Diante da cegueira idólatra, um novo Brasil a ser reconstruído

Há uma longa tradição de estudos a respeito das impressões que as pessoas têm sobre as imagens do mundo. Do Mito da Caverna de Platão ao Instagram, a distância entre o mundo concreto e as representações do mundo em dispositivos móveis é sempre menos óbvia do que parece. Nesse contexto, a idolatria – seja a ideais estéticos, a marcas ou figuras humanas – tende a operar quase como necessidade básica. Mas a questão, porém, é que esse desejo idólatra tende a transformar a visão em cegueira. “Para Flusser, ‘idolatria [é a] incapacidade de decifrar os significados da ideia, não obstante a capacidade de lê-la, portanto, adoração da imagem’”, explica o professor doutor Ricardo Timm de Souza, em entrevista por e-mail à IHU On-Line.

Salva-nos na fraqueza, mas com dignidade e determinação!

A lógica de Jesus Cristo, que é a lógica de Deus, baralha-nos se nos ativermos aos critérios de salvação ditados e praticados pelo mundo. Com efeito, admiramos, aplaudimos e vitoriamos aqueles e aquelas que rompendo com determinação e força as raias da mediania ou as fronteiras da rotina se distinguem pela heroicidade pomposa. E era isto que os israelitas – e os próprios discípulos de Jesus – esperavam do Messias prometido: destruir pelo fogo os inimigos, abatê-los à espada e constituir uma corte de honrarias em que os apóstolos seriam os príncipes com a nobre missão de bem legislar, exercer o poder executivo com pompa e circunstância e julgar, obviamente para condenar. Mas não é assim a via escolhida por Jesus em obediência ao desígnio e à vontade do Pai. E a liturgia do Domingo de Ramos mostra-no-lo à saciedade.