Ordenação das mulheres? “Não, não está entre as questões reformáveis

Na Igreja católica a ordenação das mulheres e muito menos a consagração das mulheres como bispo não é possível. Di-lo com clareza Stella Morra vice-residente das teologias italianas e docente na Pontifícia universidade Gregoriana e no Pontifício ateneu Santo Anselmo: “Não está entre as questões reformáveis”.

 A entrevista é de Alberto Bobbio, publicada por Famiglia Cristiana, 28-01-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

 

 

Eis a entrevista.

 

 

Por quê?

É excluído pela Carta apostólica de João Paulo II, Ordinatio sacerdotalis, de 22 de maio de 1994 sobre a ordenação sacerdotal reservada somente aos homens. Aqui encontramos expostas de maneira precisa e exaustiva as razões teológicas sobre as quais o Magistério pontifício baseia a exclusão das mulheres do sacerdócio ministerial. Por ora vale este texto.

E no futuro?

Pode dar-se que se retorne sobre a questão. Mas, por ora a questão está fechada do ponto de vista formal. Além disso, há o n. 1577 do catecismo da Igreja católica que responde assim à pergunta sobre quem pode receber a ordem sacra: “Recebe validamente a sacra ordenação exclusivamente o batizado de sexo masculino.

O Senhor Jesus escolheu homens para formar o colégio dos doze Apóstolos, e os Apóstolos fizeram o mesmo quando escolheram os colaboradores que os sucederiam no ministério.

O colégio dos Bispos, com os quais os presbíteros estão unidos no sacerdócio, torna presente e atualiza até o retorno de Cristo o colégio dos Doze. A Igreja se reconhece vinculada por esta escolha feita pelo próprio Senhor. Por este motivo a ordenação das mulheres não é possível.

Portanto não é uma questão de pares oportunidades?

Absolutamente não. Até é errado dizer que as mulheres na Igreja, para contar mais, devem ser como os homens, isto é, ter o sacerdócio. Não é uma questão de poder, nem de quotas rosa, pelo menos se o ministério sacerdotal é entendido, como deveria ser, como um serviço.

Mas, as mulheres devem contar mais na Igreja?

Repito que não é uma questão de espaços de poder. É repensado o papel da mulher e é atuado o Concílio. Mas, quero recordar que as mulheres já têm uma presença muito atuante na vida da Igreja. O problema é que muito frequentemente o seu trabalho não aparece na fisionomia pública da Igreja. Todavia, limitar-se ao debate sobre o sacerdócio feminino só correria o risco de fornecer um álibi e depois não resolver nada.

 

Alberto Bobbio

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/539534-ordenacao-das-mulheres-nao-nao-esta-entre-as-questoes-reformaveis

 

PARA LER MAIS:

 

 

 

Respostas de 2

  1. O homem é um ser que se acostuma a tudo. Se temos mulheres como presidente de nações, como executivas em empresas, como professoras, como pastoras nas diversas Igrejas cristãs, então tudo é uma questão de se acostumar a ver uma mulher no altar, batizando etc. O Mestre ia resolver esta questão num “tapa”. Porém, enquanto a hierarquia católica continua sendo dominada por clérigos homens e ainda de idade avançada, então vai demorar ainda alguns aninhos p/ ver a mulher participar na igreja em todas as instâncias. Como se diz: por que simplificar, se dá p/ complicar.

  2. Os argumentos contra a ordenação sacerdotal das mulheres apoiam-se exclusivamente na alegada atuação de Cristo e na tradição ancestral da Igreja (Católica e Ortodoxa). Se bem que possam ser considerados argumentos de peso, todavia, não emergem do essencial e, sobretudo, obnubilam todo o complexo de atitudes tomadas pelo próprio Cristo relativamente à inclusão das mulheres no seu colégio. Toda a disponibilidade da Mãe de Jesus, todo o acompanhamento assíduo das mulheres no Calvário e cuidado do sepulcro de Jesus, a sua presença orante no Cenáculo do Pentecostes e, sobretudo, o seu testemunho do Ressuscitado (de Maria Madalena e “algumas mulheres”) – tudo isto não configura uma função sacerdotal?
    É claro que as questões da ordenação sacerdotal não se devem colocar em termos de poder, nem o sacerdócio deveria ser considerado um poder.
    Para sermos consequentes com a exclusão das mulheres do sacerdócio deveríamos fazer a unção com o óleo do crisma somente aos homens – o óleo que significa a similitude com Cristo, sacerdote, profeta e rei. Ou será que as mulheres podem ser “profetas” e “reis”,mas não podem ser “sacerdotes”. É certo que a diferença entre o sacerdócio comum e o ministerial diferem não só em grau mas em substância. No entanto, o sacerdócio ministerial assenta no sacerdócio comum dos fiéis e decorre dele.
    Depois, uma carta apostólica não é dogmática, como o não é uma encíclica ou uma exortação apostólica ou um discurso.
    Demais, se o problema – e bem – não é o do poder, porque é que não aparecem mulheres nas estruturas, mesmo em chefia, por exemplo, a presidir a um tribunal eclesiástico, a uma Congregação Romana (leigos, religiosos, educação, etc.) ou a um Pontifício Conselho…?
    Finalmente, acho desviante o argumento de que “os maiores no Reino dos céus não são os ministros, mas os santos”. Ora, segundo o Evangelho, o maior de todos é o que serve, o ministro. E é a qualidade do ministério que dá a santidade! Se quisermos, é abusivo separar o ministério e a santidade.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *