Reações ao atentado cometido por comando extremista tomam conta do planeta
Roma, (Zenit.org) Sergio Mora |
Milhares de pessoas saíram em silêncio pelas ruas de Paris na noite de ontem para repudiar o brutal atentado cometido contra o semanário satírico francês “Charlie Hebdo”. Entre os cartazes, predominava o “Je suis Charlie”, “Eu sou Charlie”, em apoio às 12 vítimas do ataque.
O presidente François Hollande, em mensagem de quatro minutos, declarou luto nacional nesta quinta-feira. “Eles são hoje nossos heróis”, disse ele a respeito dos cartunistas e jornalistas assassinados. “Eles morreram pela ideia que tinham da França, ou seja, a da liberdade”. As bandeiras ficarão a meio mastro no país durante três dias.
Barack Obama afirmou que “estes ataques podem acontecer em qualquer país e é necessário garantir a segurança de todos”.
No Vaticano, os quatro imãs franceses que participaram da audiência com o papa declararam que “é necessário que a comunidade muçulmana se levante” para demonstrar “a sua rejeição” ao confisco que alguns pretendem fazer do islã.
O presidente da União das Mesquitas da França, Mohammed Moussaoui, pediu uma “reação” dos muçulmanos diante da religião “instrumentalizada por criminosos”.
Da Rússia, o Conselho dos Muftis enviou os seus pêsames pelo atentado e afirmou que é necessária uma reação adequada, mas pediu calma diante desta provocação.
Em Roma, milhares se reuniram diante da embaixada francesa. O mesmo aconteceu em Berlim, em Londres e em outras capitais europeias.
Os bispos da Alemanha, país com muitos imigrantes muçulmanos, sugeriram um “debate objetivo e não emocional” sobre a imigração, levando em conta as recentes marchas xenofóbicas registradas no continente.
Os bispos ortodoxos da França também se uniram à condenação do atentado, recordando que o ataque procurou semear o terror, a dúvida e a divisão. Eles convidaram os franceses à coesão nacional, dizendo que nenhuma religião pode aceitar que seja derramado o sangue dos inocentes.
Foi divulgado hoje que a policial ferida e executada a sangue frio pelos terroristas tinha um nome islâmico. Segundo as informações levantadas até agora, os terroristas falavam perfeito francês e o grito de “vingança em nome de Alá” foi pronunciado em árabe “duvidoso”.
O semanário satírico “Charlie Hebdo” era constante alvo de ameaças desde 2006, quando publicou caricaturas de Maomé que causaram indignação no mundo islâmico. O diretor da revista tinha dois guarda-costas, que se revelaram insuficientes diante de um ataque de tipo militar.
A publicação já satirizou várias vezes o papa emérito Bento XVI, sem que tenha havido nenhuma reação violenta.
Uma resposta
Creio que se torne necessário e urgente fazermos reflexões profundas sobre algumas questões. Claro que toda e qualquer tipo de violência é abominável, nunca tem justificativa, deve ser punido etc. . Mas permito-me a liberdade de perguntar onde está o limite entre, de um lado, “LIBERDADE DE EXPRESSÃO”, “LIBERDADE DE IMPRENSA” e, do outro lado, A OFENSA PÚBLICA E VIOLENTA. Hás algumas charges que não quero publicar nesta revista eletrônica de respeito, mas creio que muita gente já as conheço. Não sei não. Nós precisamos refletir mais, antes de começar a, de um lado, jogar pedras nos outros, e, do outro lado, andar atrás de qualquer grito. Gostei da reflexão do nosso colega REGINALDO VELOSO. Segue em seguida.
Geraldo Frencken
“Onde foi que eu errei?…”
Antes de “atirar a primeira pedra”,
essa seria a pergunta a se fazer,
diante das ações terroristas que ora nos estarrecem a todos e todas.
Mas o Ocidente facilmente esquece seu secular imperialismo
de cunho colonialista e capitalista…
São séculos de depredação, de opressão, de exclusão,
de toda sorte de violência,
que deixam para trás e pela frente legiões de famintos e de cadáveres.
E as Igrejas cristãs esquecem, igualmente,
suas Cruzadas e os genocídios todos por elas abençoados,
em nome da “evangelização”, com a cruz e a espada…
São séculos de preconceito, fundamentalismo e proselitismo
que deixam no seu rastro multidões de humilhados e dizimados.
Tudo isso,
sedimentado no coração e no inconsciente coletivo de gerações e gerações,
só estava esperando alguma gota d’água para esborrar,
alguma mínima centelha para explodir.
É, com certeza, de se lamentar e repudiar toda essa violência terrorista, venha de onde vier, mas não se pode, sem mais, esquecer Nagasaki e Hiroshima, ou, mais recentemente, o Iraque e a Líbia.
Depois da bomba atômica, agora, é a “bomba M”,
(já vaticinada pelo profeta do 3º Mundo, Dom Helder Câmara, de saudosa memória)
que explode em nosso colo ou em nossas mãos…
Mas o que acaba de acontecer na França e nos deixa o mundo aterrorizado
é o que acontece todos os dias em nossas metrópoles,
ilhas de progresso e conforto, cercadas de favelas por todos os lados.
Quanta dor, quanta tristeza, mas, também, quanta hipocrisia!
REGINALDO VELOSO
Presbítero das CEBs
Assistente do Movimento de Trabalhadores Cristãos – NE II
Assessor do Programa de Animação Cultural – PROAC