Escrevo estas linhas por comemorar, na data de amanhã, os 50 anos de minha ordenação sacerdotal, celebrada solenemente na Igreja de São José, de Ribeirão Preto – SP, pelo Arcebispo Dom Luís do Amaral Mousinho, titular daquela Sé Metropolitana, de santa e inesquecível memória.
Pertencia, então, à Ordem dos Agostinianos Recoletos em cujo Seminário Maior, a Capelinha de Nossa Senhora Aparecida de Franca – SP, concluí os estudos da carreira eclesiástica, depois de 11 anos de permanência naquele Convento, de cujo convívio só trago saudade; e para com a Ordem Agostiniana Recoleta, que me acolheu, uma profunda gratidão pela formação cultural, moral e teológica, recebida com a qualidade da doutrina e ensinamentos de Santo Agostinho, o maior luminar da cultura ocidental e Doutor Exímio da Igreja, Bispo de Hipona, convertido após 33 anos de procura da Verdade e de Deus.
Ordenado padre no dia 1º de novembro de 1959, no final do ano seguinte, vim para as missões da Prelazia de Lábrea, no Rio Purus – AM, onde permaneci até 03/06/1970, quando saí, desde então vivendo em Manaus, casado, feliz e realizado com uma Família maravilhosa, sendo minha esposa, Ilza Maria Sampaio, meus filhos, Bianca e Paulo Henrique, ambos advogados, ela casada com Valmir Nunes, que me deram três lindos rebentos de amor, Victório, Victor eVictória, e dão vida e alegria à minha antiga idade .
Assim sendo, cumpre-me comemorar, amanhã, as bodas de ouro da minha ordenação sacerdotal, que imprimiu espiritualmente em meu ser o caráter eterno do Sacramento da Ordem, que, desde que o recebi, o venero e guardo na vivência de cada dia, sem jamais tê-lo conspurcado, ao contrário, o revitalizei depois do meu solene casamento na nossa Igreja Catedral, realizado com o rito civil e religioso. Agreguei, então, ao Sacramento da Ordem, que me fez padre eternamente, a graça do Sacramento do Matrimônio, que me fez casado para sempre, ambos investindo-me dos dois respectivos sacerdócios, que, hoje, marcam a vivência cinqüentenária de minha vida dedicada ao primeiro, porém, vivificada espiritualmente pela graça específica do segundo, sendo ambos os ministérios, de igual tamanho e importância, que se completam na economia sacramental. Sinto-me, por isso, jubilado e rejubilado, celebrando minhas BODAS AURÍFERAS DE SACERDÓCIO, com a alma repleta de ufania, tomada de profunda satisfação, salientando que, por mercê de Deus e pela proteção de Maria Santíssima, Mãe dos Sacerdotes, venci todos os sacrifícios, salientando, no entanto, que a vivência do segundo é bem mais difícil que a do primeiro.
Aliás, o(a) leitor(a) que não me conhece e sabe que padre católico é obrigado ao celibato e os que saem são destituídos de suas ordens pelo Vaticano, não é para se escandalizar, se escrevo esta mensagem, festejando o evento, por cujo alcance lutei esses 50 anos, esmerando pela realização e conservação do meu estado ministerial, como numa igreja ambulante, sempre aberta e disposta aos respectivos serviços, quer a pedido, quer por ímpeto do dom sacerdotal existente em mim, como quando exerci o ministério pleno, durante 5 anos seguidos e continuadamente, com celebrações semanais, eucarísticas e sacramentais, em minha propriedade, localizada no km 150 da Estrada AM-10, na linha divisória que marca o limite com a Prelazia de Itacoatiara.
A área citada, povoada de irmãos separados, era desassistida de serviço religioso católico e habitada por grande colônia de nordestinos, que pediram a minha co-participação nas suas rezas semanais. Os fiéis, sabedores de minha condição de padre casado, convieram na construção de uma ampla Capela dedicada a Sta. Rita de Cássia, onde passei a celebrar e realizar, aos sábados os ofícios religiosos e aos domingos a santa Missa, a que acorriam toda a comunidade e muitos convidados, ocupando os vinte bancos existentes, sem nenhum protesto contra o celebrante, padre casado. Aliás, houve, apenas, um protesto, o do Bispo da Prelazia de Itacoatiara, Dom Jorge Maskert, “in memoriam”, que, depois de tanto tempo, já com vida religiosa organizada, ordenou-me deter imediatamente a minha atividade missionária e sacerdotal, sob as penas da excomunhão, o que, a conselho de colegas, “pro bonum pacis”, vi-me obrigado a atender, embora com a revolta da comunidade e minha, também, em dose maior e com lágrimas.
Assim, no meu sentimento, vivido ao meu modo, o meu sacerdócio eterno, entendo que tenho sobrados motivos para jubilar-me e rejubilar-me nesta data, celebrando, mesmo virtualmente, sem os grandes festejos alusivos a tão grande efeméride, as minhas BODAS DE OURO SACERDOTAIS, concelebrando a Eucaristia, com alguns colegas padres casados, na minha própria residência, presentes nossos Familiares, cantando as glórias do nosso sacerdócio de padres casados, NO SEU SIGNIFICADO PROFÉTICO perante a Igreja e a Sociedade, com a doação de nossas vidas, colocando-nos, enquanto nos seja possível, como é, ao serviço do Reinado de Jesus Cristo no coração da humanidade.
Permito-me, pois, na constante e onímoda solidariedade que mantenho com meus Irmãos, Padres Casados, vir de público lamentar que a Igreja Católica, tão necessitada de operários para a sua messe, esteja desprezando esse sem-número expressivo deles, uns 5.000 existentes no Brasil e uns 100.000, no mundo; e, em face desse desprezo, uma grande maioria deles nem freqüenta mais os cultos religiosos. Neste caso, evoco a defesa deles, pois, além de depreciados em todo o mundo, o Vaticano ainda lhes provoca gritante e justo protesto, em razão das restrições de ofício, que lhes impõe, quando lhes remete a licença canônica, tão esperada para a regularidade civil e religiosa de suas vidas. Nesse ato, que devia ser gratulatório e promocional, ao contrário, vem um pacote de proibições contra os seus Direitos Civis e Divinos, que vale como uma excomunhão ou como uma carta de banimento com as desgraças que, iguais, a Igreja não acomete a nenhum outro fiel, numa medida que revolta aos padres casados, rebaixando-os à ínfima condição de réus, aliás, motivo justo por que se ausentam de freqüência à Igreja e aos seus cultos.
Tais restrições são impostas aos padres casados num documento, chamado RESCRIPTO, numerado e datado, o meu é de Nº 2170, de 10.08.1971, da Congregação da Doutrina da Fé, que se assemelham a uma carta de prescrição, forçando o padre casado a um exílio para fora da comunhão eclesial, como se pode constatar com as seguintes penas, comuns a todos os casos: “1 – não pode morar em lugar onde seja conhecida sua condição de padre; 2 – não pode realizar nenhuma função sagrada a não ser ouvir confissão de enfermos prestes a morrer; 3 – não pode pregar a homilia e nem tomar parte ativa nas funções litúrgicas; 4 – não pode desempenhar ofícios do tipo pastoral, nem ser Reitor, Diretor Espiritual ou Professor de Seminários, Universidades Católicas ou Faculdades Teológicas; 5 – não pode ser Diretor de Escolas Católicas e nem Professor de Religião nas escolas”, sendo que, ao final, releva ao poder da autoridade episcopal local e ao seu prudente juízo dispensar o padre casado de tais restrições, cabendo aos Senhores Bispos atender, quando solicitados, ao padre casado interessado na posse e no uso dos seus direitos acadêmicos, pastorais e religiosos, como a qualquer batizado.
O Autor, com sua situação de padre casado reconhecida por um sem-número de amigos e conhecidos, em toda a parte, neste Estado, e em boa parte, neste Brasil, como faz questão de se identificar em qualquer situação, até com placa de bronze no portão de sua residência, lamenta e deplora essa situação de descaso e/ou desprezo que a Igreja Católica Romana comete contra o numeroso grupo de padres casados em todo o mundo. Estes, fiéis ao seu chamado batismal e vocacional, também, aos seus deveres matrimoniais, só são lembrados pelo Vaticano, quando lhes proíbe de exercerem o seu sacerdócio, expurgados com a carga das restrições excomunicatórias que lhes é imposta, com as penas, ínsitas nas restrições, acima enunciadas. Assim, os padres casados quedam-se desconhecidos e/ou inexistentes no seio da Mãe-Igreja, sem nenhum lugar nos cultos litúrgicos, restando abaixo de um simples leigo, última categoria no computo geral de fiéis, reduzidos ao nada. Urge, de vez e de imediato, que seja extinta essa situação deprimente que resta aos padres casados na Igreja, quando a maioria deles, agora enriquecidos pela graça de mais um Sacramento, ao invés de serem exilados dos cultos católicos, devem ser recebidos de retorno para celebrá-los, investidos do seu sacerdócio.
O Autor, solidário a todos os seus colegas, PADRES CASADOS do Brasil e do mundo, permite-se esta MENSAGEM, na comemoração de suas BODAS SACERDOTAIS, sendo de 50 anos, dos 75 de sua vida, que permanece na expectativa do advento dessa hora em que cessará esse estado humilhante em que vivemos, fora e sobretudo dentro da Igreja, pelo que vem conclamar a todos, jovens e idosos, no sentido de que resistamos, COMO PROFETAS DA DIÁSPORA, dispostos a integrar o serviço do reino, cuja vitória não pode prescindir de nossa presença e de cuja convocação não podemos nos furtar, CABENDO-NOS A FÉ NO OBJETO, QUE HÁ DE CHEGAR, MESMO ARROSTANDO AFLIÇÕES QUE NÃO FALTARÃO ATÉ O FIM, AO EXEMPLO DELE QUE “VENCEU O MUNDO” (João, 16-33), para o TRIUNFO DO SEU REINO, com a glorificação eterna do seu nome, “JESUS CRISTO, HOJE E SEMPRE”, nos quadrantes da terra!!!
Esta é a minha MENSAGEM JUBILAR que, com a vênia da Sé Apostólica, ofereço aos Padres Casados, meus sofridos Irmãos da diáspora, comemorando as BODAS DE OURO DE MEU SACERDÓCIO, como PADRE CASADO, pelo que agradeço a compreensão de todos e me encomendo às suas orações, subscrevendo-me de todos afetíssimo, “EX CORDE IN XPTO”,
VICTÓRIO HENRIQUE CESTARO,
Padre Casado e Advogado
Respostas de 7
Gostaria de ser padre porém sou pastor e soube que pdre agora pode se casar me responda por favor.
Parabéns Padre e Dr.Victório! Dia 08 próximo também comemoraremos as boas sacerdotais de meu marido, Mauro Dâmaso. Todos os dias agradeço a Deus esta dádiva, a de me ter concedido a graça de uma homem de bem, culto, que fez de nossa família, seu segundo e verdadeiro sacerdócio. Que Deus os iluminem e dê vida longa cheia de saúde e paz. PARABÉNS! Norma Santarosa.
Você já pensou em se tornar ortodoxo?
Apesar de nâo concordar com o celibato sou um católico devido tradição familiar, porém não concordo com todas as ideias da igreja catolica porque sei que é uma igreja tradicionalista e não aceita mudanças. A igreja catolica prefere sacerdotes homosexuais do que sacerdotes casados e é por isso que a igreja esta sofrendo tantas açoes judiciais com padres que são pedofilos e desequilibrados.Se a igreja não mudar sua visão ela vai perder espaço para as outras. Sabemos que o alto escalão da igreja investe em marketing para mudar a imagem da instituição, eles comanda a igreja como uma empresa e fazem de padres artistas, cantores para atrair os jovens.Para a minha familia sou um catolico rebeude porque digo que respeito quem crê em santos mãs não peço nada para eles porque tenho Deus como meu único PAI e para ele todos nós devemos fazer de tudo para sermos santo.Tenho a seguinte opinião de que os padres casados que foram expulsos pela administração da (empresa) Igreja Catolica Apostolica Romana, que montem sua igreja .
Sou um padre e acabei de “sair” para constituir uma familia com minha amada e santa mulher. Estou sentindo uma imensidade de dores e sofrimentos pelo que acabei de realizar na minha vida. E’ para ficar maluco e morto. Gracas a Deus por este site que me consola de uma maneira. Realmente, quando o padre ama de verdade, a Igreja pune sem misericordia. Esta Igreja que amo profundamente precisa adquirir um pouco de compaixao do Mestre Jesus. Afinal de contas, e’ a Igreja de Cristo e nao dos solteiroes e homosexuais (com todo o respeito)!
Sou padre casado e feliz! Tenho uma esposa maravilhosa; Maria Aparecida Lopes Faustino e um casal de filhos: Rafaela, 18 anos e Radman Gadiel, 15 anos.Na Igreja minha esposa e eu exercemos a função de ministos da Eucaristia e nossos filhos, a função de catequistas. Nosso Deus, nossa Mãe do Céu e nossa Igreja estão em primeiro lugar sempre. Todos os dias às 21,30h temos nossa oração familiar, onde discutimos assuntos do dia e meditamos a Palavra de Deus. E isto foi tudo o que nossa Igreja local de Rondonópolis, pode nos proporcionar, apesar de todas as restrições já mencionadas por nosso irmão Victório Henrique. Acho que foi a decisão mais doida para se tomar, porém, a mais acertada da minha vida.É claro, o sacramento que mais me construia ao ministrá-lo (confissão) não pude mais ministrar, tenho que contentar-me em somente recebê-lo. Mas, este é o preço que se paga por toda escolha que se faz. Um abraço, amigos!
Pe. Victòrio estou passando por uma situação muito dificil e lendo seu artigo e sendo o sr casado podera me entender e talvez me ajudar e aconselhar por se puder entre no meu msn pra converssarmos e lhe contarei toda minha historia me sofrimento por amar um padre me ajude por favor!
Obrigada aguardo ansiosamente seu contato.
Flor