A questão dos abusos sexuais contra crianças cometidos por membros da Igreja Católica contra também foi abordada. O Papa anunciou a realização de uma missa com várias vítimas, que irá decorrer no próximo mês de Junho, e prometeu “tolerância zero” para um crime que apelidou de “horrível”.
“Nos primeiros dias de Junho haverá uma missa em Santa Marta, com seis a oito pessoas abusadas, e depois terei uma reunião com eles e eles com o cardeal Sean O’Malley, presidente da Comissão [Pontifícia para a Protecção de Menores]. Sobre isto, deve-se avançar”, declarou Francisco.
O Papa referiu que “há três bispos sob investigação” e um “já está condenado, falta decidir a pena a aplicar”.
“Sobre o abuso de menores, é um crime tão horrível Sabemos que o problema é grave e está por todo o lado, mas a mim, só me interessa a Igreja: um sacerdote que faz isto, trai o corpo do Senhor, porque este sacerdote deve levar este menino, ou menina, este rapaz ou rapariga à santidade; e este, em vez de levar à santidade, abusa deles. Isto é gravíssimo. É como fazer uma missa negra, por exemplo. Em vez de levar a pessoa à santidade, leva-a a um problema que durará toda a vida”, sublinhou.
Sínodo das famílias e os divorciados
Nesta longa conversa com os jornalistas, o Papa falou também sobre o Sínodo da Família, que decorre de 5 a 19 de Outubro. Francisco diz ficar entristecido quando se reduz o encontro à questão dos divorciados recasados. O Sínodo não vai servir para debater apenas uma “casuística”, mas sim para aprofundar uma questão muito mais complexa do que um mero aspecto relacionado com o casamento, salientou.
“O Sínodo será sobre a família, sobre o problema da família, sobre a riqueza da família. E eu não gostei nada que tantas pessoas – até da Igreja… padres – tenham dito: ‘o sínodo é para dar a comunhão aos divorciados’, como se tudo se reduzisse a uma casuística. E não, a coisa é muito mais ampla; eu não gostaria que se caísse nesta casuística”, referiu.
“Bento XVI abriu a porta dos Papas eméritos”
Questionado se admite um dia resignar ao cargo de chefe da Igreja Católica como fez Bento XVI, Francisco respondeu que ainda não sabe o que vai fazer.
O Papa natural da Argentina, de 77 anos, diz que tomará uma decisão em função do que Deus lhe pedir. Francisco admitiu que Bento XVI abriu uma verdadeira instituição, ou seja, a partir dele passa a haver Papas eméritos e cada Papa deve fazer essa pergunta perante Deus.
“Eu creio que Bento XVI não é um caso esporádico, mas aconteceu que, já sem forças e, honestamente, como homem de fé e tão humilde, tomou esta decisão. Creio que ele é uma instituição. Há 70 anos, quase não existiam bispos eméritos e agora há tantos. O que acontecerá com os Papas eméritos? Creio que devemos olhar para ele como uma instituição. Ele abriu uma porta, a porta dos Papas eméritos, se haverá outros mais, ou não, só Deus sabe, mas esta porta está aberta. E eu creio que um bispo de Roma, um Papa que sinta as suas forças a diminuírem, deve-se confrontar com as mesmas perguntas do Papa Bento”, declarou.
Aura Miguel | Rádio Renascença | 27-05-2014
Fonte: http://fraternitasmovimento.blogspot.pt/2014/05/o-celibato-nao-e-um-dogma-de-fe-e-uma.html
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Respostas de 5
Concordo plenamente com o papa Francisco. Na minha ótica, já que o celibato não é essencial para a vida da igreja e faz parte de uma disciplina eclesiástica que pode ser mudada, por que afrontar os conservadores iniciando uma reforma logo por celibato ? Por que queimar outras coisas mais importantes que certamente ele já tem programado ? Já se viveu dez séculos assim, por que não esperar 04 ou 05 anos mais ? Daqui a cinco anos muitos conservadores já morreram e outros tantos se tornaram eméritos. Acho o papa com ideias muito claras, abertas, seguras, sem deixar de dar respostas aos questionamentos. Inclusive ele se expõe a perguntas que não sabe como serão feitas, fato inédito no papado. Imagino e suponho, inclusive, que ele deve ter na sua agenda, antes de discutir o problema do celibato optativo para os padres que estiverem na ativa, estudar os casos dos padres que se casaram. Estas coisas deverão constar de medidas diferenciadas. O retorno automático dos padres casados suspendendo o rescripto é que servirá de base para a posterior mudança na disciplina do celibato. A gente não sabe o que passa na cabeça do papa mas são elocubrações plausíveis. Ele era amigo de D. Jerônimo Podestá e Clelia e conhece muito bem a realidade latino-americana. Esta mudança sobre o celibato talvez nem precise do dedo do papa, mas poderá surgir através de uma maior descentralização na igreja respeitando as diversidades culturais. Eu tenho uma certeza quase absoluta que se nós tívessemos hoje, no Brasil, no tempo do papa Francisco,bispos iguais a um D. Helder, D. Arns, D. Aloísio, D. Isnard e outros profetas, muita coisa já teria mudado… Acho que vale a pena republicar e reler a mensagem aos bispos em Aparecida quando esteve no Brasil. Se eu não me engano, ele disse com outras palavras: Podem até errar,mas façam.
Concordo plenamente com o papa Francisco. Na minha ótica, já que o celibato não é essencial para a vida da igreja e faz parte de uma disciplina eclesiástica que pode ser mudada, por que afrontar os conservadores iniciando uma reforma logo por celibato ? Por que queimar outras coisas mais importantes que certamente ele já tem programado ? Já se viveu dez séculos assim, por que não esperar 04 ou 05 anos mais ? Daqui a cinco anos muitos conservadores já morreram e outros tantos se tornaram eméritos. Acho o papa com ideias muito claras, abertas, seguras, sem deixar de dar respostas aos questionamentos. Inclusive ele se expõe a perguntas que não sabe como serão feitas, fato inédito no papado. Imagino e suponho, inclusive, que ele deve ter na sua agenda, antes de discutir o problema do celibato optativo para os padres que estiverem na ativa, estudar os casos dos padres que se casaram. Estas coisas deverão constar de medidas diferenciadas. O retorno automático dos padres casados suspendendo o rescripto é que servirá de base para a posterior mudança na disciplina do celibato. A gente não sabe o que passa na cabeça do papa mas são elocubrações plausíveis. Ele era amigo de D. Jerônimo Podestá e Clelia e conhece muito bem a realidade latino-americana. Esta mudança sobre o celibato talvez nem precise do dedo do papa, mas poderá surgir através de uma maior descentralização na igreja respeitando as diversidades culturais. Eu tenho uma certeza quase absoluta que se nós tívessemos hoje, no Brasil, no tempo do papa Francisco,bispos iguais a um D. Helder, D. Arns, D. Aloísio, D. Isnard e outros profetas, muita coisa já teria mudado… Acho que vale a pena republicar e reler a mensagem aos bispos em Aparecida quando esteve no Brasil. Se eu não me engano, ele disse com outras palavras: Podem até errar,mas façam. Deve-se levar em conta que a estrutura da igreja hierárquica é muito pesada e o papa Francisco, admirado pelo povo, deve estar encontrando fortes barreiras da parte do episcopado e sacerdotes, filhos de um sistema montado por João Paulo II e Bento XVI.
Estes pontos de resposta do Papa aos jornalistas merecem-me um comentário. Concordo inteiramente com suas afirmações sobre a renúncia pontifical.
Quanto aos crimes de abuso sexual por parte de clérigos e sua hediondez, também. No entanto, parece-me que o pontífice não deveria afirmar que um dos bispos sob investigação já está condenado, faltando apenas decidir a pena a aplicar. Primeiro, porque se falta decidir que pena a aplicar, ainda não há verdadeira condenação; depois, não é legítimo induzir a comunicação social a ir à cata do presumível condenado; e, ainda, as condenações não devem ser divulgadas, passe a expressão “Urbi et Orbi”.
Quanto à questão do celibato eclesiástico obrigatório na Igreja Latina, discussão em que tenho alguma dificuldade de entrar, parece-me, no entanto, que ela deve vir quanto antes para a mesa da discussão. Não sendo uma questão dogmática (nem o pode ser), mas disciplinar, torna-se tautológico afirmar que é um dom para a Igreja ou um estilo de vida apreciável. Ninguém de bom senso eclesial contradiz estas afirmações papais. Também a vida religiosa (pobreza,obediência e castidade e vida comunitária) e o sacerdócio ministerial são estilos de vida apreciáveis e dons para a Igreja, mas não se estendem obrigatoriamente a todos os cristãos.
Ora, a penúria de vocações e a falta de celebração eucarística em muitas comunidades, a par das exceções ao celibato eclesiástico (refiro as provenientes de outras religiões cristãs), embora não sejam determinantes, impõem a reflexão séria e intempestiva com vista à alteração e regulação da disciplina eclesiástica. Já no concílio de Trento o arcebispo de Braga, perante a decisão de tornar obrigatório o celibato dos padres, clamava: “Parcite saltem barrosanis meis!” – poupai ao menos os meus padres da região de Barroso! Será por isso que a sua beatificação se atrasou séculos e séculos?
Eu não entendo porque não fazer amor é algo santo….
Almir Simões, daqui a 4 ou 5 anos serão os poucos Bispos, teólogos e padres progressistas que irão morrer. Casadáliga, Boff, Frei Beto, Cardeal Kasper…Hans Krug…já estão com avançada idade. Aliás, o Próprio Papa Francisco já está em idade avançada… E a nova geração do clero é em sua esmagadora maioria conservadora.