Em memória de Salvador Dimech

Centenas de pessoas acompanharam no sábado, dia 16 de abril, o velório e sepultamento do padre casado Salvador Dimech, 74 anos, no cemitério Morada da Paz, em Paulista, na região metropolitana do Recife. A encomendação do corpo foi feita pelo bispo emérito de Nova Friburgo, Rio de Janeiro, Dom Clemente Isnard, acompanhado por três padres (entre eles dois Malteses) e a participação de significativo número de padres casados do grupo do Recife. Nas suas breves palavras, Dom Clemente relembrou que, como bispo emérito, foi acolhido na residência de Salvador Dimech durante mais de quinze dias para tratamento de saúde. “Conheci muitos padres na minha vida, mas poucos com o amor à Igreja e dedicação aos pobres como Salvador”, testemunhou o bispo acrescentando que  “ficava constrangido em não ceder a presidência da Eucaristia para ele por motivo de norma disciplinar da Igreja”.

De fato, a trajetória da vida de Salvador Dimech, confirmada pelos diversos depoimentos durante o velório, aponta para um homem preocupado com os mais pobres e ao serviço da Igreja. Salvador Dimech, natural da Ilha de Malta, veio para o Brasil no início dos anos 1960 para concluir a teologia no seminário de Salvador, na Bahia. Foi ordenado na Diocese de Petrolina, Pernambuco, tendo servido por mais de dez anos na Paróquia de Araripina, no sertão pernambucano.

Casado com Nágela, deixou três filhos: George, Gustavo e Alessandra. Após o casamento fixou residência no Recife, passando a morar na Praia do Janga, no município de Paulista, região metropolitana. Foi na Paróquia de Nossa Senhora do Ó, onde teve intensa participação, que desenvolveu diversos trabalhos pastorais em favor das comunidades mais carentes do bairro, apesar de suas obrigações como professor universitário. Preocupado com a situação de pobreza da então comunidade dos Macacos, Salvador pediu permissão ao vigário, padre Caetano,  para iniciar um trabalho de evangelização na localidade.  Essa ação, realizada conjuntamente com o padre casado Paulo Crespo, mudou a realidade da área que passou a ser conhecida como Comunidade São Pedro Pescador.

Lá fundou a Cooperativa São Pedro Pescador que, além de escola de primeiro grau, prestava gratuitamente serviços médicos e odontológicos, cursos de informática e outros serviços. Construiu, também, com doação de amigos da Ilha de Malta, inclusive um bispo, duas capelas, São Pedro e São Paulo. Sempre em áreas bastante carentes da Paróquia.

Apesar de todo esse trabalho de evangelização, levando o Evangelho onde sequer existia qualquer presença da Igreja Católica, não teve o respeito e a consideração da parte de alguns dos novos padres que passaram pela paróquia de Nossa Senhora do Ó. Chegou a ser afastado de suas funções, junto com sua esposa Nágela, simplesmente por ser padre casado, o que lhe causou muito sofrimento. Mesmo tendo construído a capela São Pedro, no dia da inauguração foi  “aconselhado” pelo então arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso, a não comparecer “para não confundir o povo uma vez que era casado”.  Mesmo assim não esmoreceu e continuou atuando no bairro através da Cooperativa São Pedro Pescador. O reconhecimento pelo trabalho que realizou veio do próprio povo que compareceu ao seu sepultamente, dando testemunhos, com cânticos e orações.

Félix Batista Filho

Respostas de 2

  1. Agradeço as palavras do amigo Félix Filho em nome da Família de Salvador Dimech

  2. eu o conheci era um grande homem tive e tenho orgulho do cargo que ele me colocou na igreja de sao pedro pescador do janga hoje paroquia de nossa senhora de aparecida e o padre severino obrigado por ele ter feiro o que fez

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *