A pessoa e a dinâmica religiosa (1)

A dinâmica religiosa deriva da experiência de contingência radical e da esperança num sentido final.   Anselmo Borges 12 Janeiro 2020  Foto: blog e-inscrição Oque é a religião? O que deve entender-se por pessoa religiosa? Onde se fundamenta a religião? Qual é o dinamismo que está na base das religiões? Porque há religião/religiões? Toda a religião tem que ver com a ética e também com a estética. Hegel viu bem quando afirmou que a arte, a religião e a filosofia estão referidas ao Absoluto. A pergunta é, como escreveu o filósofo J. Gómez Caffarena, se a ética, a estética e a filosofia acabarão por absorver a religião, como já insinuava Goethe: “Quem tem arte (e moral e filosofia) tem religião; quem a não tem, que tenha religião.”

O regresso da eutanásia: humanidade e legalidade

Manuel Alte da Veiga| 13 Nov 19 | Entre Margens, Últimas – Imagem: Daqui  As Perguntas e Respostas sobre a Eutanásia, da Conferência Episcopal Portuguesa, foram resumidas num folheto sem data, distribuído há vários meses. Uma iniciativa muito positiva. Dele fiz cuidadosa leitura, cujas anotações aqui são desenvolvidas. O grande motivo da minha reflexão é verificar como é difícil, nomeadamente ao clero católico, ser fiel ao rigor “filosófico” da linguagem, mas fugindo ao «estilo eclesiástico» para saber explorar “linguagem franca”. Sobretudo quando o tema é conflituoso, a ser abordado com todo o cuidado e não escondendo a dificuldade de argumentar e definir.

São Francisco de Assis radical, muito além do “complexo industrial do bebedouro de pássaros”

 São Francisco chamou todas as criaturas – e não apenas aqueles animais não humanos que classificamos como sencientes, mas também rochas e árvores –  seus irmãos e irmãs porque, em sentido real, eles o são. Não sobrevivemos sem elas. Mas elas podem sobreviver sem nós.   de Daniel P. Horan – 18 Set 2019 Tradução: Orlando Almeida Foto: Uma estátua de São Francisco de Assis em Monterosso al Mare, Cinque Terre, Itália. (Wikimedia Commons / Gianfranco Negri) Na semana passada, num esforço para continuar comemorando e chamando a atenção para a  Season of Creation [Tempo da Criação], tuitei a seguinte observação: “Os seres humanos são chamados  a cuidar de nossa Irmã Mãe Terra, não porque ela tenha sido criada para nosso único uso e dominação, mas porque nós, como espécie,  somos os únicos que pecamos abusando dela e dos seus  outros habitantes. Pelos  nossos pecados ecológicos, Senhor, tende piedade!  SeasonOfCreation. “

Papa abre a JMJ: Não buscamos uma Igreja “cool” ou “divertida”

Domenico Agasso Jr – 27/012/2019. Foto: Reuters  A Jornada Mundial da Juventude– JMJ não serve para criar uma “Igreja paralela”, “um pouco mais divertida” ou “cool” [legal]. Está longe de ser um evento para acrescentar “um ou outro elemento decorativo” ao catolicismo, como se isso deixasse seus participantes felizes. “Pensar assim seria não respeitá-los”. Com essas palavras, o Papa abriu hoje a JMJ centro-americana. Liderou uma festa de cor, diante de dezenas de milhares de pessoas no Campo Santa Maria La Antigua, da faixa litorânea, na cidade de Panamá. E incendiou a multidão com a força de seu discurso, carregado de frases espontâneas e “argentinismos”. A reportagem é de Domenico Agasso Jr., publicada por Vatican Insider, 25-01-2019. A tradução é de Graziela Wolfart.

A difícil relação entre Igreja e Europa. Artigo de Alberto Melloni

Foto: Agência ECCLESIA Alberto Melloni – 18 Agosto 2016 Foto: IHU  “A Europa continua em perigo, e também está em perigo a consciência da democracia que tornou a Europa necessária aos olhos dos estadistas do pós-guerra. Mesmo nos tempos de Schuman e De Gasperi, a verdadeira questão até da relação com o papado era o valor da democracia: hoje, em uma cultura onde a desintermediação coloca o poder a um tuíte de distância da opinião pública, a democracia se revela vulnerável por um novo tipo de instrumentalismo.”

O além? É a liberdade do amor

Jean Vanier – 15 Dezembro 2018 Foto: Nuvens / Pixabay  Em seu último livro Jean Vanier imagina o que vem depois da morte: a experiência de se sentir amados de forma incondicional. O jornal Avvenire, 12-12-2018, publicou um extrato do livro. A tradução é de Luisa Rabolini.

Moçambique, aquela ligação cristãos-muçulmanos. E cultura matriarcal

  CRISTINA UGUCCIONI, 03/07/2018 MAÚA Foto: O padre Giuseppe Frizzi, missionário da Consolata, vive em Moçambique há 43 anos TRadução: Orlando Almeida Histórias de convivência entre os fiéis das duas religiões. Viagem a Maúa, no norte do país africano, para conhecer os macua-xirima e as relações pacíficas que unem a população.

É preciso dar aos padres a oportunidade de falar sobre sua vida emocional

O perigo é que os padres, que, com grande generosidade e amor, dão aos outros a possibilidade de se abrir intimamente, podem não conseguir se expressar ou confessar de forma plena, o que é arriscado.   Céline Hoyeau – 05 Junho 2018 – Foto: cinemundo.pt “Nenhuma história de salvação tem outra ligação primária que não com a realidade, e a realidade associa-se ao nosso corpo e às nossas emoções”, afirma Michael Davide Semeraro, irmão religioso, membro da Comunidade Beneditina da Koinonia de la Visitation no vale de Aosta, no noroeste da Itália. A entrevista é de Céline Hoyeau, publicada por La Croix International, 04-06-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla. Ele é o autor de um livro sobre a sexualidade dos padres (La vérité vous rendra libres: Spiritualité et sexualité du prêtre – A verdade vos tornará livres: Espiritualidade e Sexualidade dos Sacerdotes, tradução livre).

Os tormentos de Francisco: ”Vivi anos obscuros, tinha medo de estar no fim”

Paolo Rodari – 23 Fevereiro 2018 Foto: lifeder  No encontro privado há alguns dias com os párocos romanos, Francisco falou de sua década de “desorientação”, até 1992. Ele disse ter vivido “o tempo de uma grande desolação, um tempo obscuro”. A reportagem é de Paolo Rodari, publicada por La Repubblica, 22-02-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

INFERNOS NÃO FALTAM

Frei Bento Domingues, O.P. – 30/04/17  1. Pesadelos do Inferno, evidências do Purgatório e tristezas do Limbo faziam parte da paisagem religiosa da minha infância. As Alminhas do purgatório habitavam em dois nichos na minha aldeia. Suscitavam devoção e reciprocidade: «Vós, que ides passando, lembrai-vos de nós que estamos penando». As pessoas lembravam-se e, para tudo o que precisavam, a elas recorriam, sabendo que aliviavam as suas penas.