“Da Igreja que temos para uma Igreja à luz do concílio do vaticano II na América Latina” – 3º Texto

Olá amigos…..a nossa reflexão continua com textos bem interessantes em preparação para o nosso Encontro Nacional de 2012, desejamos receber sugestões de novos textos ou algum relatório de como vocês estão conduzindo as reflexões com o tema proposto. Os primeiros textos encontram no nosso site desde o ano passado.

Desejamos bons estudos e contamos com a participação de todos!!!

Edson Mariano

(Texto n.º 3 para reflexão em preparação para o encontro nacional de MFPC de 2012)

“NÃO DEVEMOS TROCAR O FUNDAMENTO PELO ACESSÓRIO”

Nós, seres humanos, apreciamos e valorizamos, em geral, mais as aparências do que aquilo que está por trás delas, a essência. Isso acontece também em relação a um assunto que gostamos tanto de debater: a Igreja. Promovemos longos debates e intermináveis noites de conversa sobre a Igreja, enquanto pouco tempo reservamos para falar do que de fato importa: Jesus Cristo e a nossa fé. O nosso irmão Lauro escreveu: “Não devemos trocar o fundamento pelo acessório, porque o nosso compromisso é, primeiro, com Jesus, e só depois com a Igreja (e-mail em 05-12-2007).

Estamos passando por um momento feliz. Dizem por aí que a Igreja está em crise. Crise, de um lado, porque há escândalos, porque há muitas divisões internas, porque o Papa não tem aquela popularidade de seu antecessor, porque as igrejas evangélicas avançam nos continentes da África e América Latina, continente este que também entrou de cheio no processo de secularização, enquanto grande parte da Europa passa por um momento de descristianização, entre outros, pelo avanço do Islamismo. Crise, do outro lado, porque o pensar teológico está estagnado desde os anos oitenta, em razão da mão controladora do Vaticano, porque estamos num processo de romanização nunca vista na Igreja, facilitada pelos modernos meios de comunicação: tudo é dirigido à Roma e tudo há de sair de lá. Voltamos ao “Roma locuta, causa finita est!” (Roma fala, assunto encerrado).

Mas, existe crise feliz? Cremos que sim. Toda crise nos oferece condições propícias para reflexão, que pode desembocar em renovação. O ‘aggiornamento’ dos tempos conciliares, quando o Papa João XXIII desejava atualizar a Igreja, para que ela aprendesse andar no ritmo do mundo no qual está inserido, é um processo contínuo. Diz Dom Aloísio Lorscheider: “’Aggiornamento’ há de ser algo constante, porque quer dizer, no fundo, que eu devo fazer um esforço permanente de expressar aquilo em que eu creio de forma compreensível para hoje.”[1] A crise vivida como processo purificador é salutar e faz soprar um vento fresco nas instituições ou pessoas, que estão em processo de enferrujamento. Crises não acontecem somente por causa de fatores externos, mas principalmente em conseqüência de longos processos de estagnações internas. “A Igreja deve sempre se reformar. A necessidade de reforma permanente é uma constante de sua história. Não se trata de modificar a Igreja, mas de voltar ao que ela era ao sair das mãos de seu fundador e de seus Apóstolos. Haverá alguma Suma Teológica, alguma coleção de documentos da Igreja que pode ser comparada ao Novo Testamento e, especialmente, aos Evangelhos?”[2] Ou seja, antes e acima de tudo o Evangelho, a palavra de Jesus, isto é, o próprio Jesus. Todo o restante vem em seguida.

Crises nos alertam para ficarmos atentos aos sinais, sempre abertos para ouvir, rever, adaptar, renovar, mudar de rumo. Há pessoas que ficam tontas ao se encontrarem em alguma encruzilhada. Melhor é pensar positivo: a encruzilhada me oferece uma oportunidade de escolha. Portanto, vamos sentar, discutir, ouvir para, em seguida, retomar o caminho no rumo certo. Trata-se de ser vigilante, usar de sensatez, ter juízo (cf. Mateus 25,1-13), a fim de estar preparado para o futuro, construindo-o com as próprias mãos, como sujeitos de nossa própria história.

Neste sentido encontramos um artigo, enviado por e-mail (2007) (www.ofurlan.prof.ufsc.br), que nos parece ser um convite para reflexão a respeito do MPC em sua relação com a Igreja e com o Mundo. Citamos alguns aspectos ainda muito atuais, apresentados por nosso colega:

1.  O MPC precisa fazer revisão ampla de seus objetivos e metas, porque o clero casado, vivendo no mundo envolto em graves e múltiplos problemas, já não pode pautar-se por uma visão míope, moralizadora, clericalista, arcaizante, romanista, sacristã, alienada do mundo, que marcou o clero do passado. Ele, por estar engajado na sociedade humana, deve investir não só na evangelização cristã dela, mas também na promoção da dignidade humana. Não vale a pena gastar tempo com questiúnculas pessoais, teológicas ou metafísicas. O que urge é contribuir para promover o ser humano e libertá-lo da situação de perigo e miséria em que se encontra. De luzeiro nesse sentido poderia servir a constituição Gaudium et Spes do Concílio Vaticano II.

2.  O MPC armazena poder e capacidade de melhorar o mundo. Trata-se de um grupo significativo de pessoas portadoras de liderança social, cabedal intelectual e capacidade de agir. Valendo-se de seu poder de liderança social e agindo como grupo, perante grandes auditórios ou, mais ainda, pela mídia, estará pressionando a alavanca que melhora a vida da sociedade humana.

3. O MPC deve investir na promoção do ser humano em todos os seus níveis:

o ser humano em relação á sobrevivência: tornar sustentável um meio ambiente, que garanta sua sobrevivência no planeta, na linha de Leonardo Boff: em todas as regiões, sobretudo no Brasil, em especial na preservação da Amazônia como pulmão do mundo. É fundamental contribuir para reverter o catastrófico processo de degradação da natureza e da sobrevivência humana nas diversas regiões do planeta.

o ser humano em busca da sua libertação, dignidade e bem-estar social: promover a harmonia social e o equacionamento dos conflitos, desde a célula familiar até a aldeia global, como os do preconceito, das injustiças sociais, do narcotráfico e da violência; em suma, promover o cumprimento dos dez mandamentos e da Constituição Federativa do Brasil; promover uma cultura de valorização do trabalho e da profissionalização, da vida, da escolarização, da saúde, da segurança, da probidade na administração privada e pública, da eficiência e responsabilidade no desempenho profissional, do ecumenismo e da fraternidade. O MPC poderá questionar inúmeros aspectos da administração pública e contribuir para aprimorá-la.

4. O MPC deve também levar ao mundo soluções cristãs, não embaladas em contexto cultural de 2007 anos atrás e das estruturas tradicionais da Igreja de Roma, mas na cultura de hoje, como se Cristo estivesse pregando a Boa Nova ao real mundo de hoje, na rua ou na mídia. Por que não posicionar-se diante da estrutura da Igreja e da efetividade de sua missão, como aspectos do celibato clerical, da moral, da doutrina, etc.?

Sempre é hora de nos interrogar:

– quais são as condições que temos, ou que podemos criar, como MPC, para influenciar na Igreja e no Mundo?

– de fato estamos preocupados com a essência, ou nos refugiamos em meras aparências?

Comissão temática do MFPC – CE

Encontro nacional do MFPC de 2012


[1] LORSCHEIDER, Dom Aloísio. Op.cit., p. 43

[2] ISNARD, Dom Clemente. A experiência ensina o Bispo. Recife: Comunigraf Editora, 2009, p. 19

Respostas de 3

  1. PENSO QUE É PRECISO, SOBRETUDO, A ASSOSSIAÇÃO RUMOS, DEDICAR-SE SEMPRE MAIS NO RELACIONAMENTO COM OS ORGÃOS “OFICIAIS DA IGREJA”, AS CONFERENCIAS DOS PADRES E DOS BISPOS. PENSO QUE PODERIAM TÁ PROPONDO UMA APRESENTAÇÃO DO GRUPO E SEUS SONHOS. PENSO QUE PODERIAM CRIAR NO SITE DA ASSOSSIAÇÃO RUMOS UM ITEM ONDE OS PADRES PUDESSEM CONVERSAR, TROCAR IDÉIAS E PARTILHAR SUAS DIFICULDADES, ESPECIAMENTE PADRES QUE SE ENCONTRAM EM CONFLITO AFETIVO.

  2. Caros amigos da Coord Encontro,

    Primeiramente quero parabenizar o excelente trabalho do pessoal responsável pelo site. É isto aí amigos!!!
    Hoje procurei no site a Programação mais definida, com os temas e os palestrantes, etc e não encontrei. Só encontrei um roteiro no JRumos.
    A programação já está fechada? divulgada em algum lugar que eu possa acessar?
    Abraços,
    Telma

  3. Oi querida Telma. Já constou, mas vou recolocar no site a programação oficial de nosso XIX Encontro de Fortaleza.
    foi bom você ter alertado.
    A programação já está fechada, sim; e há tempo. Muito boa, a meu ver.
    Estou feliz por nosso reencontro pessoal dia 27 de junho.
    Abraço a você e Fernando, e demais familiares.
    Giba

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