Mulheres, a primeira vítima do capitalismo
“Somos as filhas das bruxas que vocês não conseguiram matar”, escreveram algumas mulheres nos muros de cidades brasileiras, durante a primavera feminista. Talvez por isso a vinda da historiadora feminista italiana Silvia Federici ao Brasil, na semana passada, para lançar Calibã e a Bruxa – Mulheres, corpo e acumulação primitiva, atraiu em torno de si e de seu livro centenas de jovens, no centro e na periferia do Rio de Janeiro e São Paulo. Uma semana de celebração para o movimento feminista brasileiro, que ao mesmo tempo recebia na Bahia a norte-americana Angela Davis para um curso sobre feminismo negro, no Recôncavo Baiano. Alás!
Padres pedófilos: crueldade jornalística ou vitimismo institucional?
“Aconselho os jornalistas vaticanos a lerem melhor o relatório do advogado Weber: nele, encontrarão a descrição de criancinhas agredidas com punhos na cara, ou forçadas a engolir o próprio vômito, ou espancadas selvagemente com paus e marretas, enfiadas debaixo de duchas ferventes ou gélidas, e tantas outras ações do gênero. Os crimes não são cometidos apenas na cama, quando há sexo no meio, como talvez pensem algumas pessoas de bem.”
A visita de Paulo VI à Turquia no relato de testemunhas e jornalistas
Em 12 de agosto de 1967, o embaixador italiano na Turquia, Mario Mondello, enviou um relatório ao ministro das Relações Exteriores, o democrata-cristão Amintore Fanfani, em que apresentava detalhadamente o encontro privado que teve com o patriarca Atenágoras. Tratava-se do primeiro contato direto entre o patriarca de Constantinopla “personagem, sem dúvida, pitoresco e extraordinário” e o representante do estado italiano que pretendia “ouvir diretamente de sua voz as reações à visita do Pontífice” e ter informações “sobre o desenvolvimento das relações entre as duas Igrejas“.
Inimigos demais para um papa só
É um papa de olhar carrancudo, com um sorriso de sombrio desapontamento, aquele que, na manhã de sábado, 4 de fevereiro de 2017, olha para os romanos. Alguns bairros da capital estão cobertos de cartazes anônimos e ilegais. Nos murais, uma longa frase: “A France’, hai commissariato Congregazioni, rimosso sacerdoti, decapitato l’Ordine di Malta e i Francescani dell’Immacolata, ignorato Cardinali… ma n’do sta la tua misericordia?” [Ah, Chico, supervisionaste Congregações, removeste sacerdotes, decapitaste a Ordem de Malta e os Franciscanos da Imaculada, ignoraste Cardeais… mas onde está a tua misericórdia?”]. Quem foi? Os suspeitos vão logo em uma direção: a direita clerical, inclinada à Tradição e, às vezes, ao fascismo. São os novos fariseus, aqueles para os quais a fé é apenas a árida Doutrina, com maiúscula.
Bergoglio e Trump: duas formas particulares de populismo
Para Ernesto Laclau, o populismo tem origem no desejo do povo de contrapor uma lógica de poder institucionalizada. Na política de nosso tempo, dois líderes têm chamado atenção: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, eleito apesar de muitos considerarem sua candidatura uma piada, e Mario Bergoglio, o cardeal argentino que no conclave era um verdadeiro azarão. Para o doutor em História da Religião Massimo Faggioli, os dois podem ser considerados como uma manifestação do populismo. Entretanto, mesmo sem entrar no conceito de Laclau, destaca que são diferentes dos outros populismos, “especialmente daqueles da América Latina”.
Jesus líquido
O maior erro do conhecimento consiste em confundir proposições (Wittgenstein) Eduardo Hoornaert Em seu filme ‘Andrei Rublev’ (1966), o cineasta russo Tarkovski conta que Rublev (início do século XV), excelente pintor de ícones bizantinos, ao ser convidado pelo Patriarca de Moscou a pintar o quadro do Juízo Final para a Catedral da Anunciação no Kremlin, não consegue executar a obra. Não consegue pintar um Jesus a condenar os pecadores a um inferno sem fim. Um século depois, em Roma, Michelangelo não vê problema nisso. Convidado a pintar o mesmo quadro para a Capela Sistina no Vaticano, pinta um Jesus que, com um só gesto de seu poderoso braço, condena uma parcela da humanidade ao inferno, enquanto eleva a outra parte à eterna felicidade do céu. Ao contrário de Michelangelo, Rublev não suporta a imagem de um Jesus que condena ao inferno.
A humanidade em 2050
“As ferramentas tecnológicas podem servir para destruir completamente o planeta ou para nos proporcionar um futuro melhor. Dado que o uso destas ferramentas virá imposto, em grande medida, pelo critério moral que esteja presente na sociedade já globalizada, é imprescindível que o progresso tecnológico seja acompanhado por um progresso espiritual e moral que promova o respeito ao meio ambiente, a paz e a solidariedade. Só assim poderemos assegurar nossa sobrevivência como espécie e garantir que esta sobrevivência seja digna. Em minha opinião, uma degradação radical e generalizada das condições de vida da humanidade pode chegar a ser algo tão nefasto como a extinção da espécie humana, ou inclusive pior”, escreve o astrônomo Rafael Bachiller, diretor do Observatório Astronômico Nacional (Espanha), em artigo publicado por El Mundo, 20-07-2017. A tradução é do Cepat.
A Igreja não pode permanecer prisioneira do Ocidente
O filósofo italiano Rocco Buttiglione responde ao colega Marcello Pera, ex-presidente do Senado da Itália, que havia criticado Francisco duramente, afirmando que ele não compreende os problemas das democracias ocidentais.
Hábito não é fidelidade. Buscando entender a atitude de fechamento e hostilidade de muitos padres.
“O maior obstáculo que se interpõe à conversão que o Papa Francisco quer que a Igreja faça constitui-se, em certa medida, pela atitude de boa parte do clero, superior e inferior. Atitude, às vezes, de fechamento, senão de hostilidade. Como os discípulos no Jardim das Oliveiras, os seus discípulos ainda dormem. O fato é impressionante”, constata artigo publicado pelo jornal L’Osservatore Romano, na edição deste final de semana.
O Cardeal Müller agora afirma que foi ele quem descobriu a trama do coro de Ratisbona
O ex-prefeito, bispo de Ratisbona entre 2002 e 2012, disse, na época, que eram quatro ou cinco casos. Hans Zollner, sj., destaca a “coragem” do bispo atual, que “iluminou uma escuridão muito profunda”