Numa declaração assinada, tornada pública em maio passado, 177 padres e diáconos da arquidiocese de Freiburg, Alemanha, desafiaram a Igreja Católica a readmitir à Eucaristia os divorciados recasados.
Em razão disso, o arcebispo, Robert Zollitsch, atualmente presidente da Conferência Episcopal Alemã, ameaçou-os com duras sanções.
Eles reconhecem abertamente a sua desobediência. Mas o que está principalmente em questão são católicos que, após o divórcio e novo casamento, jamais poderão receber a comunhão. É proibição do Direito Canônico. Entretanto, em muitas paróquias, ela não é acatada. E essa é apenas uma das reformas que Bento XVI recusa.
Os 177 padres e diáconos admitem expressamente que agem contra uma ordem que vem de cima. Uma confissão assim e dessa dimensão, nunca se deu na Alemanha. Por isso, o arcebispo Zollitsch e o seu vigário geral, Fridolin Keck, advertiram insistentemente os rebeldes que retirassem as assinaturas. Foi-lhes mandada uma carta a cada um em que se dizia: “expressamente tenho de avisá-lo de que a nossa arquidiocese não pode aceitar uma praxe geral que vá contra os preceitos da Igreja mundial”. Com a sua assinatura, os párocos “desobedeciam conscientemente ao Direito Canônico vigente” isto é, “não ajudavam em nada e estavam fora de propósito”.
Em nome do arcebispo, o vigário pedia que não assinassem o documento e que, se já o tivessem feito, que retirassem a assinatura. Mas o site dos rebeldes: WWW.memorandum-priester-und-diakone-freiburg.de/?page_id=282, mostrava, em 13 de junho, 189 assinantes, tendo-se retirado apenas 2.
Eles querem continuar na sua linha e acusam o Papa e a Igreja de quererem manter uma posição sem misericórdia para com católicos de boa vontade aos quais se negará a eucaristia até ao fim da vida, um sacramento tão importante para os fiéis. ”Para que vou à Igreja aos domingos?” dizem muitos deles. “É por isso que as pessoas da nossa comunidade devem ver onde estamos”, disseram os três iniciadores desta iniciativa. E, apesar da pressão, mantêm a mesma posição de dar a comunhão aos divorciados recasados. Um pároco de Freiburg fala de uma católica que casou pela primeira vez há cinquenta anos. O relacionamento não durou mais de um ano. Encontrou logo outro par. Com ele vive há quase meio século e não pode receber a comunhão. Por isso, o pároco confirma que é “de boa consciência” que dá o Corpo de Cristo a católicos nessa situação, mesmo que seja ilícito.
Entre os que assinaram a declaração, está um padre de 86 anos que há pouco celebrou o seu jubileu de diamante. Ele acha que, tendo em vista as pessoas e a Igreja, a declaração era absolutamente necessária. O calamitoso estado de coisas que nem os de fora da Igreja entendem, não pode continuar. Outro dos assinantes da declaração diz que a Igreja continua a “empurrar os problemas com a barriga”. A necessidade de reforma na Igreja é imensa.
Mas o Papa Bento XVI destruiu há pouco todas as esperanças de que a Igreja repensasse a exclusão dos recasados da comunhão. Ele disse que a sua exclusão é “um grave sofrimento da Igreja de hoje”, mas que ele não tem nenhuma receita para isso.
O padre Konrad Irslinger de Freiburg não está surpreendido com a reação do Papa. “Cada pároco é homem suficiente para decidir o que é necessário”. Ele conhece padres que após ter lido a carta do arcebispo Zollitsch, decidiram assinar a declaração.
Fontes: SPIEGEL ONLEINE //www.memorandum-priester-und-diakone-freiburg.de/?page_id=282
Enviado por Irene e Luís Guerreiro
Uma resposta
Ual…, como se diz pelas terras de Camões, esta notícia dos padres alemães suou como “música aos meus ouvidos”.
Como tenho dito…: o Espírito já está no “front”, enchendo de fé, coragem e ousadia os seus instrumentos.
Senhor Jesus, e, amado Deus e Pai: o teu povo clama: faz-nos livres das ordenanças e disciplinas de homens…, faz-nos livres para servir-te e amar-te!
Todos nós que gostaríamos de ver as mudanças na ICAR, aquelas mudanças que é o Espírito Santo que deseja realizar: fim do celibato obrigatório, Etc. Etc., Etc., deveríamos sair às ruas, como fez Gandhi na India, ou Martin Luther King, nos EUA.
Estou em intercessão diária, clamando ao Pai que este grupo de sacerdotes cheios do Espírito e de coragem, multiplique-se por milhares de milhares, em todo o mundo…, só quero ver se os “deuses” da cúria terão o descaramento de excomungar milhares de sacerdotes…!
Vejo com os olhos da fé: perto está o dia da libertação do povo de Deus, hoje escravizado pela tradição de homens, que em nada são cristãs, muito menos, evangélicas.
Oh Deus continua levantando padres corajosos e cheios do Espírito Santo, que digam basta à ditadura clerical da cúria romana!
Abraço e calorosa saudação aos irmãos alemães.