
Nos dias 4 a 7 de maio de 2015 aconteceu o Congresso Estadual de Teologia, em Santo Ângelo – RS. Este evento é uma Iniciativa dos Institutos de Teologia do Rio Grande do Sul. O Congresso tem como objetivo aproximar e integrar os estudantes e os docentes dos Institutos Teológicos de diferentes denominações religiosas por meio do estudo e do diálogo sobre temas relevantes e atuais, e da socialização de pesquisas.
O tema do congresso foi: “o fazer teológico e os Direitos Humanos em diálogo com outras vozes”. O encontro foi sediado na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI). O evento é realizado no intervalo de dois anos, pelos Institutos de Teologia do Rio Grande do Sul.
A convergência deu-se na perspectiva de uma reflexão e aproximação entre Teologia e Direitos Humanos. Nestes aspectos, dadas às vozes, lançaram-se os clamores que brotam do chão da vida em sociedade. As provocações foram as mais diversas, desde olhares e experiências, que se entrelaçam nas caminhadas históricas entre Teologia e os Direitos Humanos. Além de temas inseridos em Direitos Humanos e Teologia, Liberdade de Expressão, Pluralismo Religioso, Fundamentalismo, e outras transversalmente, realidades sociais como barragens, discussões de gênero, homossexualidade e outras.
Estamos certos de que a relação entre o fazer teológico e os Direitos Humanos não se restringe somente à esfera da espécie, mas a questões interconectadas com outros seres vivos e à ecologia. A complexidade deste tema trouxe à Teologia conexões para se pensar paradigmas religiosos e sociais.
Segue abaixo, alguns achados e provocações do Congresso Estadual de Teologia:
- Direitos Humanos são conquistas fechadas ou horizontais?

- A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi elaborada em favor de alguém. (Sujeito)?
- A Teologia precisa mudar (abertura ao que originalmente não foi pensado);
- A dimensão de um credo ético nas igrejas ou religião(ões), comprometer-se a realizar;
- A(s) história(s) da(s) religiões(ão) demonstra a busca por garantias de Direitos que legitimem a dignidade humana;
- Os Direitos Humanos têm a ver com a dignidade humana, isso reflete defender aqueles(as) que estão ameaçados em sua integridade;
- Quais os direitos hoje estão em voga: humanos ou privados, da pessoa ou do consumidor;
- Teologias e Direitos Humanos: resgatar a Teologia Profética e Crítica(auto crítica), começar pelos próprios muros;
- É urgente a necessidade de se dialogar com outras vozes diferentes e com os Direitos Indígenas;
- O(s) fundamentalismo(s) (religiosos, ideológicos e políticos) se colocam como uma ameaça aos Direitos Humanos;
- Pensar em outras Teologias e as suas interlocuções;
- Direitos Humanos como abertura para o diálogo com outras vozes diferentes, compromisso com o cuidado e a promoção da vida.
Em tempos que se tenta firmar os Direitos Humanos, a busca pelo reconhecimento de avanços, em que o retrocesso seja a marca do anonimato dos silenciados pelo poder dominante e das grandes mídias.
Outro ponto culminante salienta a participação majoritária de jovens como protagonistas em apresentações e no andamento do congresso.
Em última análise, este congresso deixa o legado de apontar inúmeros desafios e a missão de se buscar o diálogo com outras vozes. Os Direitos Humanos são pressupostos que devem permear os caminhos possíveis para a solução das adversidades da complexidade das sociedades humanas e sua relação com a religião.
No Brasil, o panorama da formação histórico-étnica-religiosa requer, antes de qualquer pretensão, confrontação com visões ideológicas e fundamentalistas no novo paradoxo da hipermodernidade (Lipovetsky). Culturas diferentes e contexto de globalização, quebra da territorialidade, ciberespaço. O diferente é uma realidade inevitável de reconhecimento e compromisso com o ecumenismo e o diálogo inter-religioso.
A(s) Religião(ões) como contra ponto ao poder vigente pode ser uma esperança de voz aos últimos, emudecidos, os excluídos e marginalizados. Oxalá, que as vozes daqueles(as) que não são tidos em suas dignidade(s), sejam respeitados e escutados. E que o diálogo abra novos tempos, lugares e espaços de liberdade e convivência com o diferente.
*Samuel Sampaio Castro – Adital
Graduando em Teologia, professor e assessor de movimentos.
Fonte: http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=84985
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