A visita de Paulo VI à Turquia no relato de testemunhas e jornalistas
Em 12 de agosto de 1967, o embaixador italiano na Turquia, Mario Mondello, enviou um relatório ao ministro das Relações Exteriores, o democrata-cristão Amintore Fanfani, em que apresentava detalhadamente o encontro privado que teve com o patriarca Atenágoras. Tratava-se do primeiro contato direto entre o patriarca de Constantinopla “personagem, sem dúvida, pitoresco e extraordinário” e o representante do estado italiano que pretendia “ouvir diretamente de sua voz as reações à visita do Pontífice” e ter informações “sobre o desenvolvimento das relações entre as duas Igrejas“.
Inimigos demais para um papa só
É um papa de olhar carrancudo, com um sorriso de sombrio desapontamento, aquele que, na manhã de sábado, 4 de fevereiro de 2017, olha para os romanos. Alguns bairros da capital estão cobertos de cartazes anônimos e ilegais. Nos murais, uma longa frase: “A France’, hai commissariato Congregazioni, rimosso sacerdoti, decapitato l’Ordine di Malta e i Francescani dell’Immacolata, ignorato Cardinali… ma n’do sta la tua misericordia?” [Ah, Chico, supervisionaste Congregações, removeste sacerdotes, decapitaste a Ordem de Malta e os Franciscanos da Imaculada, ignoraste Cardeais… mas onde está a tua misericórdia?”]. Quem foi? Os suspeitos vão logo em uma direção: a direita clerical, inclinada à Tradição e, às vezes, ao fascismo. São os novos fariseus, aqueles para os quais a fé é apenas a árida Doutrina, com maiúscula.