Em busca de um pouco de luz [1]

Em busca da luz

Roque Zimmermann

“… de maneira nenhuma advogamos inocência absoluta do PT e de muitos dos seus dirigentes. Reconhecemos que houve muitos e graves erros que precisam ser investigados e, eventualmente, punidos.  Entretanto, condenar lideranças petistas e jogar na lata de lixo a todos os petistas, em geral,  simplesmente por terem assumido práticas costumeiras do histórico de todos os partido brasileiros é inaceitável.”

 

Confuso e perplexo, no presente momento, tento, de todas as formas, buscar um pouco de luz para mim e para tantos que estão na mesma situação que eu.

Deveras, é mais do que estranho ver um governo e seus representantes, que há mais de uma década e meia conseguiram ser saudados como os melhores governantes que este país já teve – sendo reconhecidos e admirados até internacionalmente como tais -, visto terem conseguido recuperar o país econômica, cultural e socialmente, trazendo para a cidadania mais de três dezenas de milhões de brasileiros, sejam, agora, execrados e vilipendiados, caçados e condenados como os piores dos malfeitores que este país já teve.

 Em busca de uma elucidação para tudo isto apresentamos o texto que segue:

1º. É inconteste que

  • o ex-presidente Lula foi e ainda é – apesar de todos os dissensos – a maior liderança popular surgida neste país em seus quinhentos anos de história;
  • foi também o primeiro presidente deste país a tirar dezenas de milhões de brasileiros da miséria extrema e da pobreza;
  • foi o que mais empregos e salários gerou em seus 8 anos de governo, mais investiu em educação, seja pela melhoria do ensino  fundamental e médio em parceria com os estados e municípios, ampliando o número e a qualidade das escolas técnicas e, principalmente melhorando o acesso e o número de vagas ao ensino superior, abrindo chances para pobres e minorias raciais com programas inusitados e únicos no mundo, tais como o Pró-uni, as cotas para negros e índios e as vagas obrigatórias para egressos da escola pública e infra-estrutura, excetuando para este último item os governos militares que o fizeram ao custo de enorme endividamento da nação, cujo preço ainda hoje os brasileiros estão pagando, sem contar o incremento da política externa, entre inúmeras outras ações admiradas em todo mundo

2º. O Partido  dos Trabalhadores  pode orgulhar-se por ter, seguramente, nas duas  primeiras décadas de sua existência, a mais bela história de entre todos os partidos brasileiros.

Nasce da luta, do amor e engajamento consciente de inúmeras categorias de trabalhadores, de movimentos sociais de base, de grupos intelectuais e membros de diversas confissões religiosas, num momento de profundas transformações da sociedade brasileira.

Com efeito, nasce da base, do meio do povo, do confronto com os esbirros da ditadura e cresce carregado nos ombros e pelo ideal de infinitos militantes, que com demonstrações de inequívocos princípios e valores de renovação e transformação da sociedade brasileira, deram provas de  abnegação e generosidade, difíceis de serem encontradas alhures.

É nossa convicção que esta história obnubila e humilha as classes altas e a elite deste país, de tal forma que não é de hoje o discurso de que é imperioso acabar com o PT e os petistas, sendo necessário eliminar esta raça. (Para tanto lembremo-nos apenas do ex-senador Bornhausen).

Basta que consultemos  a história da humanidade, desde seus primórdios até os nossos dias para constatarmos que não se trata de nenhuma novidade,  mas de algo presente em todas as sociedades e nações.

É pretensão deste partido, de seus filiados e militantes, porém, de não esmorecer na luta, reconstruir seus princípios, seus valores e bandeiras,  apostando na

  • transformação social,
  • na distribuição da renda e dos ganhos sociais,
  • no estabelecimento da equidade e da justiça social,
  • na construção de um país em que todos os brasileiros  tenham, no mínimo, acesso aos bens elementares, tais como “três refeições ao dia”, moradia digna, acesso à educação de qualidade e dignidade mínimas.

Este continua sendo o grande norte deste partido e de seus militantes.

3º. Uma palavra quanto ao juiz Sérgio Moro, aos policiais federais e aos membros do ministério público. De todos eles diríamos simplesmente: atenção, sua atuação é sem comentários!…

Com efeito, sua prepotência, sua parcialidade, sua falta de isenção  e de isonomia, os vazamentos seletivos, enfim, uma clara e insofismável criminalização do PT e suas lideranças mais expressivas, com vistas grossas e absoluta inoperância para com os demais denunciados.

Do Sérgio Moro conhecemos o histórico de sua ligação umbilical com o PSDB. Todos sabemos que seu pai foi fundador do Partido e sua mulher é assessora do governador Beto Richa, do PSDB. Nenhuma contestação quanto a sua opção partidária. Todo o resto de sua atuação, porém, é inaceitável a qualquer senso crítico.

Quanto aos membros da polícia federal, se dermos  conta das informações recebidas de colegas de sua corporação, nada mais equânime se pode esperar. São antipetistas de raiz e só lhes interessa a ascensão funcional, a condenação de Lula e de tudo e de todos que o cercam.

Já em relação aos membros do ministério público, lembramos quanto lutamos por eles na elaboração da Carta Magna na segunda metade da década de oitenta do século passado; é profundamente decepcionante sua falta de isenção e sua parcialidade. É preciso investigar e punir a quem merece, mas não  da forma como o estão fazendo.

No que concerne a tudo isto, de maneira nenhuma advogamos inocência absoluta do PT e de muitos dos seus dirigentes. Reconhecemos que houve muitos e graves erros que precisam ser investigados e, eventualmente, punidos.

 Entretanto, condenar lideranças petistas e jogar na lata de lixo a todos os petistas, em geral,  simplesmente por terem assumido práticas costumeiras do histórico de todos os partido brasileiros é inaceitável.

Perguntamos: se caixa dois, não importa o montante, sempre foi feito e continua sendo feito por todos os partidos, porque agora só o PT é criminalizado? Todos nós petistas assistimos, acompanhamos e condenamos estas práticas desde os tempos mais distantes e nunca se fez nada, senão só agora e seletivamente contra o PT.

4º. Restaria ainda um longo comentário sobre a mídia em quase todos os seus veículos e manifestações.  Como todos sabem, trata-se de oligarquias  que vivem às custas e a  serviço das elites e do capital. Por isso esta atuação.

O que estranha, porém, é que todos ou quase todos os locutores, apresentadores ou redatores destes órgãos, que embora sejam de origem popular e de camadas muito pobres, uma vez  guindados a representantes destes órgãos, tão rápida  e globalmente se transformarem em lacaios dos mesmos,  defendendo causas muito distantes  das  postuladas pelos membros de sua classe social de origem.

Concluindo, resta dizer que estamos acompanhando atenta e criticamente todo o evoluir dos fatos e acontecimentos que nos tocam,  reafirmando  nosso propósito de luta pelo povo pobre e indefeso desta nação e não abrindo mão das conquistas sociais destes últimos anos.

Para tanto, conclamamos a todos e todas para que se unam conosco na reconstrução deste partido, fiéis aos seus princípios, valores e ética para que volte a ser o caudatário e o escoadouro de todos quantos sonham neste país por mais solidariedade, distribuição de renda, justiça e paz.

Para isto convocamos a todos e todas para que comecemos já, refazendo nossos sonhos, nossas bandeiras, símbolos e nossa capacidade de luta pelo bem de todos os brasileiros e em  solidariedade com todos os povos do planeta terra.

[1] Este texto serviu de texto base para a nota que o PT de Ponta Grossa redigiu sobre a situação nacional deste momento. Os companheiros autorizaram-me, porém, a imprimi-lo e  expandi-lo por diferentes meios.

 

Roque ZimM

Roque Zimmermann

Fonte: Enviado pelo autor, via e-mail –  padreroquezmsf@hotmail.com

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