As periferias na Igreja O lugar dos recasados ou uniões de fato na Igreja

Pe. José Luís Rodrigues – 26/04/2019. Foto: João Tavares A mensagem central do Papa Francisco vai sempre, na direção de uma Igreja «em saída», porque é a «única possível, segundo o Evangelho». Francisco convida a «nunca perder o contato com a realidade», por considerar que isso faz parte do testemunho cristão: «Na presença de uma cultura dominante que coloca em primeiro lugar a aparência, aquilo que é superficial e provisório, o desafio é escolher e amar a realidade». O Papa ressalva insistentemente a importância de manter o olhar «fixo no essencial», porque «os problemas mais graves» para a Igreja «surgem quando a mensagem cristã é identificada com aspetos secundários que não refletem o coração do anúncio». «Num mundo em tão rápida transformação, os cristãos têm de estar disponíveis para procurar formas e modos de comunicar, com uma linguagem compreensível, a perene novidade do Cristianismo» (Papa Francisco em várias das suas mensagens). É este o enquadramento geral, como apelo a todos os grupos e movimentos religiosos, comunidades, dioceses e outros. Vamos nesta linha de desafio desbravar algumas periferias:

Jovens, a complicada equação entre trabalho e crime

Emergiu com força, nos últimos meses, a retomada de um vocabulário bélico em que a solução para questões sociais profundas reside na “guerra” como categoria sociológica e como controle de pessoas e territórios. Isso leva a pensar as políticas públicas não a partir de um dado concreto sobre a violência, mas a partir do imaginário da sensação de violência, em que populações menos vulneráveis acabam agenciando as políticas de segurança pública, normalmente defendendo o recrudescimento da violência contra os marginalizados. “Alguém exposto a toda uma série de violências e violações por vezes consegue levar sua vida sem entrar em pânico. Isso porque a sensação de segurança é diferente da segurança”, argumenta Daniel Hirata, em entrevista por e-mail à IHU On-Line.