escondeu?, se não escondeu, o bispo que o ordenou é corresponsável”
    Tu e os outros nossos colegas sabiam e esconderam que são heteros e gostam de mulheres? Se não esconderam o bispo que vos ordenou é corresponsável da vossa saída e casando com mulheres.

    “Quando resolveu viver com o parceiro porque não pediu dispensa das obrigações assumidas?”
    Tu e os nossos colegas fizeram isto. Mas quantos outros padres heteros existem que não pedem dispensa e vivem uma vida dupla?

    “Como seu bispo e seus superiores em Roma foram tão cegos que não descobriram a situação dele?”
    Como os bispos pelo mundo afora não descobrem a situação dos sacerdotes que levam uma vida dupla?

    João, eu acho que o mundo ainda não entendeu que tanto homos como heteros nascem assim e são seres humanos com valores e defeitos iguais. E se um homem hoje na Igreja católica quer ser sacerdote tem que aceitar o celibato, tanto que seja homo ou hetero.

    Olhe, aqui na nossa Diocese de Brasilia conheci 2 parócos claramente homos. Eram ótimos parócos, ótimos “pastores”, nunca constava nada de “parceiros” contra eles. Um morreu com quase 90 anos e é tido como um santo, o outro agora atua num outro estado.
    Mas aqui na nossa Diocese também conheço pessoalmente pelo menos três sacerdotes heteros que vivam uma vida dupla com mulheres, e 2 até com filhos……

  4. Se for mandar embora todos que tenham vida dupla no ministério vai sobrar menos de 10%. seja Hetero seja homo o povo anda vivendo com parceiros e parceiras numa boa e pronto.

  5. O Vaticano sabe da duplicidade de vida de milhares de religiosos, até os minerais sabem,o erro do padre polaco foi se revelar publicamente e passou para o número dos excluídos. Na conjuntura do Vaticano, celibato é apenas não casar, não assumir compromisso com a companheira ou companheiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *