‘O poder da Igreja de hoje me dá pena e coragem’, diz teólogo espanhol
José María Castillo é um dos grandes da Teologia na Espanha e no mundo. É um teólogo de fibra, que sabe combinar perfeitamente o ensaio profundo, o livro sério, com a divulgação. Por isso, se converteu em um teólogo de referência, tanto a nível clerical como a nível das bases. Há alguns anos deixou a Companhia de Jesus. Dizia, naquela época, que para se sentir mais livre. É um teólogo, como todos os que estão em campos de fronteira, perseguidos pela Congregação para a Doutrina da Fé (com vários monitums [advertências] contra ele), mas que segue na luta. Não se queimou. É daqueles que seguem dando o pão de seus livros às pessoas. Por exemplo, seu novo ensaio editado pela Trota: La humanización de Dios. A entrevista é de José Manuel Vidal e está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 09-12-2009. A tradução é do Cepat. Eis a entrevista.
O Minarete é o lugar da Luz
O escritor egípcio Alaa Al-Aswani, autor de best-sellers, é, de profissão, dentista. Nasceu, em 1957, no Cairo e estudou em Chicago, Estados Unidos. Obteve, entre outros, o Prêmio Bruno-Kreisky em 2007 e, em 2008, o Coburger Rückert. Vive no Cairo. Tornou-se conhecido em 2002, com o romance “O prédio Jakoubijan”, que esboça o microcosmos da sociedade egípcia, marcada pela repressão e pelo abuso do poder. O livro tornou-se best-seller no mundo árabe. Em 29 de novembro, os suíços decidiram proibir, mediante referendo, a construção no país de minaretes, as torres de onde, nas mesquitas muçulmanas, os fiéis são convocados à oração. 57% da população votou a favor da proibição. Um legislador do partido ultranacionalista SVP, que convenceu a maioria dos eleitores a votar pela proibição e, portanto, contra o direito à liberdade religiosa, alegou que a civilização ocidental precisa de resistir ao avanço, na Europa, de uma religião que, em seu entender, é regressiva em relação aos valores da modernidade.
Leonardo Boff: O encanto dos Orixás
Quando atinge grau elevado de complexidade, toda cultura encontra sua expressão artística, literária e espiritual. Mas ao criar uma religião a partir de uma experiência profunda do Mistério do mundo, ela alcança sua maturidade e aponta para valores universais. É o que representa a Umbanda, religião, nascida em Niterói, no Rio de Janeiro, em 1908, bebendo das matrizes da mais genuína brasilidade, feita de europeus, de africanos e de indígenas. Num contexto de desamparo social, com milhares de pessoas desenraizadas, vindas da selva e dos grotões do Brasil profundo, desempregadas, doentes pela insalubridade notória do Rio nos inícios do século XX, irrompeu uma fortíssima experiência espiritual. O interiorano Zélio Moraes atesta a comunicação da Divindade sob a figura do Caboclo das Sete Encruzilhadas da tradição indígena e do Preto Velho da dos escravos. Essa revelação tem como destinatários primordiais os humildes e destituídos de todo apoio material e espiritual. Ela quer reforçar neles a percepção da profunda igualdade entre todos, homens e mulheres, se propõe potenciar a caridade e o amor fraterno, mitigar as injustiças, consolar os aflitos e reintegrar o ser humano na natureza sob a égide do Evangelho e da figura sagrada do Divino Mestre Jesus.