FONTE: http://www.ihu.unisinos.br/
Publicamos aqui o Apelo à Desobediência da Iniciativa dos Párocos Austríacos.
O texto foi publicado na página da iniciativa, www.pfarrer-initiative.at, 19-06-2011.
A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis o texto.
A recusa de Roma a uma reforma da Igreja há muito esperada e a inatividade dos nossos bispos não só nos permitem, mas também nos obrigam a seguir a nossa consciência e a agir de forma independente.
Nós, padres, queremos estabelecer, no futuro, os seguintes sinais:
1. Rezaremos, no futuro, em todas as Missas, uma oração pela reforma da Igreja. Levaremos a sério a palavra da Bíblia: pedi e receberei. Diante de Deus, existe a liberdade de expressão.
2. Não recusaremos, em princípio, a Eucaristia aos fiéis de boa vontade. Isso é especialmente verdadeiro aos divorciados de segunda união, aos membros de outras Igrejas cristãs e, em alguns casos, também aos católicos que abandonaram a Igreja.
3. Evitaremos celebrar, se possível, nos domingos e dias de festa, mais de uma Missa ou de encarregar padres em viagem ou não residentes. É melhor uma liturgia da Palavra organizada localmente do que turnês litúrgicas.
4. No futuro, vamos considerar uma liturgia da Palavra com distribuição da comunhão como uma “Eucaristia sem padre”, e assim nós a chamaremos. Dessa forma, cumpriremos a nossa obrigação dominical em tempos de escassez de padres.
5. Rejeitaremos também a proibição da pregar estabelecida para leigos competentes e qualificados e para professoras de religião. Especialmente em tempos difíceis, é necessário anunciar a Palavra de Deus.
6. Comprometer-nos-emos a que cada paróquia tenha o seu próprio superior: homem ou mulher, casado ou solteiro, de tempo integral ou parcial. Isso, no entanto, não por meio das fusões de paróquias, mas sim mediante um novo modelo de padre.
7. Por isso, vamos aproveitar todas as oportunidades para nos manifestar publicamente em favor da ordenação de mulheres e e de pessoas casadas. Vemo-los como colegas, e colegas bem-vindos, ao serviço pastoral.
Além disso, sentimo-nos solidários com aqueles colegas que, por causa do seu casamento, não podem mais exercer as suas funções, mas também com aqueles que, apesar de um relacionamento, continuam prestando seu serviço como padres.
Ambos os grupos, com sua decisão, seguem a sua consciência – como nós fazemos com o nosso protesto. Nós os vemos, assim como o papa e os bispos, como “nossos irmãos”. Não sabemos o que mais deve ser um “coirmão”. Um é o nosso Mestre – mas somos todos irmãos. “E irmãs” – se deveria dizer, no entanto, entre os cristãs e cristãos.
É por isso que queremos nos levantar, é isso que queremos que aconteça, é por isso que queremos rezar. Amém.
Uma resposta
Neste tempo de profunda crise que passa a Igreja, vozes como estas nos trazem esperanças.
Bom seria que em todos os recantos da terra existissem grupos de padres corajosos como estes.
A Hierarquia Romana precisa e tem o dever urgente de orvir o clamor dos padres e o do Povo de Deus, por mudança profundas na Igreja: revolução ministerial, sacramental, etc. Devolver a Igreja ao laicato, nas mãos de quem nunca deveria ter saido.
Infelizmente,a cúpula romana, burocrática e intransigente, de pouco Espírito “Evangélico”, saudosa do poder temporal, indiferente com os pobres e pouco pobre, indiferente ao sofrimento humano, indiferente as necessidades espirituais do povo, tapa os olhos e ouvidos as necessidades da Igreja Povo de Deus.
Infelizmente, passo cada vez mais acreditar que para mudanças profundas e necessárias na Igreja não existe outro caminho senão por meio de reformas e consequentemente a desobediência em pró da salvação do verdadeiro Espírito do Evangelho.