Os ortodoxos russos põem fim ao diálogo com os luteranos alemães
Em outubro deste ano, 2009, o Sínodo da Igreja Evangélica da Alemanha (EKD) escolheu a bispa regional da Baixa Saxônia, Margot Kässmann, para a chefia da Igreja no país. Uma mulher e, para mais, uma divorciada! A alta hierarquia da Igreja Ortodoxa russa, que, nos últimos cinquenta anos manteve um diálogo constante com a Igreja Luterana alemã, tomou essa nomeação como uma afronta e decidiu romper com um relacionamento que durou meio século. Após a escolha de uma mulher divorciada para chefe da Igreja, não é mais possível continuar o diálogo que se mantinha há cinquenta anos, afirmou, em 12 de novembro, o clérigo Georgi Sawerschinski, porta-voz da Igreja Ortodoxa. A Igreja, disse ele, conforme noticiou a Agência Interfax de Moscou, não permite a ordenação, nem mesmo qualquer papel de chefia de mulheres. “Esta questão é muito séria”, acrescentou. Em última instância, a decisão incumbia ao Patriarca Cirilo I, chefe supremo da maior Igreja Ortodoxa nacional do mundo.
Uma Mulher Líder da Igreja Luterana Alemã
A Igreja Luterana da Alemanha tem bispos que presidem as Igrejas dos “Laender” (o equivalente aos Estados do Brasil). Mas um deles é o “Ratsvorsitzende der Evangelischen Kirche Deutschland (Presidente do Conselho das Igrejas Evangélicas da Alemanha)” e, como tal, cabe-lhe a chefia de todos os demais bispos. Até agora este “Presidente do Conselho das Igrejas Evangélicas Alemãs” era o bispo Wolfgang Huber (67), que desempenhava, ao mesmo tempo, a função de bispo de Berlin-Brandenburg. Wolfgang Huber é uma personalidade marcante, muitas vezes designado como “Papa evangélico”. Eu compará-lo-ia ao bispo católico Karl Lehman, antigo Presidente da Conferência Nacional dos Bispos da Alemanha. Sempre que possível, não perdia um único debate televisivo em que Huber tomasse parte. Porquê? Porque ele sabia transmitir a Boa Nova de Jesus Cristo, de forma inteligente para os tempos de hoje. Expressava, muitas vezes, aquilo que eu sentia, mas não era capaz de pôr em palavras. De alguma maneira, achei-o sempre melhor do que o nosso bispo católico Karl Lehmann.