SYNÉSIO BARBOSA DE MELLO, aos 90 anos de idade

Com tristeza que comunicamos o falecimento ontem, dia 26.03.2025, em Santos-SP, do ibateano SYNÉSIO BARBOSA DE MELLO, aos 90 anos de idade. Synésio estudou no Ibaté de 1950 a 1955. Sua Ordenação Presbiteral ocorreu em 08.07.1962. Exerceu o sacerdócio na Paróquia Santo Afonso, no bairro do Ipiranga em São Paulo. Após alguns anos deixou o sacerdócio para se dedicar a trabalhos pastorais como leigo. Construiu uma bela família, com 4 filhos e 10 netos. Mais um pedaço de nós que foi para a Casa do Pai.
ECONOMIA – Se cumprir meta climática, Brasil não precisará importar petróleo, nem explorar Foz do Amazonas

A Petrobras alega que o Brasil precisará importar petróleo em 10 anos se não descobrir novas reservas na Foz do Amazonas. Mas análise exclusiva da InfoAmazonia mostra que, se o país cumprir suas metas climáticas, as reservas já provadas duram até pelo menos 2039. A informação é de Leandro Barbosa e Fábio Bispo, publicada por InfoAmazônia, 25-03-2025. “A gente pode voltar a ser importador de petróleo em 2034, 2035”, afirmou a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, em 24 de outubro do ano passado, em evento no Rio de Janeiro, afirmando que novas descobertas na bacia da Foz do Amazonas seriam imprescindíveis para o país não precisar importar petróleo em 10 anos. A declaração ocorreu em meio ao aumento da pressão política do governo federal e da estatal para avançar na perfuração do bloco 59, área oficialmente delimitada que é o principal alvo para exploração da região. Apenas alguns dias depois da declaração de Anjos, em 29 de outubro, os técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) recomendaram, pela segunda vez, a rejeição do licenciamento ambiental (A licença ambiental é uma autorização do governo para empreendimentos e projetos que tenham possível impacto ambiental, garantindo a redução dos danos. No Brasil, é concedida pelo Ibama e entidades locais) do projeto. A estatal não desistiu e pediu reconsideração da negativa do Ibama. Com o presidente Lula (PT) se manifestando a favor do petróleo na Foz do Amazonas, e a possibilidade de uma nova negativa do Ibama para o licenciamento do bloco 59, o discurso agora é de que a atividade petrolífera na costa amazônica tem que acontecer “para financiar a transição energética”. A InfoAmazonia analisou a dependência brasileira do petróleo em cinco possíveis cenários futuros de demanda pelo combustível e das reservas encontradas, buscando entender os argumentos de quem defende a exploração nessa área ambientalmente sensível da costa brasileira. Sem a exploração da Foz do Amazonas, as reservas de petróleo do país acabarão em 10 anos? Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
MUNDO – Trabalho: a maldição das zonas cinzentas

Agora, o capital não se limita a informalizar. Mesmo as ocupações “com carteira” são precárias: prontidão sem fim, tarefas em casa, trabalho não pago, insegurança constante. Para um contra-ataque, é preciso recalibrar conceitos – e lutas! Por Tiago Magaldi e Matheus Silveira de Souza A ofensiva capitalista das últimas décadas tem produzido transformações profundas no mundo do trabalho, das quais a flexibilização das leis trabalhistas são a principal expressão. Levada a cabo seja com o auxílio entusiasta de governos aliados, seja a contragosto por governos que se dizem progressistas, nos últimos anos o capital e seus prepostos atuaram agressivamente para reorganizar o mundo conforme o seu espírito mais recente. No Brasil, a Lei 13.467/2017, assinada a golpes de mesóclise pela elegante caneta de Michel Temer, é o melhor exemplo do primeiro caso; o PLP 12/2024, proposto pelo atual governo Lula, que visa regulamentar o trabalho de motoristas subordinados a aplicativos, o é do segundo. A “uberização” é fruto reluzente dessa ofensiva. Embora apresente várias facetas, ela significou, sobretudo, a instituição de novas formas de controle e a atualização de velhas formas de organização. Se a “flexibilização” havia se tornado palavra de ordem onipresente no mercado de trabalho a partir da década de 1970, essas mudanças foram hoje cristalizadas na rotina dos trabalhadores, ganhando fôlego renovado com o fenômeno da plataformização. Nesse novo cenário, categorias de análise que nos ajudavam a compreender o universo laboral parecem, por vezes, não serem mais suficientes para explicar as relações sociais de trabalho reconfiguradas. O arcabouço teórico e o horizonte de proteção social que temos hoje têm por origem a chamada “regulação fordista”, que tinha por base a experiência do Estado de bem estar social dos países capitalistas centrais. A perspectiva do trabalho “livre”, mas protegido, é o alvo preferencial da blitzkrieg neoliberal da última década, em Estados do norte e do sul global. O Brasil, que buscou tardiamente estabelecer um Estado Social a partir da redemocratização na década de 1980, com a promulgação da Constituição de 1988, nunca entregou plenamente esse conjunto de direitos sociais à população. A noção de zonas cinzentas de trabalho, desenvolvida, entre outros, por Rizek1, Azais e Kesselman2, oferece uma análise mais precisa do conjunto de fenômenos explicitados por esse processo de desmonte, justamente por não se limitar a categorias binárias – formal ou informal, autônomo ou subordinado – para explicar o mundo do trabalho atual. O conceito de zonas cinzentas demonstra que há uma série de relações laborais surgidas nas últimas décadas que correm por dentro e por fora da regulação estatal, desafiando o arcabouço teórico criado tendo o fordismo como horizonte. É importante ressaltar que mudar os termos da interpretação do fenômeno não significa renunciar ao horizonte de proteção social construído no último século; é evidente a importância desses direitos e garantias para a melhora das condições de vida dos trabalhadores e trabalhadoras. Praticamente toda a literatura sociológica brasileira é unânime neste ponto. Entretanto, se a intervenção política eficaz exige uma leitura precisa da realidade, é importante termos à disposição categorias de análise finamente ajustadas às mais recentes transformações no mundo do trabalho. Fonte: Site OUTRASPALAVRAS Matéria Completa: Acesse Aqui
ARTIGO – O Exílio Silencioso: A Memória e o Companheirismo dos Padres Afastados

Não se trata de rejeição, mas de um processo de reacomodação, de reconstrução de laços que foram enfraquecidos pelo tempo e pela distância. “Quem não é visto não é lembrado”. A máxima, cruel em sua simplicidade, ecoa nos corredores da memória daqueles que, por diferentes razões, se afastam de um grupo, de uma comunidade, de um ideal. No contexto específico dos padres que deixam o sacerdócio, essa frase ganha contornos ainda mais dramáticos, revelando um processo de exílio silencioso, onde a ausência física se traduz em um progressivo esquecimento. Ao optar por trilhar outros caminhos, seja por questionamentos vocacionais ou pela busca de novas experiências, esses homens abdicam não apenas de um cargo, mas de uma identidade construída ao longo de anos de dedicação. O lugar que antes ocupavam, outrora central em suas vidas, transforma-se em um vazio, um espaço que, aos poucos, é preenchido por novas presenças e novas dinâmicas. É natural que, nos primeiros momentos após o afastamento, os laços construídos durante o seminário e o exercício do sacerdócio ainda se mantenham vivos. Os antigos companheiros, movidos pela amizade e pela preocupação, buscam manter contato, atenuar a saudade e oferecer apoio. No entanto, a distância física impõe um desafio considerável à manutenção desses vínculos. Aos poucos, a frequência dos encontros diminui, as conversas se tornam mais espaçadas e a ausência, antes sentida como um incômodo, passa a ser tolerada, até mesmo naturalizada. O retorno, caso ocorra, também é permeado por estranhamento. A comunidade, habituada à ausência, precisa se readaptar à presença do antigo membro, o que pode gerar desconforto e hesitação. Não se trata de rejeição, mas de um processo de reacomodação, de reconstrução de laços que foram enfraquecidos pelo tempo e pela distância. Nesse contexto, a frase “quem não é visto não é lembrado” adquire um significado ainda mais profundo. Para aqueles que se afastaram, é fundamental reafirmar sua presença, mostrar que sua história de vida, suas experiências e seus valores ainda estão intrinsecamente ligados àquele grupo. No entanto, essa reaproximação deve ser pautada pelo respeito e pela humildade, evitando o narcisismo e buscando o verdadeiro companheirismo. A palavra “companheiro”, com sua origem no latim “cum pane” (aquele que come do mesmo pão), evoca a ideia de comunhão, de partilha, de união em torno de um objetivo comum. Os padres que compartilharam o mesmo altar, a mesma unção e o mesmo ideal, mesmo que trilhem caminhos diferentes, permanecem unidos por uma história em comum, por uma experiência que moldou suas vidas e que merece ser lembrada e valorizada. Portanto, é preciso romper o ciclo do esquecimento, cultivar a memória e fortalecer os laços de companheirismo. Que a ausência física não se traduza em um exílio definitivo, mas em uma oportunidade de reafirmar a importância da história compartilhada e de construir pontes que unam aqueles que, mesmo distantes, continuam a comer do mesmo pão, a beber da mesma fé. Padre Carlos Roberto – Bahia