Bergoglio e Trump: duas formas particulares de populismo
Para Ernesto Laclau, o populismo tem origem no desejo do povo de contrapor uma lógica de poder institucionalizada. Na política de nosso tempo, dois líderes têm chamado atenção: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, eleito apesar de muitos considerarem sua candidatura uma piada, e Mario Bergoglio, o cardeal argentino que no conclave era um verdadeiro azarão. Para o doutor em História da Religião Massimo Faggioli, os dois podem ser considerados como uma manifestação do populismo. Entretanto, mesmo sem entrar no conceito de Laclau, destaca que são diferentes dos outros populismos, “especialmente daqueles da América Latina”.
Jesus líquido
O maior erro do conhecimento consiste em confundir proposições (Wittgenstein) Eduardo Hoornaert Em seu filme ‘Andrei Rublev’ (1966), o cineasta russo Tarkovski conta que Rublev (início do século XV), excelente pintor de ícones bizantinos, ao ser convidado pelo Patriarca de Moscou a pintar o quadro do Juízo Final para a Catedral da Anunciação no Kremlin, não consegue executar a obra. Não consegue pintar um Jesus a condenar os pecadores a um inferno sem fim. Um século depois, em Roma, Michelangelo não vê problema nisso. Convidado a pintar o mesmo quadro para a Capela Sistina no Vaticano, pinta um Jesus que, com um só gesto de seu poderoso braço, condena uma parcela da humanidade ao inferno, enquanto eleva a outra parte à eterna felicidade do céu. Ao contrário de Michelangelo, Rublev não suporta a imagem de um Jesus que condena ao inferno.