No Rescaldo de uma Decisão Polêmica

Por Luís Guerreiro Quando, em janeiro de 2009, Bento XVI resolveu levantar a excomunhão que pesava, desde 1988, sobre os bispos tradicionalistas da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, a sua decisão foi recebida com espanto por muitos católicos. Tão incompreensível era que parte da imprensa, para salvar o Papa, atribuiu o escorregão à falta de uma assessoria atenta. Seria? Como é sabido, cinco dias depois, em 29 de janeiro, um grupo de teólogos, assinava uma Petição, a ser dirigida ao Papa, onde se reivindicava um “reconhecimento irrestrito das decisões do concílio Vaticano II”. Eles estavam conscientes de que, com decisões como essa, se tentava desconstruir as esperanças que o concílio suscitou. Depois a Petição correu mundo. Muitos a assinaram. Em 9 de abril, data final fixada para a recolha de assinaturas, elas somavam 54.104. Com esses resultados na mão, os autores da Petição, tentaram debalde apresentá-los pessoalmente em Roma à Congregação para a Doutrina da Fé. Em 28 de maio, a Congregação mandou dizer, por intermédio da Nunciatura Apostólica de Berlim, que “considerava desnecessário receber os autores da Petição, cujo conteúdo lhe era bem conhecido e seria por ela levado em conta no futuro”. Em 15 de junho, por inspiração do Núncio, voltaram a insistir, alegando que seria uma desconsideração com os assinantes não recebê-los para um diálogo. Não tendo resposta, em 20 de julho, instaram de novo. A resposta chegaria em 14 de agosto, mas mais uma vez por meio da Nunciatura de Berlim: “A Congregação para a Doutrina da Fé confirma o reccebimento das suas duas cartas mencionadas. O discurso do Santo Padre perante a Cúria Romana, por ocasião da apresentação da saudação de Natal (22 de dezembro de 2005), apresenta os princípios hermenêuticos para a interpretação correta dos documentos do Concílio Vaticano II”. Segundo os autores da Petição, esse discurso tratava de princípios bastante genéricos ou até mesmo de rejeição. Portanto, a resposta da Congregação para a Doutrina da Fé, não respondia aos objetivos da Petição.

A Igreja Católica necessita hoje de uma Reforma Protestante

Por Eduardo Hoornaert* A igreja católica hoje tem necessidade urgente de ‘protestantes’, ou seja, de pessoas que – na linha de personalidades dos séculos XV-XVI como Huss, Wycliff, Lutero, Zwingli, Calvino, Karlstadt, Münzer, Erasmo e Morus – protestam contra a condução da igreja católica pelos seus mais altos representantes em Roma.

Opinião: O Fenômeno Marina Silva*

Por Eduardo Hoornaert De repente, em meio aos jogos políticos costumeiros, surge o fenômeno Marina Silva. Basta sua aparição no tabuleiro político armado em função da eleição presidencial de 2010, para que se revele um dinamismo oculto no seio da sociedade. A exposição pública de Marina Silva atua como uma varinha mágica, fazendo aparecer aspirações e sentimentos latentes de uma parcela não desprezível da sociedade brasileira. Sua figura sintoniza com forças desde muito em gestação no mais íntimo da sociedade, que aguardavam apenas um discreto sinal para se revelar.