“Bem. Não sei se melhorei muito a situação. Mas não foi essa a minha intenção. Precisava apenas explicar os meus motivos.Aos que me criticaram com decência, fico com as críticas para refletir sobre elas na construção de minhas opiniões futuras.Aos que apenas me agrediram, fico com a dor que me causaram e com o consolo de que o tempo cura quase tudo.Aos que perderam alguns minutos de suas vidas para lerem essa minha resposta. Agradeço a atenção” – Dr.a Adriana Lins.Uma Explicação Necessária A Nossos Leitores
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UMA EXPLICAÇÃO NECESSÁRIA do Editor do Site
Este Site, porque se destina a pessoas inteligentes que militam ou simpatizam por várias opções partidárias, não tem partido, a não ser o partido da boa informação que procuramos dar honestamente.
Está fora e além dos partidos políticos que, diga-se a verdade, estão sempre mais parecidos entre si, tanto no desprezo pelo verdadeiro bem comum do Brasil e dos brasileiros, como na crescente apropriação da coisa pública para interesses particulares, de pessoas e de grupos, numa corrupção patente e sempre mais ampla, bem conhecida aqui e no estrangeiro e que envergonha os muitos brasileiros que ainda têm vergonha na cara e um mínimo de visão crítica.
Numa triste e lamentável atitude de fazer do Congresso, das assembleias legislativas e das Câmaras municipais um imenso e sujo mercado de negócios escusos, um toma-lá-dá-cá que há muito existe, mas que se aprofundou com as grandes negociatas de Sarney para garantir seu quinto ano de governo em troca de concessões públicas de canais de rádio e televisão, e de Fernando Henrique Cardoso, com outras grandes negociatas no Congresso para garantir sua reeleição: “só voto tal lei de teu interesse se tu me pagares tanto, ou colocares meus apaniguados em tal ministério ou diretoria da administração pública”.
Deixando de lado o caso sui generis do breve e conturbado desgoverno Collor, com o PT, essa repugnante e altamente lesiva prática de politicagem e de privatização da COISA PÚBLICA se tornou rotina e se ampliou ainda mais, tornando o Executivo refém do Legislativo.
A tal ponto que em nome da “governabilidade”, o PT, nestes quase doze anos de poder, fez as mais estranhas alianças com a direita, com o agronegócio e com o pior do coronelismo, sobretudo no norte e nordeste. Negando todo seu discurso anterior e deixando na orfandade os muitos milhões que acreditaram que com o PT ia ser diferente, que uma nova esperança estava nascendo.
Neste contexto, este Site, politicamente apartidário, mas não apolítico, quer manter sua liberdade para ir postando artigos que possam ajudar para uma reflexão mais ampla, inclusive sobre a política e a politicagem brasileiras. Fora e acima de interesses partidários, na busca da verdade inteira. Avaliações e críticas, positivas ou negativas, podem ser feitas nos Comentários on line e, se forem sérias e sucintas, serão publicadas.
Posição parecida, estamos tentando também em referência aos artigos sobre a Igreja: sempre no horizonte do Concílio Vaticano II , traduzido e adaptado na América Latina por Medellin, Puebla e Aparecida e por uma pleiade de grandes teólogos que fizeram surgir a Teologia da Libertação e, com engajamento de um bom grupo de grandes bispos, padres, religiosos e leigos, ensejaram o nascimento e a afirmação das CEBs.
Teologia da Libertação e CEBs que tanto medo e raiva suscitaram no presidente Reagan e na Cúria Romana, porque fora dos Centros de Poder e sem autorização deles, algo novo estava nascendo, a partir dos pobres, das bases, querendo, com base numa leitura contextualizada da Bíblia, se perguntar: NESTAS CIRCUNSTÂNCIAS CONCRETAS, O QUE JESUS FARIA?
João Tavares
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PRONUNCIAMENTO DA DRª. ADRIANA LINS
A pergunta é: de que viveriam essas pessoas se o bolsa família acabasse?
A minha resposta: passariam ainda mais fome do que tinham quando começaram a recebê-lo. E sabem porque? Porque agora, com a certeza do “benefício”, não se propõem mais a trabalhar, ou estudar ou se profissionalizar. Enfim. Estão escravizados. É a isso que me oponho.
Quando esse programa foi implantado a situação das pessoas era caótica, lastimável. Essas pessoas estão sendo tratadas como inúteis, incapazes. A partir do momento em que se implanta um programa de assistência sem uma política paralela de reestruturação, capacitação para restabelecimento de condições de trabalho, auto sustento, enfim, de independência, ou se considera que essas pessoas não tem capacidade para tanto ou não se está querendo ajudar, mas tão somente escravizar.
É no que acredito. A ONU, embora elogie o programa, critica o assistencialismo e o apelo político que ele gera. Segundo essa Organização o programa rendeu muita popularidade e votos, mas as desigualdades continuam elevadas com pequenos progressos.
Como programa de caráter EMERGENCIAL, o Bolsa Família foi importante, mas onde está a inclusão socieconômica sustentável das populações?
O saudoso Luiz Gonzaga já dizia em uma de suas canções, de composição com Zé Dantas: “Seu Doutor uma esmola para o homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão…”.
É nisso que acredito muito antes de me tornar Juíza. A Coordenadora do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil afirmou que da forma como o programa funciona, não tem sido útil para identificar e retirar as crianças do trabalho e que esse programa não tem impacto nenhum na redução do trabalho infantil.
Vejam a entrevista de Frei Beto ( que não é juiz), um dos líderes do Fome Zero e me digam o que acham. O programa existe há 10 anos e pouquíssimo foi mudado na vida dessas pessoas. O que foi feito de efetivo para reestruturar essas famílias? Visitem as casas dessas pessoas e me digam o quanto mudou!
Enquanto apresentam índices de redução de evasão escolar, em razão do Bolsa Escola, os adolescentes que passam pela Vara que ocupo não sabem a data de seus nascimentos, não sabem o seu nome completo, não sabem o nome de seus pais e, pasmem, não tem a menor ideia de seus endereços.
Que noção de civilidade esses meninos tem? Esses mesmos meninos que estão querendo jogar na prisão!?! Quem ou que vai dar essa noção de civilidade senão um programa sério de educação, capacitação, dignificação das pessoas? Bolsa família não dignifica. Escraviza. É o que acho. As pessoas se tornam escravas da vontade política e não formadoras dessa vontade. E isso para mim é um faz de conta sim. 
Não disse que a Presidente era um faz de conta. Disse que o Brasil é um País de faz de conta. Defender a redução da maioridade penal é um exemplo disso. Defender a pena de morte também. Fazem de conta que isso vai resolver a criminalidade e não vai.
Da mesma forma que fazem de conta que cumprem o ECA, que existe há mais de vinte anos, e não cumprem. Nunca cumpriram. Como eu posso cobrar de alguém a quem eu nunca dei a chance??? As pessoas não podem viver de esmolas.
Precisam aprender a andar com as próprias pernas e precisam saber que isso é responsabilidade delas também. É dever dos Governos Federal, Estadual e Municipal oferecer essas condições e dos cidadãos escolher uma delas e seguir suas vidas com a dignidade que cada profissão oferece, porque todas a tem.
Vejo mulheres jovens e saudáveis pedindo dinheiro nas ruas. Cada uma com seus três ou quatro filhos. Mas nenhuma pede um emprego. Porque?
Os senhores tem ideia de quantos cartões desse programa estão nas famosas “Bocas de fumo”? Vejo homens jovens e saudáveis nas portas dos bares ou papeando nas esquinas em pleno dia da semana. Porque não estão trabalhando? Qual o trabalho que as políticas públicas oferecem ou a capacitação?
É certo que existem alguns programas profissionalizantes. Mas são tímidos, limitados, e não recebem a milésima parte do investimento que o programa de “caridade” gasta. A quê isso vai nos levar, senhores? A quê nos levou até agora? Como estão essas pessoas? Sem fome? Tem certeza que R$ 130,00 (cento e trinta reais) realmente mata essa fome?
Não sou contra partido político algum. Sou contra políticas públicas inúteis e danosas ao futuro da nossa Nação. Sou e serei sempre.
É a minha opinião senhores. Respeitem. Discordem, mas respeitem. E não sejam tão simplistas assim. As coisas não são simples e não podem ser “explicadas” dessa forma principalmente por quem não me conhece. O homem precisa ser dignificado e não escravizado.
As pessoas continuam sofrendo com a seca absolutamente TODOS OS ANOS HÁ DÉCADAS. E o que foi feito de política de irrigação, de política que permaneça que se perpetue e que de fato transforme a vida do sertanejo? É contra isso que sou. Sou Nordestina com muito orgulho e me sinto humilhada com notícias como as que passaram no Jornal Nacional com pessoas “famintas” na porta do Banco para receberem suas migalhas.
Não precisamos disso. Somos inteligentes e capazes. Temos força e vontade de trabalhar. Só precisamos de oportunidades e onde elas estão? Onde está a água das chuvas do ano passado? Bem. Não sei se melhorei muito a situação. Mas não foi essa a minha intenção.
Precisava apenas explicar os meus motivos. Aos que me criticaram com decência, fico com as críticas para refletir sobre elas na construção de minhas opiniões futuras. Aos que apenas me agrediram, fico com a dor que me causaram e com o consolo de que o tempo cura quase tudo. Aos que perderam alguns minutos de suas vidas para lerem essa minha resposta. Agradeço a atenção. A todos.
Reafirmo. Esta é a minha opinião. Não a de uma Juíza, mas a de uma mulher que quer muito mais do que esmolas para o cidadão brasileiro e, principalmente, para os jovens adolescentes. Que Deus esteja conosco! Cajazeiras – PB, 26 de maio de 2013. Adriana Lins de Oliveira Bezerra Juíza de Direito, Eleitora e Cidadã 7/05/2013
Fonte: http://www.jornaldaparaiba.com.br/polemicapb/2013/05/27/a-coragem-de-adriana-lins-de-oliveira-bezerra-juiza-de-cajazeiras-e-contra-a-bolsa-familia-e-diz-por-que/
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Respostas de 3
O site padre casados concordo ou discorda da posição da juíza? O título da matéria é: juíza discorda do programa Bolsa Família e diz o porquê. Então é isso: temos que abolir o programa porque ele supostamente escraviza as pessoas? Da minha parte, não acredito nesta falácia. Conheço muitas pessoas que entendem o programa como complemento de sua renda e não esmola. É a minoria? Não sei dizer e sinceramente não conheço nenhum estudo a respeito.Já que a juíza fala que o programa possui também caráter eleitoreiro, porque não discutir a transformação dele em um direito?
Tem toda razão Adriana Lins! Pessoas inteligentes e de visão abrangente só podem perceber a nossa realidade política brasileira desta maneira! É preciso muita garra para mudar tantas e tão profundas distorções!
De tanto ouvir apedrejamentos sobre o Bolsa Familia resolvi pesquisar um pouco e mostrar uma outra face da moeda. O programa foi desenhado de forma a permitir a emancipação dos beneficiados. Em 10 anos muitos já saíram da miséria e 5 milhões de famílias beneficiadas já deixaram espontaneamente o Programa para andar com suas próprias pernas. Destes, 250 mil ex-bolsistas são micro-empreendedores individuais e a grande maioria trabalha no setor de Serviços.
O principal programa de transferência de renda do governo federal, tem uma estrutura que “vai em direção contrária” ao assistencialismo, avalia a pesquisadora italiana Francesca Bastagli, da London School of Economics, que estuda ações de diversos países direcionadas à transferência de renda para os pobres. Ganhou prêmio da Associação Internacional de Seguridade Social ( ISSA) na Suíça por ser no mundo o melhor programa no gênero. Nos EUA, Nova York foi a primeira cidade a adotar o programa, atingindo cerca de 3 mil famílias, com a ajuda de técnicos brasileiros. Foi implantado igualmente na Suíça, numa pequena região, com benefícios equivalentes a R$ 6 mil. Até o governo chinês estuda a possibilidade de copiar a idéia. Segundo o jornal Le Monde de Paris “o bolsa familia amplia sobretudo acesso à educação, a qual representa a melhor arma no Brasil ou em qualquer lugar do mundo contra a pobreza”. Ao exigir dos beneficiários que os filhos sejam registrados civilmente, freqüentem a escola e tenham a vacinação em dia, o programa “garante condições mínimas de saúde e educação e estimula a demanda por esses serviços, que deve ser atendida pelos municípios”. O valor atualizado pela presidente Dilma se situa numa média de R$ 77,00 por mês. Na faixa de Zero a 15 anos são 18 milhões de beneficiados. Com o auxilio são 15.4 milhões de alunos cumprindo freqüência escolar e 5.1 com vacinação em dia. Redução de 20% na mortalidade infantil. Diminuição para 0.59 % a evasão escolar da primeira à quarta série. Importante saber que a titular do benefício é a mulher para que o marido não gaste o dinheiro com cachaça. Será que isto não compensa ou vai deixar o brasileiro preguiçoso como dizem alguns oposicionistas ??? Concordo plenamente com a afirmação do Pepe Mujica presidente do Uruguai: “Os que comem bem pensam que se gasta demais com política social. ” Se há erros e desvios por parte de alguns municípios são coisas que devem ser apuradas, mas o abuso não tira o uso. Com sensibilidade feminina Dilma ampliou este Programa e por isso com muita razão é chamada a Rainha dos Pobres. Para eles fez muita diferença.