“As denúncias da teóloga congolesa durante o seminário internacional organizado pelo “L’Osservatore Romano” no Vaticano com o título de: “A Igreja diante da condição das mulheres de hoje”
“A religiosa virtuosa era e é incensada como eixo entre mundo visível e invisível, mas tudo isso desemboca num serviço doméstico e social …
A situação agora é ainda pior devido ao aumento de pequenas fundações diocesanas, criadas por bispos e padres africanos, sem carisma e espiritualidade especiais: só para ter mulheres a seu serviço “.
Por Gian Guido Vecchi – 30 de maio de 2015
Irmã Rita Mboshu Kongo, teóloga congolesa, conseguiu o bacharelado e o doutorado em Teologia em Roma, ao mesmo tempo que em que era a cozinheirado Colégio Capranica, o mais prestigioso seminário da capital.
Hoje leciona na Universidade Urbaniana e colabora com “ Mulheres, igreja, mundo”, caderno mensal do jornal “L’Osservatore Romano”: foi extamente este caderno, coordenado pela jornalista e historiadora Lucetta Scaraffia, que reuniu ontem no Vaticano um seminário internacional sobre “A Igreja diante da condição das mulheres hoje “, que terminará amanhã com a missa celebrada pelo Secretário de Estado Pietro Parolin.
Irmã Rita vai falar hoje na Casina Pio IV [sede da Pontifícia Academia das Ciências e da Pontifícia Academia das Ciências Sociais], abordando um tema central: as mulheres reduzidas a empregadas na Igreja, à submissão. O papa Francisco é quem repetidamente tem dito que
“é preciso ampliar os espaços para uma presença mais forte das mulheres” e que as mulheres “estão fazendo perguntas profundas que precisam ser enfrentadas”.
Irmã Rita, na sua exposição, traça a “crise de identidade das religiosas africanas”. Na África, em comparação com 35.000 sacerdotes e 3.500 missionários, as irmãs são mais de 60.000.
No entanto,
“a Igreja nunca se empenhou muito na sua formação”. Só o bastante para ensinar as crianças. De resto as valentes irmãs “cozinham bem por amor a Jesus, limpam, remendam, cuidam dos bispos e dos padres idosos …”. Mas não têm voz alguma em capítulo, as decisões “sempre já foram tomadas por outros”.
Quando os bispos e sacerdotes “terminam o mandato ou morrem”, as irmãs usadas como serviçais ou prestadoras de cuidados ficam “abandonadas a si mesmas”, diz a irmã Rita.
“Algumas vezes elas vêm para a Europa como missionárias nas dioceses“, mas “faltam projetos” e acontece que “acabem nas ruas, tornando-se pessoas sem morada fixa”.
Fala-se sem reticências, no encontro no Vaticano. Família, identidade feminina, violências. Em muitos lugares da Terra, a Igreja representa para meninas e mulheres, “a única rede de proteção e salvação”, contra abusos e estupros.
Mas também ocorrem violências sexuais cometidas por sacerdotes contra as religiosas.Irmã Rita retoma a denúncia de Lucetta Scaraffia no livro ‘Papa Francesco e as mulheres’, escrito junto com Giulia Galeotti: as irmãs consideradas mais “seguras” onde a Aids é pandêmica, sacerdotes que se valem da sua “autoridade”, para exigir favores sexuais.
Que futuro têm as religiosas? Irmã Rita conclui: “Nós só queremos ser respeitadas e dispor dos instrumentos para decidir epensar”. A sua Congregação presta serviços de cozinha no Capranica desde 1978. Ela contou no caderno mensal do Osservatore” como era a sua relação de “confronto e apoio mútuo” com os outros doutorandos.
Com uma diferença – observa Scaraffia: “Ela cozinhava para jovens seminaristas e sacerdotes que estavam seguindo uma trajetória de estudo semelhante à sua, mas eles dispunham de todo o seu tempo para o estudo”.
Tradução de Orlando F. de Almeida (Goiânia)
FONTE: http://27esimaora.corriere.it/articolo/suor-rita-mboshu-kongoquelle-suore-usate-come-serve-badanti/
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