O jeito que os alemães encontraram para explicar a homossexualidade para crianças

Acabo de receber. Achei muito interessante e numa linguagem simples e respeitosa. Sem nenhuma apologia ou incentivo à homossexualidade, mas simplesmente constatando o fato da sua existência. E terminando com a frase de ouro, da boca da mãe: Homossexualidade é apenas uma forma de amor. E o amor é a única maneira de ser feliz” . Como não vale a pena continuar a  fingir que o problema não existe, ou que só pode acontecer na casa dos outros, achei por bem REPASSAR João Tavares

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O jeito que os alemães encontraram para explicar a homossexualidade para crianças

A homossexualidade esta cada vez mais comum em nossa sociedade e com o aumento da homossexualidade, vem junto o aumento do preconceito e a não aceitação de boa parte da sociedade. Querendo ou não uma hora esse assunto vai aparecer na sua família e vocês precisam saber como abordar este tema.
Todos somos livres para escolher nossa opção sexual , assim também como não devemos satisfação a ninguém. Uma revista alemão criou uma historia em quadrinhos para abordar o tema da homossexualidade nas escolas e explicar de uma vez por todas esse tema de forma direta, eles abordaram de forma clara e sem nenhum tipo de preconceito, tanto que outros países já importaram essas cartilhas .
Falta chegar aqui no Brasil para que possa acabar de uma vez com o preconceito. O que vocês acharam do modo em que eles abordaram esse tema tão polemico na sociedade?
Posted by Italo Eduardo Volpato Calizotti  |  Tagged as: 

Respostas de 13

  1. Obrigada João, achei muito bom. Bem melhor do que as cartilhas que, faz um tempo, inventaram para as escolas aqui e que segunda a nossa “filha” Elisia, que é agora diretora de uma escola em Santa Maria, eram “bem pesadas”. Eu nunca as vi, somente ouvi críticas.
    Infelizmente o texto fala na introdução de “escolher nossa opção sexual“, quando devia rezar ”viver nossa orientação sexual”. Porque não é uma escolha, eles SÃO.
    Irene

  2. É assim mesmo que, patrocinados por grupos financistas “se faz a cabeça” de quem prefere, entanto permanecer ao lado da lei natural e da lei de Deus, respeitando a condição mas não atos legalizados em nome de quem somente quer se justificar em seu comportamento.
    Daqui a pouco homossexualidade vai ser imposição. Tô fora… count me out. O Papa Bento XVI nos instrui de outra forma.
    Aldo Pagoto – arcebispo de João Pessoa – PB

  3. As legendas do original alemão são mais convincentes
    que as da tradução em português…

  4. OK, li tudo, mas preciso digerir, vou passar um tempo pensando nisso. Aparentemente é interessante, mas vamos ver.

  5. Muito interessante! Concordo que toda forma de amor vale a pena! Mas, nossa sociedade ainda precisa caminhar a passos largos para aceitar as diferenças e amar sem escolher a quem.

    Hoje, já avançamos no campo legal com leis que amparam as mulheres, vítimas da violência. Temos Programas de transferência de renda para os brasileiros que, historicamente foram excluídos. Avançamos também, nas legislações na área dos idosos e das pessoas com deficiência. No entanto, existe ainda um longo caminho para que, o legal, se torne cidadania plena.

    Nossa educação é excludente! Precisa avançar na perspectiva da formação integral, onde não existam brasileiros de segunda categoria como, negros, índios, deficientes, homossexuais, velhos mas, sim, cidadãos no exercício pleno dos seus direitos.

    O preconceito é tão forte contra a homossexualidade que, muitos pais, fruto dessa educação que estabelece esse apartheid, passam a ser algozes dos próprios filhos como punição/correção, sua e daqueles a quem deveriam amar incondicionalmente!

  6. Muito obrigado pela mensagem. Partilho essa teoria, mas vejo que nem todos estão de acordo. Muito obrigado por tudo o que você me mande. Estou aproveitando de tudo, informando os outros que aceitam essas novidade e tento convencer quem não está de acordo!

  7. O problema existe. Entretanto, acho que os alemães tratam de maneira muito simplista a situação, pois mostram nesses quadrinhos apenas uma face da questão, deixando de lado as implicações de uma união de pessoas do mesmo sexo.
    Acho, salvo melhor juízo, que há um pouco de apologia aos gays nessa história.
    Esclareço que não tenho um mínimo de preconceito contra os gays até porque tenho alguns amigos que fizeram essa opção.
    Se me perguntassem de que maneira deveria ser explicado o problema em questão eu responderia: não sei.

  8. Muitos, na tentativa de justificarem a homossexualidade, dizem que ela não é um desajuste mas uma opção. Há de se ponderar:
    1) que toda opção de qualquer pessoa,(independentemente da natureza de seu comportamento sexual), de modo consciente ou inconsciente, tem uma motivação;
    2) que a ou as motivações dos homossexuais são diferentes das motivações dos heterossexuais;
    3) opção em qualquer matéria ou comportamento humano de qualquer espécie que seja, (não apenas sexual) é uma escolha entre várias possibilidades, e, pelo simples fato de ser escolha, não justifica a si mesmo. Caso contrário teríamos que justificar a opção dos pedófilos, necrófilos, zoonófilos, estrupradores, ladrões, bandidos e assassinos.
    Se a opção por si mesma não se justifica, para qualquer opção tem que haver um motivo que a justifique. Como terapeuta já fui procurado por muitos homens homossexuais que desejavam deixar de ser e, com a terapia de regressão de idade, conseguiram, pois perceberam por si mesmos que a motivação inconsciente, que os impulsionava a tal prática, era neurótica, ou seja, o mau relacionamento com os pais ou com um dos pais, e isto de várias maneiras. É claro que a minha experiência~, no assunto, embora muito grande, nunca teve a pretensão de opinar sobre aqueles homossexuais que se acham realizados e felizes como tais, e que nunca precisaram ou pelo menos nunca procuraram terapia para o assunto.
    Quando fui entrevistado pelo Jô Soares sobre o assunto, ressaltei o valor e as qualidades que muitos homossexuais têm, e afirmei que a gravidade do distúrbio deles é a mesma minha ao ser um bebedor de café. O que gera o comportamento deles e o meu é uma motivação, quase sempre inconsciente. Quem quer se libertar de algo, que o incomoda, procura descobrir a motivação que o mantém.
    Na sociedade encontramos inúmeras pessoas, que agridem roubam, mentem, caluniam, e prejudicam o próximo, de mil maneiras. A nenhuma delas podemos dizer que seu comportamento é normal por ser uma opção. Também ao homossexual não podemos dizer que seu comportamento é normal. O que não está de acordo com a “norma” não é normal. Não pode ser normal um comportamento que, em si, adotado por todos, traria a extinção da espécie humana.
    Geralmente se usa a palavra “preconceito” para tudo, sem examinar o significado da palavra. Preconceito quer dizer pré-conceito, ou seja, ter uma posição sobre algo antes de se ter um conceito, um fundamento teórico sobre o mesmo. Dizer, pois, que a homossexualidade, desde os tempos da Bíblia, não é um comportamento adequado ao homem, não é um preconceito, mas um conceito.
    Quanto à cartilha alemã, só o fato de ser publicada já é um incentivo à homossexualidade, pois os exemplos funcionam mais do que as palavras. Haja vista a publicidade comercial. As imagens falam mais que as palavras. Ninguém coloca uma velha feia e doente bebendo cerveja para fazer publicidade daquela marca.
    Toda a publicidade é amplamente estudada para influir no psiquismo. Embora não pareça são totalmente diferentes as expressões: 1) “Se você vai dirigir, não beba” e 2) “Se você beber não dirija”. Nestes exemplos se incentivam: no primeiro caso a bebida, e no segundo o ato de dirigir, ou seja: No primeiro caso, de modo inconsciente, assimilo: “Posso beber o tanto que eu quiser, desde que não dirija”. No segundo caso temos: “Posso dirigir o quanto eu quiser desde que não beba.”
    Se fosse válido fazer publicidade só porque o fato existe em sociedade, teríamos que ensinar às crianças os crimes, os roubos, os assaltos, pois eles também existem.
    A criança ainda está em formação. Ela não tem ainda a noção exata do que é uma família, de como são os relacionamentos humanos, é muito cedo para ela aprender. É inconcebível na mente de um pedagogo dar um ensinamento antes da época certa. É bom lembrar-se que o conhecido homossexual Clodovil afirmou de modo categórico: “eu não nasci homossexual, ensinaram-me a se-lo”.
    . A parte final da propaganda diz: “A homossexualidade
    é apenas uma forma de amor. E o amor é a única forma de ser feliz.” Crítica: a conclusão foi um sofisma. Como se diria na filosofia: “gratis asseritur, grátis negatur.” (grátis se afirma; grátis se nega) A palavra amor não está bem conceituada, principalmente para a criança. A palavra amor está muito deturpada na sociedade. Pelo menos entre nós não deve ser assim.
    Poderíamos trocar a primeira assertiva por: “A homossexualidade, quer genético, fisiológico, funcional, ou psicológico, é um distúrbio.
    Ninguém tem o direito de julgar e condenar a pessoa, mas também não tem o direito de justificar os erros de cada um, seja qual for a natureza deles.

  9. João Carlos e todos,
    Nâo é uma opção!! Eles nascem assim. Ninguem vai ESCOLHER de pertencer a uma minoria que é menosprezada, ridicularizada, muitas vezes perseguida. Eles sofrem com este seu “jeito de ser”. Muitos dos jovens não conseguem aceitar a sua maneira de ser e se suicidam.

  10. Sim, acontece na casa da gente, sim, mas acho esquisito ser com o “papai”. Por que ele não assumiu logo sua homossexualidade e foi viver logo com um homem, em vez de primeiro se casar e ter filho com uma mulher? “virou” gay de repente?

    Segundo os próprios homossexuais, não existe isso do cara ser hétero e de repente virar homo, então eu imagino a infelicidade desse “papai” enquanto vivia com uma mulher, e que drama deve ter sido para ele ter relações com ela a ponto de ela engravidar.

    É o único senão que tenho a essa HQ. Acho que poderia ser mais apropriado se fosse um irmão mais velho do garoto, ou um tio próximo, ou um primo da mesma idade. Seja por amor a outra mulher ou outro homem, um casal separado nunca é legal.

  11. Monica,
    infelizmente acontece com alguma frequência que o papai, ou a mamãe assume a sua homossexualidade. Eu conheço 3 casos destes, duas são mães. Eu acho que eles simplesmente não tiveram a coragem de se assumirem gays ou lésbicas quando jovem por causa da homofobia existente. Lutaram contra e esperavam que com um casamento hétero poderiam resolver o problema – mas pelo visto uma condição com a qual se nasce não tem cura….
    Ai, se todo mundo nascesse hétero a vida seria mais fácil especialmente para “eles/elas”. Mas como diz o brasileiro: “Deus sabe o que faz….”???
    A cartilha é realmente um pouco “simplista” como o João Carlos diz. Mas para crianças acho que tem que ser assim…???

  12. Irene,
    Respeito a tua ideia de que gay se nasce. Mas sabes que, como bem diz Onofre Menezes acima, há outras teorias sobre se ser gay é uma imposição inelutável da natureza ou se, pelo contrário, é uma opção tomada na infância ou na adolescência por motivações complexas, sócio-psicológicas.

    Onofre distingue homossexualidade genética, fisiológica, funcional e psicológico. Eu acrescentaria a possibilidade de uma homossexualidade adquirida devido ao ambiente social e familiar da infância e da adolescência. Sub-pais e supermães aparecem, com certa frequência, na família de quem se descobriu ou optou ser homossexual. Pais repressores e mães submissas e humilhadas, também.

    Acontece também que, na vida intensa de trabalho de pais e mães, por vezes eles não encontram tempo para a devida atenção à evolução afetivo-sexual dos filhos. Que ficam entregues a si mesmos e se vão identificando com a patota da sua idade e ambiente.

    Aí os psicólogos falam de problemas mal resolvidos de fixação/rejeição em cada um dos pais e também em irmãos, tios, primos, etc, por parte da criança e do adolescente.

    Tenho a nítida impressão de que tanto o lobby gay quanto seus adversários estão simplificando demais o assunto.
    E, também, de que já há fortes grupos políticos querendo faturar nessas águas turvas.
    Provas disso são cartilha do PT sobre homossexualidade, a ser distribuída nas escolas e em boa hora vetada por Dilma, e a fantasia da possibilidade da “cura gay”, desejada e promovida pela bancada “evangélica” no Congresso.

  13. João, em resposta ao Onofre que compara homossexualidade com roubos e assaltos, o texto abaixo. Recebi da AVAAZ que me manda tudo e qualquer coisa porque já assinei pedidos de assunatura deles (poucos):

    Estimados Senhores Bispos,

    É a primeira vez na história, tanto quanto se saiba, que todos os fiéis, inclusive nós Católicos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), fomos convidados a nos expressar como sujeitos sobre temas tão importantes para o futuro da nossa Igreja. Aqueles que escrevemos esta carta estamos longe de nos sentirmos no direito de responder por tantas pessoas diferentes, contudo sentimo-nos honrados pelo convite e queremos pelo menos tentar responder à altura.

    É evidente que nos faltam conhecimentos para responder à maioria das perguntas do questionário, por isso vamos nos ater somente às que nos dizem respeito diretamente. Antes, porém, gostaríamos de comentar brevemente quatro pontos que fluem de temas fundamentais da consulta.

    O primeiro ponto é sobre o próprio termo Família. Gostaríamos de expressar que todos nós, como pessoas LGBT, filhas e filhos de Deus, nascemos no seio de famílias, das mais diversificadas, e todos nós buscamos viver em família, seja ela eletiva ou biológica. Como Católicos, sabemos que Nosso Senhor Jesus Cristo sempre promoveu e promove mais a família eletiva que a biológica. Ou seja, consideramos que o discurso Católico sobre a família nos toca profundamente, sobretudo porque estas palavras de Jesus nos ressoam: “A minha mãe e os meus irmãos são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática” (Lucas 8, 21). Temos as mais variadas experiências de vida familiar: para alguns de nós, o fato de sermos LGBT foi aceito com tranquilidade pelos nossos irmãos, pais, primos e outros. Para outros, o fato provocou – e continua provocando – muito sofrimento, seja em nossos parentes mais próximos, seja em nós mesmos. Em suma, queremos dizer que os dramas da vivência da fé em família não nos são alheios. Por isto, não podemos deixar de notar que, até agora, o discurso eclesiástico sobre a família nos trata como se fôssemos os inimigos da família, hostis de alguma forma à sobrevivência da mesma. Porém, nenhuma dinâmica familiar pode ser considerada saudável se alguém nela é tratado como ovelha negra (ou rosa). E isto nos leva a pedir que os Senhores não insistam em “defender” a família contrapondo-a aos direitos e à estabilidade psíquica e espiritual das pessoas LGBT. Estas “defesas” soam como forma de se imiscuir de maneira pouco evangélica em vivências familiares complexas em que todos sairiam ganhando se o assunto fosse tratado com honestidade, escuta, paciência e carinho.

    O segundo ponto envolve a noção de Lei Natural. Mesmo que a terminologia não seja muito comum no nosso meio, a realidade visada nos é muito presente. Grande parte dos avanços no trato digno e humano das pessoas LGBT tem sido fruto da crescente consciência tanto em nível científico quanto em nível popular de que nós, LGBT, somos assim não por qualquer defeito ou deficiência, mas simplesmente como algo que é. Sendo assim, como é o caso com todas as pessoas, o nosso comportamento digno é fruto daquilo que somos. Ou seja, é a partir de ser, e não apesar de ser, LGBT que entramos, imbuídos com a força do Espírito Santo, naquela participação consciente e ativa em nos tornarmos aquilo que Deus quer para nós, que caracteriza a Lei Natural. Aprender aquilo que é, na prática, ser filha ou filho de Deus tendo como um dos aspectos – um elemento pequeno, mas não desprezível – de sua identidade o ser LGBT, é uma grande tarefa de humanização para todos nós. Nesta tarefa não ficamos isentos de todas as possibilidades, tanto de pecado quanto de santidade, que desafiam qualquer pessoa. Contudo, observamos que quando a autoridade eclesiástica fala da Lei Natural, ela assume – aparentemente, sem se questionar – que somos de alguma maneira marginais ao tema, somos julgados de maneira sempre negativa, por causa de nossas inclinações que se supõem serem “objetivamente desordenadas”. Ora, fica cada vez mais claro que a versão eclesiástica atual da Lei Natural carece de evidência na realidade. Por isso, exortamos os Senhores Bispos a não utilizar a Lei Natural como arma eclesiástica contra as pessoas LGBT e que deem mais espaço à dimensão da Lei Natural que consiste em aprender por observação aquilo que realmente é, pois só assim serão conhecidos e respeitados os desígnios do nosso Pai, Criador de todas as coisas, nas nossas vidas. Só assim nos ajudarão a caminhar segundo a vontade d’Ele.

    O terceiro ponto trata do termo Pastoral. Desejamos ardentemente a existência de uma verdadeira Pastoral LGBT no Brasil. Sabemos que nenhuma pastoral que não esteja fundamentada na Verdade pode produzir bons frutos. E, de fato, há um grave problema aqui, um dilema: ou somos pessoas heterossexuais consideradas defeituosas, ou somos pessoas LGBT normais. No primeiro caso, a Pastoral consistiria em nos ensinar a viver uma estrita continência sexual, lutaria contra qualquer forma de reconhecimento da nossa vida em comum, seja no civil seja no religioso, e talvez até propusesse métodos para nos “curar” da desordem profunda que nos é atribuída. No outro caso, a Pastoral teria a missão de nos ajudar a florescer e crescer na fé a partir daquilo que somos; seu interesse se voltaria, entre outras coisas, para a formação e estabilidade da nossa vida conjugal e familiar, inclusive através da adoção de filhos, e para fortalecer nosso compromisso com os mais sofridos através de projetos sociais; e sobretudo, se empenharia em melhorar a vida de tantas pessoas, especialmente das camadas mais empobrecidas e marginalizadas de nossa sociedade, que sofrem todo tipo de discriminação no trabalho, na educação, na saúde e outros âmbitos, por sua condição de LGBT, chegando até o ponto de serem jogadas na rua pelas suas famílias, e a se prostituírem para sobreviver.

    A situação real na Igreja, no entanto, é que as autoridades eclesiásticas não conseguem reconhecer publicamente sequer que existe uma questão sobre a verdade a ser confrontada, embora no íntimo, tantos o saibam muito bem. O resultado, que vemos no dia a dia, é um mundo onde os leigos vão se dando conta cada vez mais facilmente de que não há nenhuma desordem objetiva intrínseca ao fato de alguém ser LGBT. Mas o clero, mesmo sabendo que muitos pertencem à nossa tribo, não consegue tratar deste assunto honestamente. E ainda menos os Senhores, cuja fala nesta esfera costuma ficar semelhante (com desculpas pela comparação) aos discursos de outrora: “Nós fingimos ensinar, e o povo finge aprender”. O resultado é que uma verdadeira e oficial pastoral católica LGBT fica impossível! Os esforços pastorais hoje existentes, a partir dos quais escrevemos esta carta, sobrevivem na clandestinidade, sem acolhimento sincero, aberto e fraterno, em espaços eclesiais não reconhecidos como tais. Pedimos, então, não como mera questão acadêmica, mas como urgente exercício de responsabilidade pastoral, que os Senhores busquem a maneira de entrar pública e honestamente no processo de elucidar conosco aquilo que realmente é neste campo. Sem medo da verdade, pois sem ela, nenhuma Pastoral Católica é possível. O medo da verdade, além de pouco eficaz para a ação pastoral, também é inútil, pois, como lemos na Declaração Dignitatis Humanae, n.1, do Concílio Vaticano II, “A verdade não se impõe de outro modo senão pela força da própria verdade.”

    O quarto e último termo é a Evangelização. Observamos com grande alegria a maneira como o Papa Francisco tem abordado este tema na Evangelii Gaudium e sentimo-nos plenamente convocados a participar desta nova evangelização. De fato, muitos de nós já estamos fazendo isto de diferentes maneiras, exatamente como pessoas LGBT que vivenciam profundamente a fé – infelizmente, sem qualquer apoio da Igreja institucional. Mas nos sentimos animados pelo Papa quando ele nos disse na JMJ 2013 que assim tem de ser, e que, mais cedo ou mais tarde, os Senhores irão descobrir que nós estávamos fazendo aquilo que devíamos, levando o conhecimento e a presença de Jesus Cristo a diferentes periferias existenciais. Gostaríamos de ressaltar que, para nós, descobrir que somos pessoas LGBT amadas como tal por Deus, convidadas à irmandade de Jesus e à nova família eletiva da Igreja, é parte da Boa Nova de Cristo. Na medida em que os Senhores insistem em tratar todo movimento em prol da dignidade e veracidade das pessoas LGBT como contrário ao Evangelho, em vez de discernir os elementos de Kairós que nos chegam por meio deste movimento, da mesma forma se condena a evangelização a ser uma repetição estéril, uma mera ideologia moralista. A nossa experiência no Brasil, amplamente partilhada pelos nossos amigos e irmãos LGBT em outros países, tanto católicos quanto cristãos de outras Igrejas, aponta para a seguinte observação: as gerações mais jovens não conseguem entender porque conhecer a Jesus implica numa caracterização, que sabem que é falsa, das pessoas LGBT com quem convivem como amigos, irmãos, filhos, vizinhos e colegas de escola ou trabalho. Para a nova e verdadeira evangelização, feita com aquele espírito de que fala o Papa Francisco na sua exortação apostólica, é imprescindível descobrir qual é o elemento de “Boa Nova” no assunto LGBT. Caso contrário, as gerações mais jovens não irão vos escutar.

    Feitas estas observações gerais, passamos a responder às perguntas da seção 5 do questionário.

    5 – Sobre as uniões de pessoas do mesmo sexo

    1. Existe no vosso país uma lei civil de reconhecimento das uniões de pessoas do mesmo sexo, equiparadas de alguma forma ao matrimônio?

    Não existe uma lei propriamente dita, mas, graças a Deus, o Supremo Tribunal Federal equiparou a união civil entre pessoas do mesmo sexo ao matrimônio civil. Após a decisão do STF, o Conselho Nacional de Justiça expediu resolução, com caráter normativo e vinculante aos cartórios, que obriga os tabeliães a registrar uniões estáveis e casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

    2. Qual é a atitude das Igrejas particulares e locais, quer diante do Estado civil promotor de uniões civis entre pessoas do mesmo sexo, quer perante as pessoas envolvidas neste tipo de união?

    Na nossa experiência, tanto a CNBB como as Igrejas particulares eram obedientemente hostis à introdução destas realidades no nosso meio, se bem que em tom menos agressivo e grosseiro que os grupos evangélicos neopentecostais que protagonizaram a luta contra nossos direitos. Em nível mais local, não causou tanto problema a nova realidade legal, e como pessoas, algumas das quais envolvidas neste tipo de união, temos poucas noticias de maus-tratos por pessoas ligadas às paróquias, mas também poucas notícias de um acolhimento com júbilo. Evidentemente há uma dificuldade em obter informações mais exatas já que, oficialmente, toda atitude acolhedora neste tema tem sido clandestina.

    3. Que atenção pastoral é possível prestar às pessoas que escolheram viver em conformidade com este tipo de união?

    Retomamos nosso terceiro parágrafo acima, sobre o termo Pastoral. Prestamos todo o atendimento que nos é possível, em meio à clandestinidade eclesial, e aguardamos o dia em que poderemos pensar, em diálogo franco e aberto com nossos Bispos, os tipos adequados de liturgia pública de bênção para estes casos, como também o acompanhamento apropriado às diferentes etapas da vida das pessoas LGBT.

    4. No caso de uniões de pessoas do mesmo sexo que adotaram crianças, como é necessário comportar-se pastoralmente, em vista da transmissão da fé?

    Há pouco a fazer enquanto as autoridades eclesiásticas ainda se sentirem na obrigação de convencer as crianças adotadas por nós, pessoas LGBT, que as suas famílias não são verdadeiras famílias, e que suas mães ou seus pais são pessoas objetivamente desordenadas que contrariam o plano de Deus ao formar uniões caracterizadas por atos intrinsecamente maus. Se ultrapassarmos esta posição, não haverá grande diferença quanto à transmissão da fé, sendo as mesmas as facilidades e dificuldades de catequese para filhos adotados por casais do mesmo sexo ou de sexos opostos. Ajudar a superar o sentido do abandono na criança, sendo que muitas delas passam por situações abomináveis antes de serem adotadas, vai muito além da mera orientação sexual seja dos próprios filhos adotados, seja dos pais adotivos.

    https://secure.avaaz.org/po/petition/Aos_Bispos_da_Igreja_Catolica_Romana_Deem_ouvidos_a_nossa_modesta_mas_honesta_contribuicao_para_o_Sinodo_2014/edit

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