Polêmica: As 95 Teses de Matthew Fox
Matthew Fox, quase septuagenário, é atualmente o mestre espiritual mais criativo e abrangente da América. Conta com um doutorado em História e Teologia da Espiritualidade e possui, além disso, imaginação, coragem e a arte de um escritor. É autor de 26 livros. Criou o Instituto de Cultura e Espiritualidade da Criação que funcionou, durante sete anos, em Chicago e, durante doze, em Oakland. O então cardeal Ratzinger tentou fechá-lo. E, em 1988, impôs silêncio a Fox por um ano. Três anos depois, fez com que o excluíssem da Ordem dominicana, pondo com isso fim ao Instituto. Fox fundou então uma universidade própria em Oakland, a que deu o nome de Universidade da Espiritualidade da Criação; hoje é denominada Universidade da Sabedoria. Convidado a falar na Alemanha, em Bad Herrenalb, no Pentecostes de 2005, a recente eleição de Bento XVI inspirou-lhe a realização de um ato simbólico: afixar as suas 95 teses para uma nova reforma da Igreja na porta da Schlosskirche de Wittenberg, onde Lutero afixou as suas, em 31 de outubro de 1517. E assim aconteceu, em 18 de maio, pelas 16 horas, em presença da imprensa e da televisão.
A coragem de dizer aos que querem mudança na igreja que eles, eventualmente, têm razão
À entrada da terra de Canaã, Moisés foi procurado duas vezes por causa de um mesmo problema. Em ambas as ocasiões, o líder máximo do povo de Israel, depois de examinar as questões, concluiu que a causa dos queixosos era justa (Nm 27.7; 36.5). Mais de um milênio e meio depois, outro grupo de queixosos — os crentes que só falavam grego — mostrou-se descontente porque as suas viúvas estavam sendo esquecidas na distribuição diária de cestas básicas, enquanto as viúvas dos crentes de fala hebraica, não. Sem perda de tempo, “os doze reuniram todos os discípulos” e deram razão aos queixosos e promoveram a eleição de um corpo de oficiais para estarem a serviço das necessidades da comunidade inteira, a bem de todos e da unidade cristã (At 6.1-7).