Entrevista de João Tavares a Yannik D´Elboux, da UOL – junho de 2015

 

“Pessoalmente sou a favor do celibato opcional. É um carisma e, com tal, não tem sentido ser imposto por uma lei. Muitos podem ter vocação sacerdotal, mas não ter vocação celibatária.”

 

 De vez em quando a TV, Rádio e mídia impressa pede ao MFPC para entrevistar um padre casado. E frequentemente a Diretoria Nacional me indica para essa terefa. 

Por precaução e porque o assunto não é de fácil entendimento e exige exatidão nas colocações, em geral aceito, mas sempre na condição de responder por escrito a perguntas escritas. E me reservo o direito de Publicar a Entrevista integral no nosso Site. Desta vez a entrevistadora  foi Yannik D´Elboux, da Uol. –  J. Tavares

 * * * 

Veja a  ENTREVISTA:

1 – Qual é o seu nome completo, idade e cidade em que mora?

R/ João C. Tavares, 74, S. Luís – Maranhão

2 – É casado há quanto tempo? Tem filhos? Quantos e qual é a idade deles?

R/ Casei em 1979. Sim. Duas filhas e uma neta: 30, 31, 8.

3 – Antes de se casar, o senhor atuava como padre católico? Deixou a função de sacerdote por causa do amor à sua esposa? Ou a igreja o afastou por alguma razão?

R/ Sim, trabalhei como padre durante 11 anos. Não deixei por causa da minha esposa. A Igreja também não me afastou. Fui eu que, a um certo momento, decidi me afastar. Com muita pena, pois eu gostava muito da minha condição sacerdotal e do meu trabalho de padre. Nunca tive dúvidas sobre a minha vocação e sempre procurei ser um padre correto. Apesar das dificuldades, fui feliz no meu ministério, nas comunidades eclesiais de base (CEBs) da diocese de Balsas, no sul do do Sertão Maranhense.

Deixei porque me faltou chão firme na Congregação a que eu pertencia. Vivi no sul do Maranhão, em circunstâncias muito difíceis, sem energia elétrica, sem estradas, sem telefone. Mas o pior era que a vida na comunidade religiosa deixava muito a desejar. Devido à  falta de verdadeira comunhão fraterna com os colegas, pouco a pouco, foi aparecendo a solidão intelectual, espiritual e simplesmente humana. Num ambiente difícil daqueles, só uma verdadeira fraternidade pode ajudar a aguentar. Não culpo ninguém: foi acontecendo.

Aconteceu também que, durante cerca de cinco anos, fui o único padre jovem com formação teológica baseada no espírito do Concílio Vaticano II:

a minha era a Teologia aberta, cheia de perguntas; a de meus colegas, pela idade e formação deles, era a Teologia fechada, cheia de certezas e de respostas para tudo.

4 – O senhor atuou como padre na igreja católica por quanto tempo? Nesse período, o senhor chegou a namorar escondido? Se sim, quanto tempo durou esse relacionamento? Como se sentia?

Como disse acima, fiquei no ministério sacerdotal por 11 anos. Sempre fui muito aberto e explícito nas minhas amizades, sempre cultivei boas amizades masculinas e femininas, algumas bastante fortes e duradouras, mas não namorei escondido: eu sempre quis ser um homem e um padre inteiro.

Depois que entrei em séria crise com o meu grupo e, contra minha vontade, fui enviado para a Europa, então comecei relacionamentos humanos mais profundos, já com certa abertura para a possibilidade, ainda remota, do casamento.

Mas sem ainda nada definido, pois eu queria dar passos seguros: não foi à toa que me preparei durante 15 anos para ser padre e vivi onze anos no ministério. Isso me marcou profundamente e não podia deixar tudo isso de ânimo leve: era metade de uma vida.

Foram tempos de muita e séria busca e de bastante angústia.

Posso resumir dizendo que não deixei o ministério por causa de sexo ou por paixão por uma mulher. Mas, já que vivia essas dificuldades enumeradas acima, procurei ir olhando possíveis alternativas dignas e válidas até que, a um certo momento, pensei na possibilidade positiva de deixar o ministério e casar. Na certeza básica que de que, antes de ser um padre, eu era um cristão e um homem. Desses três grandes valores, ser padre era o menos importante. Cristão era o segundo. Homem era o primeiro.  

E se não estava na condição de poder continuar padre sem prejudicar a minha fé e a minha humanidade, vivendo por exemplo, uma vida dupla, como tantos, ou ficando neurótico e desequilibrado psicologicamente, como tantos outros, eu preferi perder o exercício do ministério e resguardar minha fé e minha humanidade.

Infelizmente conheci bispos, padres e freiras que já pouco tinham de humanos, farrapos de humanidade. Eu não queria isso para mim. Mas, confesso, também conheço bispos, padres e freiras bem realizados, autênticos e felizes.

5 – É comum que padres tenham namoros ou relacionamentos sexuais? Isso acontece? O senhor soube de histórias de colegas sacerdotes que mantinham relacionamentos?

R/ Os meus colegas, na imensa maioria, eram homens sérios. Também em Portugal, onde passei a minha juventude e, depois na Itália, durante a Teologia, conheci muitos padres correto e sérios: a grande maioria.

Claro, conheci também alguns poucos casos de colegas que fraquejaram nesse ponto. De há uns 30 anos para cá, infelizmente tenho tido muitas notícias de padres homossexuais. Inclusive de formadores de seminário e alguns bispos. E me espanto com o número e a porcentagem deles. E com a naturalidade com que isso vem acontecendo. Quase que na certeza (deles) de que o voto de castidade é só pára os heterossexuais.       

6 – Qual é a sua visão sobre a imposição do celibato pela igreja católica aos seus sacerdotes? O celibato se aplica aos dias de hoje? É uma condição essencial para o trabalho de padre? Ou seja: faz sentido manter o celibato?

 Respondo por partes:

     6.1 – Pessoalmente sou a favor do celibato opcional. É um carisma e, com tal, não tem sentido ser imposto por uma lei. Muitos podem ter vocação sacerdotal, mas não ter vocação celibatária. Infelizmente a Hierarquia, por vários motivos nem sempre sérios, santos e bem fundamentados bíblica, teológica, psicológica, sociológica a antropologicamente, fez do celibato obrigatório uma condição indispensável para ser padre. 

 Muitos jovens, querendo ser padres, aceitaram essa condição ao longo de séculos. Não por amor ao celibato, como um valor em si, mas porque, sem isso, não seriam ordenados padres. E muitos não conseguiram ser fieis à promessa, ao voto de castidade. 

É possível ser um padre casto, correto? Penso que sim, mas com muita dificuldade: é uma violência contra natureza humana, que Deus fez sexuada, e leva a pessoa, por mais boa vontade que tenha, a viver num eterno desequilíbrio… ou num equilíbrio sempre crítico.

Equilíbrio que, teoricamente, pode ser conseguido com

  • uma sólida vida de oração,
  • dedicação intensa e positiva ao minsistério,
  • boas e sadias amizades
  • e, para os religiosos, de Ordens e Congregações, com uma bem vivida vida comunitária. 

Mas que não é nada fácil. E, na prática secular da Igreja católica, isso tem criado muitos e graves problemas, inclusive a onda de pedofilia clerical e religiosa (conventos e escolas católicas) que tem vindo à tona nos últimos 20 anos, sistematicamente acobertada por Roma e pelos bispos diocesanos até há bem pouco tempo…     

6.2 – O celibato ainda se aplica, no sentido que a lei ainda não mudou. Mas está sendo muito e abertamente discutida, coisa até há pouco proibida na hierarquia eclesiástica. Paulo VI, por exemplo, apesar da vontade explícita de bastantes bispos, sobretudo da América Latina, proibiu a discussão do celibato eclesiástico no Concílio Vaticano II. João Paulo II e Bento XVI, continuaram na mesma linha, de medo de enfrentar a realidade ululante da crise do celibato obrigatório na Igreja.

Mas o problema existia e era amplo e grave. Tanto assim que, após o Concílio Vaticano II, cerca de 150.000 padres (um terço do total), deixaram o ministério sacerdotal e casaram. Só no Brasil, cerca de 7.000. Roma e os Bispos faziam que não viam, como se nós não existíssemos. E, salvo boas e raras exceções, ainda continua assim. Pois a realidade é inelutável.

Felizmente, com o papa Francisco, esse não é mais um assunto tabu e novos tempo se esperam. Os padres casados são em geral, pessoas sérias, bem preparadas e muitos estariam dispostos a ajudar muito a Igreja Povo de Deus se o papa e os bispos se abrirem para essa possibilidade.

     6.3 – Se faz sentido manter o celibato?

Sim, se for opcional, não indispensável para poder ser ordenado padre. Deveria haver escolha livre: padres que optam por não casar e padres que optam por casar, como nas Igrejas orientais, ortodoxas e católicas. O padre solteiro, celibatário, teoricamente, tem mais tempo para se dedicar integralmente ao trabalho ministerial. O casado teria menos tempo. 

Mas isto,Teoricamente, porque, na prática, pode ser diferente: por que é que tantos padres novos são professores, psicólogos, políticos? Isso é doação total ao Reino de Deus?  

Mas ambos, tanto o casado como o celibatário, podem fazer um bom trabalho no meio do Povo de Deus.

Os pastores de outras igrejas, casados, não fazem bem o seu trabalho? (estou falando de pastores de Igrejas sérias, não dos que fazem da religião e do dízimo um vergonhoso comércio, tipo igreja universal e outras com fundadores já milionários e bilionários…)

7 – Como fica a sexualidade dos padres? Essa função comum a todos os indivíduos fica completamente sublimada? É possível reprimir a sexualidade completamente e viver bem em nome da igreja?

R/ Em sentido individual, como cada padre lida com sua sexualidade? Grosso modo e resumidamente, o problema sempre vai existir, pois os padres não são castrados. E, se forem bem formados e sérios, como homens, vão ter de aprender a viver com sua sexualidade e suas pulsões, de maneira responsável, pastoralmente produtiva e pessoalmente integradora da sua personalidade. 

Possível? Sim! Fácil? Não! Exige um conjunto de condições bem difíceis de equilibrar: boa formação de valores humanos, disciplina do corpo e da mente, sólida espiritualidade, ambiente positivo de convivência, realização pastoral e humana em geral. 

Sublimar, a meu ver, não resolve. Reprimir, também não. Precisa é fazer uma boa síntese de valores humanos e cristãos, sempre num bom equilíbrio, ter uma sólida vida de fé e oração, e cultivar a fraternidade entre os padres e sadias amizades com os leigos.

8 – O senhor ainda se considera padre? Exerce algum trabalho como padre?

R/ Sim, ainda me considero padre; fui ordenado, marcado por dentro, e não fui destituído do sacramento da Ordem. Portanto sou padre. Só não exerço, pois, ao pedir para ser dispensado das obrigações assumidas na Ordenação,  me foi tirado (sem eu o ter pedido) o exercício comum da Ordem. Exceto em alguns casos em que posso e até devo exercê-lo, segundo o Código de Direito Canônico, a Teologia e a minha consciência.

9 – O senhor acredita que é possível coordenar as funções de padre, marido e pai? Por bastante tempo a igreja defendeu que um homem a serviço de Deus não poderia ter uma família, que isso o distrairia de sua principal missão. O senhor discorda dessa premissa? Por que?

R/ De novo, respondo por partes:

9.1 –  Acho, sim, que é possivel. Já falei disso acima. Por um lado, com mais dificuldade: menos tempo. Por outro, com muito mais experiência e riqueza de valores humanos: esposo e pai. Com muito mais equilíbrio e realização sexual e emocional. 

9.2 – Discordo sim da premissa de que a Família distrairia da principal missão. Porque a primeira missão do padre é ser um homem integral: marido de uma só mulher, bom educador dos seus filhos e bom organizador da sua casa, com diz S. Paulo.

E com muito mais realismo e concretude, coisas que tanto faltam em tantos padres celibatários. Além de tudo, temos o exemplo de tantos bispos e padres “protestante” casados, bem como padres ortodoxos e católicos da Europa oriental e do Médio Oriente, que fazem muito bem o seu trabalho pastoral e que, inclusive, resolvem bem os seus problemas financeiros.

Mas o grande problema subjacente ao celibato na Igreja católica, pouco estudado e pouco falado, é que a Hierarquia sempre achou e, em boa parte, ainda acha, que é muito mais fácil comandar um “exército” de celibatários do que comandar padres que também têm obrigações familiares e uma esposa e filhos com quem precisam acertare dividir a sua vida.

Trata-se do grande problema do PODER dentro da Igreja. E também da prática da “manipulação” de pessoas: sempre dispostas a irem para onde o bispo enviar. Muito mais do que de problema econômico: real, sim, mas menos importante, de “que a família herdaria os bens da Igreja”. Isso é uma piada. Uma coisa são os bens da Igreja, outra coisa são os bens pessoais e familiares do eventual bispo ou padre casado.

Clero casado, como já acontece nas Igrejas chamadas “protestantes”, limita o poder dos bispos. E tende a uma gestão sinodal, mais democrática da Igreja. É isso que Roma não quer perder: o PODER absoluto e centralizado do Papa e da Cúria Romana e, nas dioceses, dos bispos sobre o seu clero e doi clero sobre os leigos.

10 – Qual é o objetivo principal do Movimento Nacional das Famílias dos Padres Casados? Acrescente o que julgar relevante caso eu tenha deixado de perguntar.

Como diz o artigo 2° do nosso Estatuto:

Art. 2º – São objetivos de Associação Rumos:

I. Ser o suporte jurídico e financeiro do Movimento de Padres Casados e suas Famílias;
II. Promover a mútua ajuda entre os associados, contribuindo para a sua realização pessoal, familiar, profissional e religiosa;
III. Promover o diálogo com Instituições , Organismos Religiosos e Sociais;
IV.Promover ações para a construção de uma sociedade justa e fraterna.

Relevante é a abertura, ainda incipiente, mas real, à discussão do celibato obrigatório, que começa a se manifestar com o papa Francisco e termos notícias de que ele está atento a esta periferia da Igreja que somos nós, cerca de 150.000 padres casados espalhados por todos os continentes, quando há tantos cristãos sem assistência religiosa. 

Relevante é também a imprensa estar bastante atenta a esta  problemática.

Vários grupos nacionais têm escrito cartas ao papa Francisco neste sentido: sabemos que estamos na agenda dele. Que o Espírito Santo continue a inspirá-lo e ele, com os bispos do mundo inteiro,  possa encontrar boas soluções, inclusive para esta problemática dos padres casados no mundo de hoje.

 

João Tavares

do Setor de Comunicação do MFPC

e  Vice-Presidente da Federação Latino-Americana para a Renovação dos Ministérios

 

Respostas de 12

  1. João Tavares, boa tarde! Parabéns pela excelente entrevista. Gostaria que os padres casados levantassem sempre essa bandeira do celibato opcional com coragem, lucidez, sem agressividade, como você faz nesta entrevista. Se acontecer isso, os padres casados exerceriam sua função profética e então, quem sabe a Igreja católica perderia o medo de ouvir a voz do Espírito e creria que o celibato seria vivido como dom e não como imposição ao lado do dom do mesmo Espírito dos padres casados …Com carinho pe Henrique

  2. Muito boa a entrevista.
    Li do começo ao fim.
    Eu, depois de 32 anos de Ministério Sacerdotal, estou me decidindo a entrar para os Padres Casados.
    Além de padre, sou jornalista; eu poderia colaborar em algo no RUMOS?

    Pe. Máikol
    _________________________________

    Resposta: Pe. Maikol, claro que você pode colaborar com o Jornal RUMOS? Gilberto, o Diretor/Editos vai ficar muito feliz – JT

  3. Obrigado, João Tavares, pela remessa de sua entrevista.
    O celibato eclesiástico sempre foi um pomo de discórdia,na Igreja. Na história eclesiástica está patente a problemática do celibato.
    Por exemplo, no tempo do Papa Gregório VII, a batalha pelos fundamentos da supremacia papal tem o seu apogeu na obrigatoriedade do celibato do clero e no ataque à simonia. Gregório VII não introduziu o celibato mas conduziu a batalha por tal com maior energia do que os seus antecessores.
    Em 1074 publicou uma encíclica dispensando da obediência aos bispos que permitiam o casamento dos sacerdotes. No ano seguinte, sob fortes protestos e resistência, encoraja medidas contra estes, privando-os dos rendimentos. Se naquele tempo tivesse havido um entendimento equilibrado da questão, talvez hoje a posição da Igreja seria diferente. Durante os estudos teológicos, tive um professor de Teologia Dogmática, formado na Gregoriano, o qual escreveu sua tese sobre a vida dupla que inúmeros padres levaram. A tese foi para o índice dos livros proibidos.
    Um grande abraço e vivam as festas de S. João.
    Ubiratan.

  4. Parabéns pela sua fidelidade e franqueza nas respostas.
    Assunção Raynaud

  5. Prezado Pe. Tavares,

    Parabéns por essa entrevista e por todo o trabalho que vem realizando há anos pelo Povo de Deus, mediante a sua atuação em nosso movimento de padres casados. Saúde, paz interior e muito apoio exterior, é o que lhe desejo.

    Abraço amigo do

    Pe. Aldo Vannucchi (Sorocaba SP)

  6. Cunhado, usando a expressão do momento “”VOCE ME REPRESENTA”‘,
    Parabéns, muito certinho, objetivo, com muita clareza e segurança, disse o que precisa ser repetido.
    Beijo, João e Sofia

  7. BOM DIA, JOÃO E SOFIA! MUITO BOA SUAS RESPOSTAS DESSA ENTREVISTA. TUDO BEM COM VOCÊS? AQUI EM VARGINHA ESTOU BEM . MEU ABRAÇO!

  8. João Tavares,

    Parabéns pelas respostas.
    Destaco importância para a frase: “Exceto em alguns casos em que posso e até devo exercê-lo, segundo o Código de Direito Canônico, a Teologia e a minha consciência.”

    Eu hoje como funcionário público e como arquiteto atuo na sociedade civil procurando fazer o meu melhor.
    De acordo com minha consciência (como você mesmo disse) celebro casamentos fora da Igreja para diversos casais aqui em BH. Celebro com a mesma fé que celebrava quando padre.
    Os Padres Casados vivem numa prisão construida para si próprios, procurando seguir o CDC enquanto os bispos agem na conveniência da lei eclesial.
    Desculpe minhas críticas aos Padres Casados, mas acredito que o Movimento deveria ser mais profético!

  9. Muito boa entrevista (exageradamente ortodoxa e reta), mas falta uma coisa: falar de padres casados que estão em pleno exercício do ministério sacerdotal e por que o fazem. Existem padres celibatários que estão exercendo vida dupla, namoram, têm mulheres ou homens ou os dois. Existem padres casados, amigados, amancebados, em união estável … (já afastados da Igreja), mas exercendo plenamente o ministério sacerdotal. Falta uma entrevista que contemple essa situação, faltam dados concretos, quantos são? qual a reação do povo? quem lucra com isso? quais prejuizos (se houver).
    Grande Abraço,

    Caetano.

  10. Parabéns, Caríssimo irmão, Padre João Tavares! Como sempre usou de boa argumentação, a qual deixa transparecer vossa grande capacidade de bem representar o MFPC: sempre centrado, tomista e inteligente.

    No entanto, faltou dizer que no Brasil temos iniciativas de padres casados que estão ativamente em pleno exercício presbiteral, os quais deveriam ser citados, para melhor expandir aos leigos (e interessados) a ideia de um padre casados, que cuida da família e da Igreja, com a maestria peculiar de um sacerdote digno desse sacramento da Ordem. Como bem disseram os padres Caetano Sousa e André Grandi, nos respetivos comentários.

    Dom Salomão Feraz foi o primeiro padre e bispo católico, apostólico romano, casado, aceito pelo Papa João XXIII e conformado pelo Papa Paulo VI (Cf. detalhes em REB 1960). Dom Salomão participou ativamente do Concílio Vaticano II e suas teses e intervenções no concílio foram sobre a Missa em língua Vernácula e o celibato facultativo, registradas em Atas e transcritas pela Revista Eclesiástica Brasileira (REB 1960).

    Nesta linha de sucessão, após o concílio e nomeação de dom Salomão FERRAZ como bispo auxiliar de São Paulo, a Venerável ordem Católica de Santo André Apóstolo, mantem padres solteiros e casados no Brasil e exterior. Cardeal MOTTA, Dom Salomão FERRAZ, dom Costa NEVES, dom Ulysses Moreira ARAUJO – atual superior, e 06 padres em São Paulo, Capital, cujo Vigário Geral Pe. Geraldo, e iniciativas missionárias na região Nordeste do Brasil, Rio de janeiro, Goiás e Espirito Santo.

    Na Argentina (uma Capela), Chile (uma capela) e Itália (dois padres). Nas paróquias atendidas pelos padres da Ordem, todos os fiéis sabem que o padre é casado e não veem problemas nisso, ao contrário, defendem o padre casado conforme o preceito bíblico.
    A sede da congregação fica na Zona Leste de São Paulo, Vila Clara, Rua Elias Monteiro Cardoso, 120.
    Confraternalmente,
    Pe. Geraldo, OSA.

  11. Ola caros colegas e principalmente Pe. João concordo plenamente com todas as opiniões e penso que esta entrevista seja de grande valia para uma maior compreensão do povo em relação ao celibato opcional. Vejo que assim como a história avança no tempo e no espaço a Igreja também em sua história deve avançar. Na atual conjuntura de mundo não da mais para viver como celibatário como bem disse o próprio Pe. João é uma questão de ordem natural somos seres sexuados e Deus nos criou como seres relacionais, isto é, para se relacionar de forma madura e consciente com uma mulher, por isso o meu parecer seja favorável ao celibato opcional pois não é um dogma de fé e sim um carisma que foi colocado dentro da institucionalização da Igreja. Dessa forma, da muito bem para conciliar as duas coisas com maestria, a saber, o governo da Igreja e o bem estar familiar.

  12. Jesus deixou claro a sua aprovação e recomendação ao celibato para os sacerdotes, quando disse: “Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda.” (Mateus 19,12)

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