O cardeal de Berlim, Rainer Maria Woelki (foto), disse numa importante conferência católica na Alemanha, oKatholikentag que os relacionamentos de pessoas do mesmo sexo devem ser tratados de forma igual aos dos casais heterossexuais.A análise é de Francis DeBernardo, publicada no sítio daNew Ways Ministry, 20-05-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Um artigo publicado no sítio The Local, uma agência de notícias em inglês da Alemanha, noticia:
“Ele disse a uma multidão na quinta-feira, 17, que a Igreja deveria ver, a longo prazo, as relações homossexuais fiéis assim como fazem com as heterossexuais. ‘Quando dois homossexuais assumem a responsabilidade um pelo outro, se eles se relacionam uns com os outros de uma forma fiel e a longo prazo, então você tem que ver isso da mesma forma como as relações heterossexuais’, disse Woelki a uma multidão estupefata, de acordo com uma notícia do jornal Tagesspiegel.
“Woekli reconheceu que a Igreja vê o relacionamento entre um homem e uma mulher como base para a criação, mas acrescentou que é hora de pensar mais sobre a atitude da Igreja com respeito às relações do mesmo sexo”.
Falando na 98º Katholikentag, uma conferência que reuniu 60 mil católicos em Mannheim, Woelki se juntou a um crescente coro de vozes episcopais que estão clamando por uma mudança na recusa tradicionalmente absolutista da hierarquia a reconhecer a bondade moral das relações lésbicas e gays.
Em dezembro passado, o arcebispo Vincent Nichols, de Londres, ganhou as manchetes ao apoiar as uniões civis para casais de lésbicas e gays no Reino Unido. Naquele mesmo mês, o padre Frank Brennan, jesuíta estudioso de Direito na Austrália, também pediu o reconhecimento similar para os relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo. Em janeiro, Dom Paolo Urso, bispo de Ragusa, Itália, também pediu o reconhecimento das uniões civis em seu país.
O mês de março de 2012 assistiu a uma explosão de questionamentos de prelados à proibição da hierarquia acerca da igualdade do casamento. No 7º Simpósio Nacional da New Ways Ministry, Dom Geoffrey Robinson, bispo australiano, pediu um total re-exame da ética sexual católica para permitir, dentre outras coisas, a aprovação moral dos relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo. A diocese de Manchester, em New Hampshire, apoiou um projeto de lei que legaliza as uniões civis (embora como uma medida paliativa para evitar a igualdade do casamento).
Dom Richard Malone, bispo de Portland, Maine, anunciou que a diocese não assumiria um papel ativo na oposição do próximo referendo do Estado sobre a igualdade do casamento, como havia feito em 2009. Na Itália, o cardeal Carlo Maria Martini, de Milão, afirmou em seu livro Credere e Conoscere (Crer e conhecer), que “eu não compartilho as posições daqueles que, na Igreja, criticam as uniões civis”.
Embora a oposição à igualdade do casamento por parte da hierarquia, especialmente nos EUA, ainda seja grande e forte, é significativo que essas recentes declarações estejam todas desenvolvendo um tema similar de ao menos algum reconhecimento do valor intrínseco das relações lésbicas e gays, assim como da necessidade de proteção civil a elas. Que essa tendência continue e cresça.
Respostas de 9
Caros amigos, por favor esclareçam-me este dilema:
O Que nós cristãos faremos então com todos os textos bíblicos que reprovam o homossexualismo e o lesbianismo ? …vamos simplesmente rasgá-los das nossas bíblias ? …estava e está o Senhor Deus equivocado, quando falou estas proibições…?
Por favor algum irmão responda-me e ajude-me neste “meu dilema”.
Amigo, seu comentário encaminhei ao João Tavares, para que ele lhe responda.
Abraço
Giba
Comentário:
Caros amigos, por favor esclareçam-me este dilema:
O Que nós cristãos faremos então com todos os textos bíblicos que reprovam
o homossexualismo e o lesbianismo ? …vamos simplesmente rasgá-los das
nossas bíblias ? …estava e está o Senhor Deus equivocado, quando falou
estas proibições…?
Por favor algum irmão responda-me e ajude-me neste “meu dilema”.
Ok Giba.
Muito obrigado.
Campos de Sousa,
Já que o Giba insiste, aí vai uma pequena resposta, sem pretensão alguma de ser completa. Mais q
Aprovar a homossexualidade é uma coisa. Respeitar e amar os homossexuais como pessoas que também são cidadãs e filhas de Deus é outra coisa.O mesmo se diga dos divorciados que casaram de novo…
O divórcio não é um bem… Não o desejamos para ninguém. Mas acontece, por mil motivos diferentes. Vamos ter a coragem de dizer que divorciados não são filhos de Deus e não merecem o amor e a solicitude do Igreja? Ou que estão fora da Igreja?
Jesus também não amava a vida desregrada da samaritana, mas conversou com ela tranquilamente e fez dela uma difusora da Boa Nova.
Somente alguns pensamentos soltos sobre o tema:
Eu acho que ninguém escolhe ser homossexual. Quem é que vai querer uma vida difícil, ser perseguido, ser desprezado?
Mas se isso não é uma escolha, então devemos pensar que Deus os fez assim. E que são filhos de Deus como os heterossexuais. Então eles não podem amar?
Tanto entre os homo- como entre os heterossexuais há gente safada, que somente quer viver o seu instinto, muitas vezes bestial (pensemos em estupros de mulheres cometidos por heteros), só pensam em paixão e sexo.
Mas tanto entre uns e outros há gente decente, a maioria, espero. Muitas vezes me lembro de uma ex-freira, lésbica, que disse: “O Papa somente pensa no que fazemos na cama. Não pensa no nosso dia a dia de dedicação, enriquecimento e aprofundamento espiritual.
Numa união hetero o mais importante também é o amor, convívio, a amizade, a dedicação, especialmente quando o primeiro fogo do sexo se vai apagando.
Se olhamos o texto do Antigo Testamento, Genesis 19, sobre Sodoma e Gomorra, texto que deu o nome de sodomia a atos homossexuais e que é quase sempre citado nos textos do Novo Testamento quando se trata de atos homossexuais, este ato homosexual era simplesmente assalto bestial, era vontade de estupro, desta vez de homens para homens.
Não tinha nada a ver com amor, dedicação etc. Então como se aplica o texto a um convívio dedicado entre dois homens, ou duas mulheres?
Mas há um outro aspecto: nós temos que ler a Biblia no seu contexto histórico. Se a tomamos ao pé da letra, então devemos agir como Lot em Gen 19,8: oferecer as nossas filhas virgens para os homens “para que eles façam o que queiram com elas”??
Se queremos viver tudo que “está escrito” os nossos maridos poderiam todos ter um harem como Salomão?
Ou pegamos em São Paulo, que escreve várias vezes contra atos homosexuais (não contra amor e dedicação homosexual).
Ele também diz em 1 Cor 11, 2-6 que as mulheres que rezam sem véu, devem ter a cabeça raspada, ou,
em 1 Cor 14,34, que as mulheres se calem na igreja. Nós observamos isto hoje?
Ilustre Pe. João Tavares, muito obrigado pela insistência do Giba.
Peço imensa desculpa mas, não consigo apreender a similaridade de condições sexuais, entre homossexuais e divorciados. Não a vejo.
Concordo plenamente que o amor é devido a todos, independentemente de raça, cor, religião e opção sexual…, daí a corroborar as opções seculares do estado, no que diz respeito às uniões do mesmo sexo…há uma distância teológica/eclesiástica que penso, não deve ser ignorada.
O Evangelho que preconiza o amor a todos, sem distinção, é o mesmo que diz-nos para não nos amoldar-nos à forma de vida mundana, para não amarmos as coisas do mundo…Posso amar um homossexual mas sem negar minhas convicções emanadas do Evangelho.
Cumprimentos,
Campos de Sousa
Oi Irene, que apressadinha… rrrrrr
Estamos em 2 a cuidar do site, mas só eu – por enquanto – controlo os comentários.
Esta manhã li seu comentário, muito objetivo e interessante.
Mas só agora de noite disponho de tempo para aprovar ou rejeitar comentários, e responder aos que acho conveniente.
Agradeço os muitos comentários seus, prova que diariamente visita nosso site. Parabéns!
Giba
Olá Irene, saudações.
Os teus “pensamentos soltos” foram bem afixados, pela tua boa escrita – com peso, conta e “medida”.
Sabes, foi exatamente esta decisão de relativizar o texto das Escrituras, que levou o catolicismo onde ele está hoje. Jesus sempre preconizou que toda a Escritura deve ser observada, e não só aquelas porções que me agradam, ou, que se encaixam, com minha maneira pessoal e particular de ser, e estar no mundo.
Quando interpretamos a Bíblia no seu contexto histórico, percebemos que Jesus não recomendou que cada homem tivesse seu harém de mulheres, mas sim, uma só esposa.
Quero só sugerir que pesquises um pouco sobre o tema de: princípios esternos da palavra de Deus. Nesta pesquisa descobre-se que,Deus nunca age de forma diferente,ao que Ele próprio determinou na sua palavra…por isso Jesus declarou: “não vim ab-rogar mas cumprir” e: “aí daquele que retirar ou acrescentar alguma palavra desta profecia”.
Contudo -está escrito- que nos últimos tempos haveria uma apostasia da fé e da sã doutrina. Isto está a acontecer em nossos dias: “igrejas” de gays; “igrejas” de lésbicas; “igrejas” de nudismo(todos estão nus na reunião); “igrejas” de traficantes de droga, de ladrões e de assassinos(nos morros do Rio).
Se está escrito, será cumprido…”não cairá nem um jota ou um til…”.
No amor de Cristo.
Ola Irene, só uma correção:
Cometi um erro de digitação no meu comentário anterior, onde se Lê:”princípios esternos” LEIA-SE: princípios eternos”.