
“Melhor que se sentar para estruturar uma nova organização pastoral, fazendo marcas d’água, unindo paróquias, celebrando missas “secas” sem padre, seria que todos os bispos, de maneira uníssona, pedissem ao Papa a reintegração desses cem mil sacerdotes secularizados – se assim eles o desejarem – ao ministério”.
Eis a carta.
Santidade:
Quando assinei o pedido de secularização inclui, em uma folha a parte, um posfácio com esta anotação: “Saio do clero porque, devido a minha maneira de ser, necessito, para meu equilíbrio interior, contrair o matrimônio. Não renuncio ao sacerdócio. No momento em que necessitarem de mim, podem me chamar; sigo com vocação sacerdotal”.
Cinquenta e seis anos depois de ter sido ordenado, continuo com essa mesma vocação. Mas ninguém me chamou, apesar da enorme carência de “operários da colheita”. Hoje eu de pouco serviria, dada minha velhice: com oitenta anos, não posso fazer muito, mas posso fazer algo.
E aqui vem a minha iniciativa, a questão que trago. Melhor que se sentar para estruturar uma nova organização pastoral, fazendo marcas d’água, unindo paróquias, celebrando missas “secas” sem cura, seria que todos os bispos, de maneira uníssona, pedissem ao Papa a reintegração desses cem mil sacerdotes secularizados – se assim ele o desejarem – ao ministério. Mas ainda há tempo! E ele urge!
Também poderia se ter conseguido que em cada povoado houvesse um sacerdote, um homem casado, que atendesse o pequeno rebanho de maneira desinteressada, isto é, sem nenhuma despesa. E ainda há tempo, e ele urge! Não seria difícil encontrar um presbítero para cada povo, e haveria mais voluntários que apoiariam do que possamos imaginar. Uma vez ordenados como sacerdotes, a ação pastoral da diocese seria realizada de uma maneira muito mais eficaz do que se comparada às extravagâncias de nossos pastores da década passada.
Com frequências fazemos projetos eclesiais. E me parece estupendo que hoje nos abram os canais de opinião.
Santidade, aqui estou disponível e, mais do que eu, milhares que são mais jovens e têm muita fé. Um abraço.
José María Lorenzo Amelibia
PARA LER MAIS:
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Respostas de 2
A questão do celibato “até quando aguentará a nossa paciência?” está superando os limites do equilíbrio e colocando em dúvida a confiança no próprio Papa. Agora, a situação está pior, grande parte do clero não dá a mínima para o celibato e também não deseja se casar. O celibato é pura questão disciplinar e sua quebra não traz consequências visíveis para o povo de Deus e o casamento implica em compromissos familiares e socais.Os padres que deixaram o ministério por causa do celibato, pela coerência e dignidade,foram e continuam vítimas do “golpe do celibato” e apelar para quem? Papa Francisco? Para os bispos? Estou sentindo em tudo isso o velho golpe,pois, nada vai mudar no quartel de Abrantes.
Pe. Osvaldo concordo plenamente contigo, pois a atual estrutura da Igreja Católica, não tem formado bons padres, a prova disso é que a maioria dos padres e bispos, mantem uma vida dúbia e esses não assumiriam o matrimonio, pois o Matrimonio é compromisso e eles querem apenas viver de forma promiscua, ou seja, não vivem a castidade. Portanto, com ou sem celibato, eles continuam vivendo a não castidade. Eu deixei o ministério, por que não tenho a vocação celibatária, embora viva a castidade (transparência) matrimonial. Penso que a Igreja deve exigir a castidade dos padres, bem como exige dos casais em matrimonio. Ou talvez explicar a diferença entre Castidade e Celibato, pois denota que alguns tentar resumir numa só compreensão, porem castidade é algo que faz parte do decálogo, onde pede-se que vivem em transparência , enquanto que o celibato é uma forma de manter ou justificar os solteirões padres. Bom, há 10 anos estou exercendo o múnus presbiteral em um rito ortodoxo (sirian) e aqui tenho me realizado como padre casado. Não vivo do dizimo e ofertas dos paroquianos e sim do salário de professor, onde leciono todos os dias das 7h as 12h e depois das 14h vou para a Paróquia onde fico até as 20h. Minha esposa também é professora e todos os dias vai a Missa, as 19h, na referida paroquia. Os paroquianos sabem que é a esposa e filhos do padre local, enquanto o meu vizinho (padre “celibatário”) só chega na igreja 15 minutos antes da Missa e nos demais horários quem administra a paroquia é a secretaria, pois o padre nunca está. Vida muito ocupada com reuniões, novelas, academia, shopping, etc, afinal a paroquia paga todas as suas contas e ainda lhe dá um bom salário livre ,, por isso ainda lhe sobra tempo para atacar a nossa humilde paroquia, dizendo que o padre é casado, por isso nada tem validade, nem mesmo os batizados ministrados por nós, ,, Ora, a nossa pequena paróquia (80 pessoas sentadas), atendem aos cristãos que lá são rejeitados ou não conseguem atendimento (Paróquia do padre celibatário que devia estar 100% livre para o atendimento paroquial), no então, não atende e ainda fazem acepção de pessoas. O bispo local também nos ataca ,, bem sabemos que ele se deita com outros ,, enfim, não creio que o fim do celibato obrigatório possa ajudar aos padres sérios e vocacionados do Senhor. Talvez a permissão aos egressos (padres casados) de retomarem suas atividades presbiterais ,, possam diminuir o numero de comunidades sem padres, mas no interno da igreja, continuará na desgovernança feita pelos padres e bispos promíscuos que terminam a missa e enchem o carro de rapazes ou moças e vão par ao shopping ou sauna gay (exemplo da arq de SP, onde metade do clero se reuni na sauna corpus ao lado do metro clinicas) outros usam a pastoral do menor para usufruir de serviços sexuais dos adolescentes,, esses e os outros que saem com moças da comunidade paroquial, nunca vão assumir uma vida de matrimonio, ao contrário, sempre vão ser contra a quebra do celibato obrigatório.
Hoje tenho 58 anos de idade e 30 de vida sacerdotal, dos quais 18 anos vive como padre Romano ,,dois anos sem exercer o ministério e dez anos no rito ortodoxo. construí a paroquia no bairro onde morro e junto com a comunidade criamos um centro comunitário com salas de curso profissionalizantes e atendimento para a terceira idade, atendimento psicológico, dentário, judicial, além de aulas de tricô, corte e costura, aulas de reforço, aulas de capoeira ,, tudo de graça, coma ajuda de profissionais voluntários. Enfim, quero finalizar dizendo que sou solitário e compactuo com o padre José María Lorenzo, que escreveu ao Papa e quero formar fileira com todos os padres casados, inclusive quero lembrar o nome do padre Generindo, o qual conheço pessoalmente e que sempre escreve aqui, nesse valioso veiculo de comunicação dos padres casado ,, Caríssimos irmãos de presbitério, vamos fortalecer nosso grupo e levantar fileiras junto ao Papa, para que em breve tenhamos uma Igreja de padres solteiros (por vocação) e padres casados (por vocação), assim como já é no Oriente, desde a época dos Apóstolos. Conforme aponta a historia, logo haverá a reunificação da Igreja (Ocidente e Oriente). Enquanto isso não acontece na prática, vamos fazer a nossa parte. Saiamos dos discursos e entremos na práxis pastoral, isto é, que cada padre construa uma paroquia, uma capela e ali comece a exercer o múnus sacerdotal como presbíteros casados. Se no rito romano (latino) existe, ainda, essa dificuldade, então, venha somar conosco no rito ortodoxo, pois ambos somos católicos e apostólicos, de uma só igreja Católica Apostólica, conforme fizera os primeiros cristãos (apóstolos) e discípulos de Jesus Cristo, Nosso Senhor e Salvador, com a proteção da bem Aventurada Virgem Maria, mãe e consoladora dos sacerdotes. Pensamos a Deus, pela saúde do Papa Francisco e pelo Patriarca Bartolomeu , as duas pilastras de nossa igreja Católica Apostólica.
Desculpem-me os erros e desabafos.
Desejo a todos, boa sorte e me coloco a disposição,
Padre Marcelo Kapie
São Paulo – Brasil.