O cristianismo tem sua origem em Jesus de Nazaré. Porém, Jesus não foi sacerdote. Jesus foi um leigo, que viveu e ensinou sua mensagem como leigo. Jesus reuniu um grupo de discípulos e nomeou doze apóstolos
Recordemos como a Igreja do primeiro milênio teve um conceito da vocação sacerdotal muito distinto do que temos agora. Hoje, pensamos que a vocação é o “chamado de Deus” para que um cristão, com a aprovação do bispo, possa ser ordenado sacerdote. Nos primeiros dez séculos da Igreja, se pensava que a vocação era o “chamado da comunidade” para que um cristão fosse ordenado sacerdote. Porém, acontece que, nesse momento, a escassez de vocações é um fato tão notável que até os políticos democrata-cristãos da Alemanha divulgaram uma carta na qual pedem ao episcopado que homens casados possam ser ordenados sacerdotes. Até os homens da política andam preocupados com a forma pela qual as coisas acontecem na Igreja, entre outros motivos, pela alarmante falta de sacerdotes para atender as necessidades espirituais dos católicos.
Assim estão as coisas nesse momento. Os bispos –já disseram os alemães- não estão dispostos a suprimir a lei do celibato. E estariam menos dispostos ainda a tomar decisões mais radicais no que se refere ao clero, especialmente no que diz respeito à necessidade de que na Igreja haja sacerdotes para ministrar os sacramentos. Não sei se os bispos cederão nesse delicado assunto. E caso cedam, quanto? Independente de tudo isso, me parece que chegou o momento de enfrentar esta pergunta: E se chega o dia em que fiquemos praticamente sem sacerdotes? Seria o fim da Igreja?
O cristianismo tem sua origem em Jesus de Nazaré. Porém, Jesus não foi sacerdote. Jesus foi um leigo, que viveu e ensinou sua mensagem como leigo. Jesus reuniu um grupo de discípulos e nomeou doze apóstolos. Porém, aquele grupo estava composto por homens e mulheres que iam com ele de povoado em povoado (Lc 8, 1-3; Mc 15, 40-41).
A morte de Jesus na cruz não foi um ritual religioso, mas a execução civil de um subversivo. Por isso, a Carta aos Hebreus diz que Cristo foi sacerdote. Porém, esse escrito é o mais radicalmente leigo de todo o Novo Testamento. Porque o sacerdócio de Cristo não foi “ritual”, mas “existencial”. Ou seja, o que Cristo ofereceu não foi um rito cerimonial em um templo, mas sua existência inteira, no trabalho, na vida com os demais e, sobretudo, na horrível morte que sofreu. Nem mais, nem menos que isso. O sacerdócio cristão, tal como se vive na Igreja, não tem fundamento bíblico algum. Por isso, na Igreja não tem que haver homens “consagrados”. O que tem que haver são homens e mulheres “exemplares”. O “sacerdócio santo” e o “sacerdócio real” do qual fala a 1ª Carta de Pedro (1, 5.9) é uma mera denominação “espiritual” de todos os cristãos.
Além, em todo o Novo Testamento, jamais se fala de “sacerdotes” na Igreja. É mais, está bem demonstrado que os autores do Novo Testamento, desde São Paulo até o Apocalipse, evitam cuidadosamente aplicar a palavra ou o conceito de “sacerdote” aos que presidiam nas comunidades que iam formando. Essa situação manteve-se até o século III. Isto é, a Igreja viveu durante quase duzentos anos sem sacerdotes. A comunidade celebrava a Eucaristia; porém, nunca se diz que era presidida por um “sacerdote”. Nas comunidades cristãs havia responsáveis ou encarregados de diversas tarefas; porém, não eram considerados homens “sagrados” ou “consagrados”. No século III, Tertuliano informa que qualquer cristão presidia a eucaristia (“De exhort. cast. VII, 3).
O que aconteceria se acabassem os sacerdotes na Igreja? Simplesmente que a Igreja recuperaria, na prática, o modelo original que Jesus quis. O que aconteceria, portanto, é que a Igreja seria mais autêntica. Seria uma Igreja mais presente no povo e entre os cidadãos. Uma Igreja sem clero, sem funcionários, sem dignidades que dividem e separam. Só assim retomaríamos o caminho que seguiu o movimento de Jesus: um movimento profético, carismático, secular. O clericalismo, os homens sagrados e os consagrados afastaram a Igreja do Evangelho e do povo. Assim o veem e o dizem as pessoas. A Igreja pensou que, tendo um clero abundante e com prestígio, seria uma Igreja forte, com influência na cultura e na sociedade. Mas remeto aos fatos. Esse modelo de Igreja está se esgotando. Não podemos ignorar todo o bem que os sacerdotes e os religiosos fizeram. E que continuam a fazer. Mas também não podemos esquecer os escândalos e violências que na Igreja se viveram e dos quais o clero, em grande medida, foi responsável.
Mas, o pior não é nada disso. O mais negativo que deu de si o modelo clerical da Igreja é que aqueles que tiveram o “poder sagrado” se erigiram nos responsáveis e, das “comunidades de crentes”, fizeram “súditos obedientes”. A Igreja se partiu, se dividiu, uns poucos mandando e os demais obedecendo. Na Igreja deve haver, como em toda instituição humana, pessoas encarregadas da gestão dos assuntos, da coordenação, do ensino da mensagem de Jesus… Mas, de duas uma: ou Jesus viveu equivocado ou quem está equivocado somos nós. Evidentemente, o final do clero não se pode improvisar. Provavelmente, a mudança vai se produzir, não por decisões que venham de Roma, mas porque a vida e o giro que a história tomou vão nos levar a isso: a uma Igreja composta por comunidades de fiéis, conscientes de sua responsabilidade, unidos aos seus bispos (presididos pelo bispo de Roma), respeitando os diversos povos, nações e culturas. E preocupados sobretudo em tornar visível e patente a memória de Jesus. Já são muitas as comunidades que, por todo o mundo, pela falta de clérigos, são os leigos que celebram sozinhos a eucaristia. Porque são muitos os cristãos que estão persuadidos de que a celebração da eucaristia não é um privilégio dos sacerdotes, mas um direito da comunidade. O processo está em marcha. E minha convicção é que ninguém vai detê-lo.
Termino afirmando que, se digo estas coisas, não é porque pouco me importa a Igreja ou porque não a queira ver nem pintada. Pelo contrário. Precisamente porque lhe devo tanto e me importa tanto, por isso, o que mais desejo é que seja fiel a Jesus e ao Evangelho.
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Respostas de 7
Tomara que chegue logo a caminhada para uma Igreja sem sacerdotes como era nos primeiros séculos! Certamente as Comunidades primeiras da fé cristã eram mais autênticas no seguimento de Jesus Cristo. Claro, cada época tem as suas diferenças, assim como as nações são diferentes em suas culturas! É preciso saber como traduzir e viver o cristianismo em cada época e cultura! Para preservar a autenticidade da Verdade de Jesus Cristo temos o Evangelho e as Cartas dos apóstolos! Importa traduzir a fé em obras segundo esta Verdade revelada!
Celia Bach, achei interessante o artigo e pelo que entendi os bispos seriam leigos. A hierarquia da Igreja seria formada por leigos, eliminando-se a figura do sacerdote. E os leigos consagrados que se reúnem em comunidades para atuarem com diferentes carismas, deixariam de ser consagrados assim como os religiosos. Será que isto alteraria em alguma coisa a autoridade opressora exercida pela Igreja atualmente? Ou mudaria apenas a figura do opressor?
IMPRESSIONOU-ME A FRASE ACIMA:
“Os bispos –já disseram os alemães- não estão dispostos a suprimir a lei do celibato. E estariam menos dispostos ainda a tomar decisões mais radicais no que se refere ao clero, especialmente no que diz respeito à necessidade de que na Igreja haja sacerdotes para ministrar os sacramentos”.
Os bispos (e, em parte, os padres atuais), instalados em suas Cátedras de Poder total sobre os fieis, dificilimamente vão abdicar das benesses da embriaguês do poder total que foi colocado em suas mãos.
Sabem muito bem que, abolido o celibato e a aura sagrada de que Constantino os rodeou no Séc. IV, fazendo-os príncipes, teriam de voltar às bases, a ser povo com o povo, a ganhar o pão com o suor de seu rosto, sem privilégios, sobretudo sem poder total sobre padres e leigos.
O celibato dos padres, por mais escândalos que tenha produzido, produza e venha a produzir, é o esteio básico sobre o qual se apoia o atual poder dos bispos. Como bem dizia Hegel, sem escravo que o aceite, não há senhor que resista. E é muito mais fácil comandar um exército de padres solteiros e disponíveis a serem removidos, do que um exército de padres que têm de prestar assistência diária e contas a sua Esposa e Filhos estabelecidos num lugar onde vivem, estudam e trabalham.
Paulo VI e Bento XVI, já tentaram, em dois Sínodos, discutir a fundo o Celibato obrigatório. Nas duas vezes os bispos disseram: O CELIBATO OBRIGATÓRIO TEM DE CONTINUAR, pois é muito conveniente ao sacerdócio. Apesar de todas as evidências da grande dificuldade de os padres do mundo inteiro o respeitarem…
Pelos vistos, a tentação do PODER é a mais forte das três concupiscências ou cobiças de que fala S. João em sua carta. Bem mais forte e determinante na estrutura eclesiástica do que as outras duas: o Dinheiro e o Sexo (1 Jo, 2, 15-17)
Olá, Manuela, certamente na Igreja haverá sempre quem coordene a ação apostólica assim como foi no seu começo, quando Paulo e os outros apóstolos criaram Comunidades! Jesus Cristo fez o possível e até o impossível para preparar pessoas e as enviou a levar avante a Boa-Nova que havia anunciado e passado para elas,pagando o preço da própria vida! O que não pode subsistir é a volta ao Sacerdócio da Antiga Aliança, pois Jesus Cristo instituiu uma Nova Aliança com seu Sangue derramado. Ele é o Único e Eterno Sacerdote! Pediu que se fizesse isto em Sua Memória. Quem o fará? É à Comunidade Cristã que compete Celebrar a Memória de Jesus Cristo! E quem pode presidir esta Celebração é uma pessoa idônea, escolhida pela Comunidade! Pode ser Casada, solteira, homem, mulher! O importante é que seja exemplarmente cristã. Importa também que haja interligação entre as diversas Comunidades constituídas! Ali já entra alguém que supervisione e acompanhe o crescimento humano-espiritual. Porém esta hierarquia sempre será um serviço e apoio, escutando, acima de tudo, o parecer da respectiva Comunidade!
Eu creio que está na hora de tomarmos consciência que todos os batizados somos participantes do Único Sacerdócio de Cristo, quer sejamos leigos ou clérigos. O fato é que ser clero não é o mais importante, o mais importante é ser cristão. O fato é que hoje o clero é uma classe separada do povo, ditando normas, chamando para si a competência para pregar, para presidir, para administrar. No entanto, como participantes do Sacerdócio de Cristo todos temos a mesma dignidade e todos os batizados somos consagrados para pregar, para abençoar, para (conforme o dom de cada um) presidir e ajudar a comunidade de Fé em Cristo se desenvolver e fortalecer. O sacramento da Ordem separa para uma função específica, mas consagração para a Missão vem de antes, é a primeira e a mais importante, vem do Batismo. Acho que não temos e não teremos uma comunidade cristã sem sacerdotes,pois todos os cristão são sacerdotes no Único Sacerdócio de Cristo.
A falta de padres é já uma realidade e faz-nos aprofundar no sentido do sacerdócio cristão que vai além da função do padre. Nós, os leigos, ou padres laicizados,os ministros extraordinários, os catequistas, os dirigentes leigos de comunidades, os pregadores leigos,enfim todos precisamos aprofundar a nossa vocação e termos que consciência que cabe mais a nós mantermos a Igreja viva do que a qualquer outro membro da hierarquia.
Nós, leigos, não somos o poder, mas somos o serviço e o carisma.E a Igreja permanecerá, mesmo sem padres, pois o Espírito Santo não sopra apenas na hierarquia e naqueles que detém o poder.
Os sacerdotes, em muitos lugares, ainda são a razão de muitos católicos irem à igreja paroquial aos domingos, embora as missas (quase todas) estão cada vez piores.
Se a Igreja (Hierarquia) não fizer, urgentemente, uma revisão, uma atualização corajosa, profunda e honesta na doutrina teológica e na liturgia, muitos padres vão continuar pregando coisas absurdas para o povo, como as que ouvi, no último fim de semana, numa igreja de Brasília. Por lá (e sabemos que não é só lá) ainda se fala abertamente em “fogo do inferno”; que a missa é um “sacrifício” que Cristo ofereceu. na cruz, ao Pai pelos nossos pecados; que o Sacramento do Batismo “perdoa” o “pecado original” e, através dele é que alguém se torna “filho de Deus”; que São José, quando se casou com Maria, era também “virgem”…
Quando o povo descobrir (muitos já descobriram) que discursos como esses não são verdadeiros ou estão totalmente defasados, as igrejas ficarão vazias, e os sacerdotes (se ainda existirem) vão pregar para as moscas.
Não sei se vocês são hereges, mas a fala de vocês é herética! Saibam que estão fora da comunhão da Igreja.
Reposta:
Igor,
Quem te deu o poder de nos excomungar?
Tu sabes o que é herege e heresia?
Nunca ouviste falar de LIBERDADE DE PENSAMENTO?
E que a fé não é, não pode ser cega?
Mostra-nos onde está a heresia de que nos acusas
João Tavares