É preciso dar aos padres a oportunidade de falar sobre sua vida emocional
O perigo é que os padres, que, com grande generosidade e amor, dão aos outros a possibilidade de se abrir intimamente, podem não conseguir se expressar ou confessar de forma plena, o que é arriscado. Céline Hoyeau – 05 Junho 2018 – Foto: cinemundo.pt “Nenhuma história de salvação tem outra ligação primária que não com a realidade, e a realidade associa-se ao nosso corpo e às nossas emoções”, afirma Michael Davide Semeraro, irmão religioso, membro da Comunidade Beneditina da Koinonia de la Visitation no vale de Aosta, no noroeste da Itália. A entrevista é de Céline Hoyeau, publicada por La Croix International, 04-06-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla. Ele é o autor de um livro sobre a sexualidade dos padres (La vérité vous rendra libres: Spiritualité et sexualité du prêtre – A verdade vos tornará livres: Espiritualidade e Sexualidade dos Sacerdotes, tradução livre).
Jesus quis um clero como o que temos?
“É necessário preparar uma Igreja do futuro, que seja menos ‘clerical’, mas mais ‘evangélica’” José Maria Castillo – 18 de maio de 2018 – Fopto: Periodista dgital Tradução: Orlando Almeida “A palavra ‘clero’ não aparece no Novo Testamento. Esse termo foi introduzido provavelmente por alguns escritores cristãos, no século III. Como se sabe, a palavra clero vem do grego kleros, que significa ‘lote’, no seu sentido original de parte da ‘herança’.1 A partir daí ‘clero’ passou a ser entendido como um grupo ou conjunto de pessoas ‘privilegiadas’ ou isentas de impostos e de outras obrigações, privilégios que foram concedidos à Igreja, especialmente a partir do ano 313, em razão da chamada conversão do imperador Constantino (Peter Brown, ‘Por el ojo de una aguja [Pelo buraco de uma agulha], Barcelona, Acantilado, 2016, 103-104).”