A Igreja Católica debate há anos o modo correto de se relacionar com os divorciados que se casam novamente.
O bispo de Trier, na Alemanha, Stephan Ackermann, vê uma possibilidade de solução do conflito.
A reportagem é do sítio SR-Online.de, 15-06-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
O bispo de Trier, Stephan Ackermann, considera possíveis progressos sobre o assunto, há muito tempo em discussão, dos divorciados em segunda união. “Estamos em um período em que há uma possibilidade de avançar em relação a esse assunto”, disse o bispo no sábado, depois de um fórum da diocese de Trier sobre os católicos divorciados recasados.
Ele lembrou que a problemática também está na pauta, como reconhecimento da situação, do Sínodo dos bispos sobre matrimônio e família, que será realizado em outubro, em Roma, ao qual provavelmente o Papa Francisco fará com que se sigam atribuições concretas, tendo em vista o segundo Sínodo romano de 2015. “As respostas que damos atualmente não são suficientes”, disse o bispo, depois de um congresso de dois dias com especialistas e pessoas envolvidas.
Na sua opinião, são insuficientes pelas condições alteradas. Sobre o tema, há atualmente uma “atenção muito grande” no nível de toda a Igreja. Os católicos que se casaram depois de um divórcio são considerados pecadores na Igreja Católica e não podem receber nenhum sacramento, como por exemplo a comunhão.
“É preciso proceder de forma clara, não diminuir a atenção”, disse Ackermann, que trabalha sobre o assunto dos divorciados recasados em um grupo de seis pessoas em nível episcopal. “Tentamos levar adiante aquilo que podemos.” Mas, continuou, só pode haver uma solução por parte de toda a Igreja. Mais direitos aos divorciados em segunda união na Igreja Católica estão “em grande atraso”, alertou o presidente doConselho dos Católicos, Manfred Thesing.
“Não podemos insistir sempre apenas na ordem e na lei.” Certamente, disse, está escrito na Bíblia que o matrimônio é indissolúvel. No entanto, a Igreja não pode deixar do lado de fora as pessoas que viveram um fracasso no casamento. “Alguma coisa tem que acontecer. A pressão deve crescer ainda mais”, acrescentou.
Mas Ackermann contradisse essa última indicação. “Aumentar a pressão não ajuda. Com as pressões, não vamos para a frente.” Não se deve “exacerbar ainda mais as tensões”. Nos últimos anos, acrescentou, vários bispos alemães já se pronunciaram no debate, propondo “soluções de misericórdia”.
Fizeram isso, por exemplo, o novo presidente da Conferência Episcopal Alemã, Dom Reinhard Marx, de Munique, e o seu antecessor, Robert Zollitsch. O fórum, com cerca de 220 participantes, ocorreu em conexão com o sínodo diocesano de Trier, que começou em dezembro de 2013. É o primeiro sínodo da Igreja Católica na diocese há 24 anos. Fazem parte da diocese de Triercerca de 1,5 milhão de católicos dos estados da Renânia-Palatinado e de Saarland.
PARA LER MAIS:
- 23/05/2014 – A morte do casamento eclesiástico: indissolubilidade e divórcio
- 23/05/2014 – Divorciados em segunda união: é preciso aumentar as apostas
- 12/05/2014 – Francisco e o divórcio
- 06/05/2014 – Gene Robinson, primeiro bispo gay a se casar, divorcia-se
- 25/04/2014 – “Não poderia ter autorizado a comunhão a uma divorciada”. Padre desafia o Papa
- 24/04/2014 – “Podes comungar, não fazes mal a ninguém”, disse Francisco a uma mulher casada com um divorciado
- 24/04/2014 – Bergoglio telefona para uma divorciada: ”Você comunga? Não faz nada de errado”
- 01/04/2014 – Entre Kasper e Müller, a terceira via de Ouellet para os divorciados
- 25/03/2014 – ‘Solução Kasper’ para os divorciados provoca tempestade
- 17/03/2014 – ”Começam com os divorciados, depois vêm os casais gays.” A crítica do cardeal Caffarra
Uma resposta
Sou casada com um divorciado há 18 anos. O padre da minha paróquia disse-me que não devo comungar. Sinto-me como uma Pessoa que não presta. Não Sei se era o meu destino, ou se escolhi o meu destino. Sinto que não tenho perdão, não tenho direito ao pão da vida, excluída da família de Deus. Que devo fazer?