A SOLUÇÃO VEM DO ALTO
Nossa sociedade propaga de todas as formas as novidades que a caracterizam, tanto tecnológicas como comportamentais. Afirma-se à exaustão as vantagens de vivermos numa sociedade laica, considerando-a mais progressista porque liberta de amarras religiosas ou a ela incorporadas pela força da tradição. Atualizada seria uma pessoa sem religião, sem limites em suas escolhas e, infelizmente podemos dizer, sem referências éticas e morais. Confunde-se laicidade com ateísmo. Trata-se de fazer o que se bem entende e basta. Qualquer questionamento pode ser considerado assédio moral e gerar processos, condenações e indenizações. Carregando as tintas, podemos encontrar em tantas pessoas a busca de um “liberou geral”. O resultado já é desastroso em muitos ambientes e parece que a sociedade deverá desmoronar totalmente para que, quem sabe, olhe para dentro e para o alto.
A nova direita reflete uma sinergia entre modernidade e conservadorismo.
Muito mais do que uma mudança política, a emergência “de uma nova onda de supostos governos de direita” sinaliza que está em curso uma “mudança cultural” caracterizada pela “sinergia” entre modernidade e conservadorismo, afirma Carlos A. Gadea à IHU On-Line. Um dos traços que indica essa mudança, menciona, é a “renovação da esfera privada como âmbito privilegiado da vida cotidiana”. Segundo o pesquisador, embora a nova direita torne público muitos dramas privados, ela vai “à esfera pública para reivindicar a esfera privada, para assinalar que no seu retorno é possível achar as fórmulas que corrigiriam os desvios sociais e culturais desta acelerada, flexível, volátil e banalizada vida contemporânea”. Trata-se, portanto, “de uma discussão sobre os contornos da esfera pública e a esfera privada, sobre seus diferentes pesos na vida individual e social, e em definitivo, sobre o contraproducente efeito cultural de politizar a vida cotidiana”, explica.