Objetivo, segundo os católicos, é atender a pedidos de grupos anglicanos.
Estrutura prevê conservar patrimônio espiritual e litúrgico das comunidades.
Da EFE, na Cidade do Vaticano

O Vaticano anunciou nesta terça-feira (20) a disposição de acolher na Igreja Católica os anglicanos e, para isso, aprovou uma Constituição Apostólica que contempla a concessão de uma divisão pessoal, similar à do Opus Dei e dos Ordinariatos Militares.
A norma de máxima categoria prevê a ordenação de clérigos casados anglicanos como sacerdotes católicos, embora não a de homens casados como bispos, alinhado à tradição católica e ortodoxa.
O anúncio foi feito pelo cardeal William Joseph Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e pelo arcebispo Joseph Di Noia, secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.
Levada informou que, com esta Constituição Apostólica, a Igreja Católica responde aos inúmeros pedidos feitos à Santa Sé por grupos anglicanos de diferentes países que desejam entrar em plena e visível comunhão com a Igreja Católica.
Com esse objetivo, o Papa Bento XVI aprovou uma estrutura canônica que prevê a criação de ordinariatos pessoais, ou seja, cada comunidade anglicana que entrar na Igreja Católica dependerá de um bispo particular e não do diocesano, como ocorre com o Opus Dei.
Assim, as comunidades anglicanas conservarão seu patrimônio espiritual e litúrgico anglicano.
A Constituição Apostólica contempla que o chefe da diocese possa ser um sacerdote ou um bispo não casado.
Os ordinariatos pessoais serão criados conforme as necessidades.
O cardeal encarregado da defesa da ortodoxia da fé católica detalhou que a medida do Vaticano está alinhada ao compromisso para o diálogo ecumênico.
“A iniciativa é consequência do desejo de vários grupos de anglicanos de compartilhar a fé católica. Por isso, chegou o tempo de expressar essa união implícita de uma forma visível de plena comunhão”, acrescentou Levada.
Respostas de 4
Prezados,
Nunca vi tanta incoerência, aceitam Anglicanos (nada contra os Anglicanos, tanto que sempre dei apoio à iniciativa do Felix de entrar na Igreja Anglicana).
Vejamos, acolhe Presbíteros Anglicanos mas mantêm os Padres Casados excluídos.
Acho que a decisão do papa foi muito importante e deve trazer outras consequências para a Igreja, especialmente para os padres católicos que estão afastados do Ministério Sacerdotal pelo simples fato de terem casado.
Se a Igreja, digo a alta hierarquia, não rever a sua posição em relação aos padres casados católicos, ela está realmente numa profunda incoerência. São dois pesos e duas medidas.
A conclusão que eu tiro desta situação é que a Alta Hierarquia nos considera, a nós padres que optamos pelo casamento, menos católicos que os Anglicanos.
Aqui se abre um espaço para uma reflexão profunda sobre nosso futuro e missão.
Rezo para que a Igreja Católica tire as devidas consequências de tal decisão, se abrindo para receber com naturalidade o serviço que os padres casados têm a oferecer.
Confesso que o posicionamento de Bento XVI pegou-me de surpresa, mesmo sabendo que o diálogo de comunhão visível intensificou-se depois de 1988, quando da ordenação de mulheres para as ordens sacras da parte dos Anglicanos. Acredito que tal postura trará bons resultados para a discussão em torno do celibato obrigatório. Em uma palavra: trata-se de uma postura histórica.
A atitude do Papa Bento XVI significa um avanço da Igreja Católica, mas acredito que o fato de um Padre ser casado não lhe tira a capacidade de continuar sendo sacerdote. Um Padre casado poderá atuar tão bem, ou até melhor que um não casado. Pois quem vive a situação ( de casado) poderá ser um melhor orientador aos fiéis.
A Igreja Católica deve rever a Lei do Celibato, dando opção aos Padres de decidirem se querem ou não se casarem, sem lhes tirar os direitos de sacerdotes.