O ovo da serpente, em 1992. Imaginem em 2012…
Durante uma semana – de 5 a 11 de janeiro de 1992 – uma equipe de pesquisadores acompanhou toda a programação da Rede Globo.
Foram examinados meticulosamente 77 programas, entre filmes, seriados, novelas, humorísticos, variedades, noticiários e infantis. Os pesquisadores permaneceram 114 horas e 33 minutos diante da televisão. Da totalização final, foram excluídos os programas jornalísticos para separar o que é noticiário da programação escolhida deliberadamente pela própria emissora.
O que estes pesquisadores encontraram foi uma verdadeira escola do crime e da violência. Naquela semana, a Globo exibiu 244 homicídios tentados ou consumados, 397 agressões, 190 ameaças, 11 seqüestros, 5 crimes sexuais com violência ou ameaça, 26 crimes sexuais de sedução, 60 casos de condução de veículos com perigo para terceiros ou sob efeito de drogas, 12 casos de tráfico ou uso de drogas, 50 de formação de quadrilhas, 14 roubos, 11 furtos, 5 estelionatos, e mais 137 outros, entre os quais: tortura (12), corrupção (4), crimes ambientais (3), apologia ao crime (2) e até mesmo suicídios (3).
E não se diga que isto é veiculado nos chamados programas para adultos. A programação infantil é repleta de imagens de violência, inclusive em desenhos animados, com 58 cenas diárias de violência. Projetando tal constatação, verifica-se que anualmente a Rede Globo propicia às crianças brasileiras a visão de 21.222 cenas de violência. Se considerarmos que a média diária geral da programação é de 166 cenas de violência, chegaremos à conclusão de que a programação infantil detém 34,9% da violência diária transmitida pela TV Globo.
Para os espectadores de novelas estão reservadas 150 cenas de crimes por semana (média diária de 21,4). Já os apreciadores de seriados têm à disposição 79 crimes semanais (média diária de 11,2). E quem acompanha a programação humorística e de variedades vai se deparar com 74 episódios violentos, principalmente agressões (média diária de 10,5).
Os documentos comprobatórios desta pesquisa encontram-se em poder do Dr. Nilo Batista, Secretário de Justiça do Estado, à disposição de quem desejar consultá-los. Estes números estarrecedores nos permitem questionar a autoridade moral da Globo, tevê e rádio, e do jornal O Globo e o papel destrutivo que vêm desempenhando. Já chamei a atenção de meus compatriotas para a instigante coincidência entre o crescimento das Organizações Globo e o crescimento da violência em nosso País. Esta pesquisa revela que não se trata de mera coincidência. Estudos criminológicos – os mais respeitados – advertem para as conseqüências da exposição de cenas de violência às crianças e às pessoas ainda imaturas. As Organizações Globo, quanto a este aspecto, representam uma autêntica e verdadeira escola do crime, reproduzindo e estimulando a cultura da violência, que encontra campo fértil numa sociedade fortemente marcada pela injustiça, pela pobreza e pelo atraso.
A Globo, que comete contra nossas crianças e jovens este crime – que países como os europeus de nenhuma forma admitiriam –, é a mesma que utiliza seus maiores e melhores espaços para destruir um programa educacional como o dos Cieps e dos Ciacs. Minha mensagem aos pais e avós é que defendam seus filhos e netos como puderem, enquanto combatemos – como o pequeno Davi diante de Golias – essa hidra gigantesca, diante da qual tantos se omitem ou, pior ainda, se intimidam e se curvam, submissos.
(Leonel Brizola, 19 de janeiro de 1992, no Jornal do Brasil).
Os documentos comprobatórios desta pesquisa encontram-se em poder do Dr. Nilo Batista, Secretário de Justiça do Estado, à disposição de quem desejar consultá-los.
Respostas de 3
Isto foi denunciado há 20 anos, precisamente em 19/01/1992, pelo falecido ex-governador Leonel Brizola. As cenas do BBB 2012 são meras consequências da tolerância e permissividade durante. Falamos muito de violência, queixamo-nos dos efeitos mas não vamos às causas… Sabem por que denúncia de tamanha gravidade fica impune e a fábrica da violência aberta durante tantos anos? Porque a Globo é o terceiro poder da república ou quase o primeiro. Há poucos dias assistindo entrevista de Marcos Maciel, ex-biônico de Pernambuco, que entre outros cargos foi vice-presidente da república, disse ipsis literis: “Quando fui ministro da Educação e Cultura Dr. Roberto Marinho me perguntou: por que você não vai para a Casa Civil? ” E assim foi feito no governo de FHC. Em momentos de descontração as coisa são ditas naturalmente e a grande maioria não faz a devida correlação dos fatos. Brizola deve ter tido muitos erros e equívocos, mas a sua raiva contra a Globo que prometeu fechá-la se fosse eleito presidente, era uma raiva santa só comparável ao Cristo quando expulsou os vendilhões do templo. Quando brevemente a presidente Dilma encaminhar ao Congresso mensagem regulando a mídia os desavisados e “pseudos democratas” vão chiar e dizer que trata-se de censura ao direito e liberdade de expressão e informação e que o Brasil não é a Argentina. Ingenuamente estarão se colocando a favor da manipulação e manutenção do status quo. Você dorme com este barulho??? É urgente um trabalho de esclarecemento pelas entidades civis e religiosas independentes.
Realmente, Almir amigo. Há 20 anos ou até mais estamos dominados por este terceiro poder! Que acabe o quanto antes!
Giba
Lamento, Rober, seus 5 comentários. Cada um mais inoportuno, injusto e alienado que os outros! Fica patente que você desconhece totalmente o que é VOCAÇÃO, o que são os sacramentos da ORDEM e MATRIMÔNIO, plenamente compatíveis entre si, e que assim eram até o século XI, quando um papa proibiu (erradamente, contra Jesus e contra a Bíblia) o casamento dos padres católicos latinos. Proibição temporária, mas que j á dura 10 séculos!
Sugiro que você se atualiza em questões religiosas, para não continuar com comentários tão infelizes!
Giba