Bolsonaro cristão, Bolsonaro pagão
Há quem defenda que o governo de Bolsonaro, apesar de se afirmar cristão, em boa parte, inscreve-se todos os dias em campo oposto à respectiva ética. As comparações com a personagem Donald Trump são inevitáveis. José Brissos-Lino | 24 Jul 19 – Foto: MAURO PIMENTEL/ Getty Images Se a fé cristã prega o perdão dos pecados e a redenção dos homens, Bolsonaro propõe e exalta a execução dos criminosos. Se o evangelho proclama a dignidade da pessoa humana, Bolsonaro defende publicamente a tortura e a execução sumária. Se o cristianismo prega uma mensagem universal e a missionação, Bolsonaro coloca-se como inimigo dos indígenas e procura submetê-los aos interesses da expansão agrária. Se Jesus frisou o cuidado pelos pobres, o governo de Bolsonaro não parece interessado nas políticas sociais. Se o cristianismo fala de paz, Bolsonaro propõe a difusão das armas.
Estarão os árabes a virar as costas à religião?
O senso comum no Ocidente é que a religião é inamovível no mundo árabe por ser entranhadamente cultural. Mas há notórios sinais de refluxo José Brissos-Lino – 17.07.2019 Foto: Andrea Ricordi/ Getty Images Segundo um estudo realizado no Médio Oriente e Norte de África pela Araba Barometer (rede de investigação baseada na Universidade de Princeton) e citado pela BBC, os árabes estão a afirmar-se cada vez mais como não-religiosos. Estarão mesmo os árabes a virar as costas à religião? A investigação – que não incluiu os estados árabes do Golfo, por recusarem o acesso aos investigadores – avaliou onze países, concluindo que o abandono da identificação religiosa é mais acentuado no Norte de África, em especial na Tunísia, Líbia e Marrocos. Devido à guerra não foi possível desenvolver a recolha de dados na Síria.