“Reinhard Marx: “O debate sobre o sacerdócio feminino ainda não acabou”
O cardeal alemão e as reformas eclesiais: “Não é o povo que deve mudar, mas a Igreja DR/Agências – 20.06.2022 – Fotos: Religion Diogital Na foto: Cardeal Reinhard Marx “Não é uma boa renovação se a Igreja continua distribuindo dogmas e educando dizendo que sabe o que o povo precisa. Jesus, ao contrário, estava com o povo, não ficou dando ordens” “Certamente, o celibato é um forte sinal para seguir a Cristo. Mas ao manter o celibato obrigatório, não estamos apenas mantendo viva uma tradição? Foi bom, mas talvez não em todos os lugares hoje. Acho que também há vocações sacerdotais entre homens casados” “Sobre o sacerdócio feminino, João Paulo II tomou uma decisão clara em contrário. Mas este debate ainda não acabou. Enquanto isso, porém, devemos fazer com que as mulheres participem mais intensamente da vida da Igreja”.
Colômbia. Gustavo Petro e Francia Márquez vencem eleições e serão primeiro governo progressista do país
Correio da Cidadania | 21 Junho 2022 | Foto: DAQUI Gustavo Petro e sua vice, Francia Márquez, comemoram a vitória nas eleições | Foto: reprodução Facebook Gustavo Preto Este artigo é uma junção de duas matérias publicadas de domingo (19) para segunda (20, de junho de 2022). A primeira é assinada por Vanessa Martina Silva, Felipe Bianchi e Guilherme Ribeiro e chama-se “Histórico: Petro e Francia Márquez vencem eleições e serão primeiro governo progressista da Colômbia”. A segunda, assinada por Leonardo Wexell Severo, chama-se “Colombianos celebram com Petro e Francia a ‘vitória da paz, da justiça social e ambiental’”. A publicação dos artigos é do Correio da Cidadania com informações da Agência ComunicaSul*, 20-06-2022.
o Padres casados estariam mais próximos dos fiéis 7Margens | 5 Abr 2022 Foto: Direitos reservados. Dar espaço à existência de dois papéis diferentes no exercício sacerdotal – o celibatário e o conjugal – constituiria um enriquecimento da ação pastoral da Igreja. A proposta é do padre Giannino Piana, ex-professor de ética cristã na Universidade Livre de Urbino e de ética e economia na Faculdade de Ciências Políticas da Universidade de Turim, em Itália. O artigo foi publicado há dias na revista Il Mulino, também italiana, e tem tido algum impacto internacional, talvez porque, como diz o autor, o celibato sacerdotal é tema recorrente de insistência na opinião pública católica (e não só), mas é também “um nó crítico que não pode ser facilmente resolvido”. Contextualizando o problema, Giannino Piana começa por recordar o fator da escassez de clero, que atua como elemento de pressão para que o atual estado de coisas se altere. Já não é apenas dos episcopados de países em desenvolvimento que surgem os pedidos, mas cada vez mais dos episcopados ocidentais, preocupados com a falta de vocações. Poder-se-ia argumentar que uma forma de mitigar o problema seria aproveitar para “restituir aos leigos as funções que lhes competem, ampliando os espaços de participação eclesial”. Contudo, o autor salienta que uma motivação “mais nobre” é a que diz respeito à liberdade de escolha, “já que não há vínculo indissolúvel entre o ministério ordenado e o matrimónio”, como demonstra a experiência das Igrejas cristãs orientais, que permite a escolha do matrimónio a quem é ordenado. O assunto, faz notar o artigo, esteve na calha para ser resolvido no âmbito dos trabalhos do Vaticano II (1962-1965), mas, perante os acesos debates, o Papa Paulo VI avocou o dossiê e, através da Sacerdotalis coelibatus, reafirmou a doutrina tradicional da Igreja Latina. “A razão principal aqui apresentada é de natureza pastoral e consiste na afirmação de uma maior liberdade interior e de um maior espaço de tempo dedicado ao serviço eclesial por quem está livre dos laços conjugais e familiares”, nota o texto. Este argumento é questionado por Piana, observando que, a partir do Concílio de Trento (1545-1563), se percebe que “a motivação pastoral funciona muitas vezes como cobertura para outras motivações que não são explicitamente enunciadas, mas que, de facto, gozam de uma importância considerável”. E dá o exemplo da visão negativa da sexualidade e das mulheres, que viria já do período da patrística, por influência das correntes neoplatónicas e gnósticas, e, por outro lado, a razão estritamente económica, que “consiste no desejo de manter intacto o património dos bens eclesiásticos, protegendo-o do risco de transmissão aos filhos ou netos se o sacerdote tiver família própria”. Em todo o caso, este padre reconhece que, com o Vaticano II se verificou “um certo ponto de inflexão”, ainda que incompleto, em favor da motivação pastoral, quer a respeito da sexualidade – vista de forma mais positiva – quer da questão económica, ao apelar a um retorno (na realidade não totalmente implementado) à pobreza evangélica. Esta abordagem pastoral choca, no entanto, com o dever de os pastores assegurarem às comunidades cristãs ministros que acompanham e dinamizam a vida comunitária que “tem na celebração da Eucaristia o momento culminante”. É neste enquadramento que Giannino Piana coloca o pedido de revisão da disciplina eclesiástica sobre a obrigatoriedade do celibato, que, sublinha, “muitos fiéis consideram uma disciplina arcaica e anacrónica, visto que, ao impor por lei uma escolha que deveria ser completamente livre, acaba, por um lado, por criar situações de desconforto existencial, decorrentes da busca de desgastantes compensações emocionais e, por outro, por diminuir o próprio valor da virgindade”. A proposta, “avançada por muitos”, faz notar, é, portanto, a de abrir a possibilidade de aceder a uma dupla tipologia de ministério: celibatário e casado. Isso não acaba com o ministério celibatário “sempre que ele for expressão de uma livre escolha, fruto de uma autêntica vocação para a virgindade”. Até porque “há boas razões para afirmar que o celibato, vivido na alegria da livre escolha, constitui, além de sinal da dimensão escatológica do mistério cristão, um estatuto que oferece uma particular disponibilidade interior para viver o ministério ordenado”. Já o ministério conjugal “tem possibilidades consideráveis, também do ponto de vista pastoral”. “Basta pensar, salienta o autor do artigo, no quão importante é a experiência familiar para lidar eficazmente com assuntos da vida quotidiana que envolvem a maioria dos fiéis”. O modo de conceber a relação entre os dois tipos de ministério na prática pastoral, que assuma a contribuição diferenciada de cada um deles, dá corpo a tal proposta que Piana alude no título do seu texto: “Trata de dar vida à presença na Igreja de dois papéis diferentes no exercício do ministério ordenado. A primeira (e mais difundida) – a do ministério matrimonial – deveria ser proposta como forma de serviço residencial, oferecido aos fiéis que vivem na região por pessoas reconhecidas como líderes espirituais capazes de fazer crescer a comunhão (acaso não era esta a função dos presbíteros na comunidade cristã primitiva?). A segunda modalidade – o celibato – deve desempenhar uma função mais missionária, no sentido de se dedicar ao desenvolvimento de formas de presença em áreas onde é cada vez mais urgente um trabalho de evangelização ou voltado para o cuidar de áreas específicas em que decorre a vida familiar, profissional e laboral em geral; áreas que requerem uma intervenção mais direcionada e especializada”. O fim da atual disciplina do celibato, “longe de ser considerado como uma rendição ao ‘espírito do tempo’, tornar-se-ia ocasião para um verdadeiro enriquecimento da ação pastoral da Igreja”, considera o texto de Il Mulino. “Além de constituir um ato de respeito pela liberdade pessoal e suscitar escolhas humanamente mais sólidas por serem mais serenas, favoreceria a realização de uma complementaridade no exercício do ministério presbiteral hoje, necessária para interpretar corretamente a complexidade das situações e responder eficazmente às exigências de uma condição de secularização, que torna cada vez menos percetível a exigência da fé”, salienta, a terminar.
Evangélicos no Brasil: a difusa e complexa teia de uma religiosidade estereotipada. Entrevista especial com Juliano Spyer
Por: Patricia Fachin | 20 Junho 2022 | Foto: DAQUI Como a “esquerda tem mais dificuldades para dialogar com evangélicos, por achar que igrejas servem apenas para manipular pessoas, e por ter percepções sobre valores morais muito diferentes, evangélicos tendem a se aproximar de políticos do espectro oposto”, afirma o antropólogo.
Cardeal nomeado pelo Papa Francisco renuncia à púrpura por ter encoberto casos de pedofilia
Francesco Antonio Grana, – 20 Junho 2022 – Foto: DAQUI A Conferência Episcopal Belga explicou que a escolha de Francisco “suscitou críticas pelo fato de que Van Looy nem sempre teria reagido com força suficiente como bispo de Ghent contra os abusos nas relações pastorais”. Daí a renúncia, “para evitar que as vítimas de tais abusos sejam novamente feridas devido ao seu cardinalato”. A reportagem é de publicada em Il Fatto Quotidiano, 16-06-2022. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Dossiê: Funai, devastação e resistência
OutrasPalavras – Crise Brasileira Um estudo do Inesc-INA -17/06/2022 – Foto: DAQUI Documento agora indispensável demonstra como governo age para desmontar políticas indigenistas, reprimir povos originários, sabotar demarcações e assediar servidores do órgão. Informações permitem pensar novas políticas, após pesadelo
Vivendo com o caos: o atual estado do catolicismo romano
JP Grayland | 16 Junho 2022 – Foto: DAQUI “A experiência histórica e social do Iluminismo ocidental mudou o catolicismo ocidental e desafiou a “Igreja das certezas”; lidar com isso é uma questão crítica para os católicos contemporâneos. . Para muitos, o processo sinodal traz à tona velhas e novas reclamações. As queixas mostram que temos mais trabalho para reter membros, recrutá-los de volta, restaurar a confiança e abrir novos caminhos. . Enquanto alguns querem um retorno à certeza, muitos mais querem saber como viver uma vida de fé – confiando em Deus – enquanto vivem num mundo caótico e numa Igreja caótica”, . escreve J. P. Grayland, padre neozelandês da Diocese de Palmerston North, em artigo publicado por La Croix International, 14-06-2022. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.
O Papa Francisco vai resignar?
. Anselmo Borges – 18 jumho 2022 – Foto: DAQUI A notícia percorreu mundo e nenhum dos grandes meios de comunicação social internacionais terá ignorado a notícia sobre a possibilidade de o Papa Francisco resignar em breve, abrindo caminho à sua sucessão à frente da Igreja Católica. Isso concretamente a partir do momento em que foi visto numa cadeira de rodas e em que se viu obrigado a adiar a sua viagem nos princípios de Julho à República Democrática do Congo e ao Sudão do Sul.
Um presidente que não vai para o céu
Ana Helena Tavares – 17 Junho 2022 – Imagem: DAQUI A verdade é que será preciso refundar o Brasil. Esperemos que a refundação comece em 2023, de preferência com o atual presidente na cadeia, porque no céu ele não entra mesmo, escreve Ana Helena Tavares, jornalista, em artigo publicado por sua página na internet, 16-06-2022.
Com a tragédia de Dom Phillips e Bruno Pereira, um limite foi ultrapassado na Amazônia – a nós, que estamos vivos, só cabe a luta. Artigo de Eliane Brum
Do coração da Amazônia, o lancinante GRITO de Eliane Brum, a mais premiada jornalista do Brasil Eliane Brum – 17 Junho 2022 | Imagem: DQUII “Há cinco anos escolhi viver em Altamira, uma das regiões mais violentas do mundo, porque escolhi estar na linha de frente da guerra climática. Defendo, assim como outras pessoas, que os verdadeiros centros do mundo são os enclaves da natureza, os suportes naturais de vida, como as florestas tropicais e os oceanos, os demais biomas, como o Cerrado e o Pantanal. O artigo é de Eliane Brum, jornalista, escritora e documentarista, autora de “Brasil Construtor de Ruínas – um olhar sobre o país, de Lula a Bolsonaro” (Arquipélago) e “Banzeiro òkòtó, uma viagem à Amazônia Centro do Mundo” (Companhia das Letras), publicado no jornal Nexo, 13-06-2022 e atualizado pela autora em 16-06-2022. Jornalista mais premiada da história do Brasil, Eliane Brum vive em Altamira, na Amazônia.