O arcebispo de Porto Rico nega-se a renunciar

Submetido a múltiplas acusações, Roberto González Nieves já foi investigado por um visitador pontifício. Em Roma, pediram-lhe que apresente sua renúncia, mas ele não pensa em deixar seu cargo. Sustenta sua inocência e está disposto a comprová-la.

 

 

A reportagem é de Andres Beltramo Alvarez e publicada no sítio Vatican Insider, 04-05-2013. A tradução é do Cepat.

 

Comentário de João Tavares

Configura-se aqui claramente a política vaticana da mão pesada e individualizada da Cúria Vaticano contra cada bispo que “cria problemas”. Independente de um diálogo com a Conferência Episcopal local. É um estilo estranho, centralizado, teologicamente questionável, como se cada bispo fosse um delegado do papa ou, pior, da cúria romana em sua diocese, o que não é verdade. O bispo tem poder próprio na sua diocese. Unido, colegialmente, ao papa e aos seus colegas, sobretudo os de sua província e de seu país. Mas com sua dose de autonomia, da qual não se tem tido conta por parte do centralismo romano. Tudo indica que, a partir das reuniões do pré-conclave e da eleição de Francisco, esse abuso de poder da cúria romana sobre as conferências episcopais e sobre cada bispo individualmente, comece a mudar  rumo ao necessário respeito a uma bem maior autonomia. Incluindo, naturalmente, a escolha dos bispos, centralizada demais na cúria romana e na indicação dos núncios apostólicos.

João Tavares

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Há vários anos o Vaticano mantém uma negociação insolúvel com o prelado. O prefeito da Congregação para os Bispos, Marc Ouellet, quis cortar o mal pela raiz em 15 de dezembro durante uma

reunião da qual participou também seu secretário, Lorenzo Baldisseri. Um encontro que acabou sendo áspero e tenso. Nessa oportunidade o purpurado sugeriu a González Nieves que era hora de apresentar sua renúncia e buscar outro posto na Igreja.

A resposta? Uma longa carta na qual o acusado se defende de cada uma das notificações. Escrita em 20 de fevereiro e dirigida ao próprio Ouellet, a carta deixou registrada toda a raiva do arcebispo.

O texto, de seis páginas, revelou as quatro acusações:

– proteger sacerdotes pedófilos,

– ter realizado investigação contra o presbítero Edward Santana sem jurisdição para isso,

– ter proposto as “residências compartilhadas”

– e a promoção de um “altar da Pátria” em sua catedral.

González Nieves tem um número igual defensores e detratores, tanto dentro como fora de Porto Rico. Seu maior crítico é o delegado apostólico Josef Wesolowski, que durante meses pressionou para sua destituição. Seu trabalho foi responsável pela visita apostólica ordenada pela Congregação para o Clero, visita que foi encarregada ao arcebispo equatoriano de Guayaquil, Antonio Arregui Yarza. Um procedimento iniciado em 25 de outubro de 2011 e ainda em andamento.

Simultaneamente, a Congregação para o Clero solicitou à Congregação para a Doutrina da Fé informações relacionadas aos diversos casos de supostos abusos sexuais contra menores cometidos por sacerdotes da Arquidiocese. Mas, segundo o Vatican Insider pôde confirmar, esse dicastério não identificou irregularidades na atuação de González Nieves.

Outros dois pontos o colocariam sob suspeita. O primeiro é sua proposta das chamadas “residências compartilhadas”: uma lei que tutela a convivência de casais formados por pessoas do mesmo sexo (homossexuais ou não), que garante seus direitos de herança, visitas hospitalares e acesso a planos de saúde, mas sem equiparar suas uniões ao casamento ou ao conceito de família.

O segundo corresponde ao “altar da Pátria”, o título dado a uma das capelas da catedral e que provocou apaixonadas controvérsias. Porto Rico é um território livre, mas associado aos Estados Unidos. Seus políticos se dividem entre aqueles que querem uma autonomia total e aqueles que desejam continuar anexados aos Estados Unidos. Neste contexto, muitos consideram que o altar é a prova concreta do envolvimento político “independentista” do arcebispo.

Embora em Roma lhe tenham pedido manter estrita confidencialidade, ele decidiu confiar seus problemas a vários clérigos de alto escalão. Aos seus compatriotas porto-riquenhos Félix Lázaro, da diocese de Ponce, e a Álvaro Corrada del Río.   Além disso, aos cardeais Bernard LawWilliam Joseph LevadaSean O’MalleyOscar Rodríguez Maradiaga e Timothy Dolan.

Presidente da Conferência Episcopal de Porto Rico entre 2001 e 2007, em Roma dão como certo que todos os bispos do país “estão do seu lado”. E isso parece incomodar. Por enquanto, o delegado apostólico Wesolowski viajará nas próximas semanas para Porto Rico. Conseguirá aplacar os ânimos? Parece ser uma encomenda difícil.

Andres Beltramo Alvarez

Terça, 07 de maio de 2013

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/519904-o-arcebispo-de-porto-rico-nega-se-a-renunciar

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Uma resposta

  1. Obrigado pelas informacoes
    Um bom trabalho a todos
    Pe. Aires

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