ECONOMIA – Se cumprir meta climática, Brasil não precisará importar petróleo, nem explorar Foz do Amazonas

A Petrobras alega que o Brasil precisará importar petróleo em 10 anos se não descobrir novas reservas na Foz do Amazonas. Mas análise exclusiva da InfoAmazonia mostra que, se o país cumprir suas metas climáticas, as reservas já provadas duram até pelo menos 2039. A informação é de Leandro Barbosa e Fábio Bispo, publicada por InfoAmazônia, 25-03-2025. “A gente pode voltar a ser importador de petróleo em 2034, 2035”, afirmou a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, em 24 de outubro do ano passado, em evento no Rio de Janeiro, afirmando que novas descobertas na bacia da Foz do Amazonas seriam imprescindíveis para o país não precisar importar petróleo em 10 anos. A declaração ocorreu em meio ao aumento da pressão política do governo federal e da estatal para avançar na perfuração do bloco 59, área oficialmente delimitada que é o principal alvo para exploração da região. Apenas alguns dias depois da declaração de Anjos, em 29 de outubro, os técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) recomendaram, pela segunda vez, a rejeição do licenciamento ambiental (A licença ambiental é uma autorização do governo para empreendimentos e projetos que tenham possível impacto ambiental, garantindo a redução dos danos. No Brasil, é concedida pelo Ibama e entidades locais) do projeto. A estatal não desistiu e pediu reconsideração da negativa do Ibama. Com o presidente Lula (PT) se manifestando a favor do petróleo na Foz do Amazonas, e a possibilidade de uma nova negativa do Ibama para o licenciamento do bloco 59, o discurso agora é de que a atividade petrolífera na costa amazônica tem que acontecer “para financiar a transição energética”. A InfoAmazonia analisou a dependência brasileira do petróleo em cinco possíveis cenários futuros de demanda pelo combustível e das reservas encontradas, buscando entender os argumentos de quem defende a exploração nessa área ambientalmente sensível da costa brasileira. Sem a exploração da Foz do Amazonas, as reservas de petróleo do país acabarão em 10 anos? Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
MEIO AMBIENTE – Para uma ecoteologia da Mãe Terra. Artigo de Leonardo Boff

“Face à urgência ecológica, a alternativa que se impõe é esta: ou cuidamos de nossa Mãe-Terra ou não haverá uma arca de Noé que nos salve. Bem disse o Papa Francisco em 2025 na encíclica Fratelli tutti (Todos irmãos e irmãs): ‘estamos no mesmo barco, ou nos salvamos todos ou ninguém se salva’”, escreve Leonardo Boff, teólogo, filósofo e escritor. Eis o artigo. Não apenas os pobres gritam. Grita também a Terra, feita o Grande Pobre, espoliada em seus bens e serviços naturais limitados. O Papa Francisco falou há dias sobre o grito da Terra e dos pobres. A maior agressão que se lhe faz é não considerá-la como Grande Mãe, Casa Comum e Gaia, um superorganismo vivo que se autorregula e combina todos os elementos necessários para sempre se autorreproduzir e gerar vidas, especialmente, a vida humana, a maior floração do processo de evolução. Ela mal consegue dissolver os desequilíbrios e ainda manter a capacidade de nos alimentar e toda a comunidade de vida. Hoje, no entanto, ela está se mostrando debilitada. É a sobrecarga da Terra (Earth overshoot). Foi demasiadamente explorada devido à voracidade de alguns cujo projeto é acumular para si bens materiais de forma ilimitada sem sentido de justa partilha com o resto da humanidade. O pior está ocorrendo recentemente. Há um recuo na diminuição de emissão de gases de efeito estufa, o que agrava o aquecimento global com as consequências conhecidas. Não se reconhecem os direitos da natureza e da Terra, reduzida a um baú de recursos para embasar o projeto ilusório de um crescimento ilimitado, sabendo-se dos limites insuperáveis do planeta. Cresce a consciência, a partir do Overview Effect dos astronautas que viram a Terra de suas naves espaciais e testemunham que a Terra e a humanidade formam uma única e complexa entidade. Os humanos expressariam aquele ponto de complexidade em que a Terra começou a andar, a pensar, a cantar, a se comover e principalmente a amar. Face à urgência ecológica, a alternativa que se impõe é esta: ou cuidamos de nossa Mãe-Terra ou não haverá uma arca de Noé que nos salve. Bem disse o Papa Francisco em 2025 na encíclica Fratelli tutti (Todos irmãos e irmãs): “estamos no mesmo barco, ou nos salvamos todos ou ninguém se salva”. Por isso, na opção pelos pobres contra a pobreza, deve-se incluir a Terra, como o Grande pobre. É nossa missão baixá-la da cruz e ressuscitá-la para que mantenha sua vitalidade. Uma teologia da libertação integral deve ser uma ecoteologia de libertação como tenho defendido desde os anos 80 do século passado e finalmente oficializada pelo Papa Francisco em sua encíclica Laudato si’: sobre como cuidar da Casa Comum. A ética ecológica fundamental, suporte de qualquer outro imperativo, exige: que faço para salvaguardar a vida da Terra e na Terra e permitir que todos os seres possam continuar a existir e a viver? O segundo imperativo ético é este: que faço para conservar as condições do ser humano poder subsistir e continuar a evoluir como tem evoluído por milênios. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
MEIO AMBIENTE – Há 20 anos era assassinada Ir. Dorothy Stang

Há 20 anos era assassinada Ir. Dorothy Stang Na noite de sexta-feira, 10, foi realizada uma vigília na Basílica de São Bartolomeu na Ilha Tiberina, em Roma, em homenagem à religiosa estadunidense assassinada por sua luta pelos direitos dos povos indígenas e contra o desmatamento no país sul-americano. Teóloga Laurie Johnston: “nela, a missão cristã ia além da espiritualidade pessoal, incluindo o compromisso com os esquecidos, com as vítimas da degradação ambiental e das desigualdades sociais” Religioda, missionária, mártir, mas sobretudo uma mulher comprometida contra o desmatamento e pelos direitos das populações indígenas brasileiras, Irmã Dorothy Stang “foi um exemplo de como colocar em prática a Encíclica Laudato si’ do Papa Francisco, o que fazia dela uma pessoa incômoda e porque, há vinte anos, foi morta a tiros por uma série de criminosos”. Assim começou, falando à mídia vaticana, a professora Laurie Jonhston, docente de Teologia no Emmanuel College de Boston, que na noite de sexta-feira, 10 de janeiro, participou da vigília em memória da Irmã Dorothy, presidida pelo secretário do Dicastério para as Causas dos Santos, dom Fabio Fabene, no Santuário dos Novos Mártires na Igreja San Bartolomeo all’Isola, em Roma, organizado pela Comunidade de Sant’Egidio. As Memórias da Irmã Dorothy Durante o evento, foram entregues duas preciosas lembranças da Irmã Dorothy Stang, religiosa da Congregação de Nossa Senhora de Namur, nascida em Dayton, Ohio, em 1931 e assassinada em 2005 em Anapu, no Pará brasileiro: um punhado de terra proveniente do local do assassinato e uma camisa usada pela freira estadunidense, cuja figura foi lembrada no recente Sínodo para a Amazônia. Terra e camisa, elementos símbolo da dedicação e sacrifício, de quem suja as mãos permanecendo apegado à vida cotidiana, necessários para uma pessoa que – como recorda a professora Johnston – “para difundir a sua mensagem partiu das bases: ensinou aos povos indígenas o respeito e a importância da floresta, que não deve ser agredida e pisoteada, mas sim protegida e amada, pois é patrimônio de todos, especialmente daqueles que nela vivem. Irmã Dorothy ministrou cursos e encontros para capacitar mulheres camponesas, fez estudar os direitos sociais, as políticas públicas para a saúde, a maternidade e a sexualidade. Sem nunca esquecer a importância da Bíblia, voltada a descobrir e aprofundar o papel da mulher como instrumento necessário para alcançar a libertação de um povo”. O dia do assassinato Gerar consciência, abrir espaços, lutar por justiça. “Talvez precisamente pela sua dedicação a certos compromissos tornou-se uma pessoa incômoda, a ser removida”, comenta Johnston. O assassinato ocorreu em 12 de fevereiro de 2005. Como de costume, a Irmã Dorothy estava a caminho para visitar algumas famílias indígenas na floresta. Ele já havia recebido ameaças de morte, mas até então sempre respondia: “Não vou fugir, nem abandonar a luta desses agricultores, que vivem sem proteção, no meio da floresta”. Com um sorriso, a Irmã Dorothy dizia que “ninguém mata uma senhora com mais de 70 anos”. No entanto, naquela manhã, a gangue de homens armados recusou até mesmo o dinheiro oferecido em troca de sua vida. O conflito com a população local havia atingido níveis insuportáveis e as habilidades da Irmã Dorothy haviam gerado resultados tão chocantes quanto irritantes. Assim, seis tiros disparados pelos inimigos da natureza, da população local, da criação, mataram Irmã Dorothy. Fonte: Site Vatican News Matéria Completa: Acesse Aqui
Opinião: A nova roupagem da agroecologia

Há cinco anos morria Ana Primavesi, agrônoma que ensinou o respeito pela terra e semeou a revolução agroecológica Naquela visita ao campo, o agricultor colhia as batatas graúdas e bonitas que havia plantado. Com seu olhar de raios X, Ana Primavesi sabia que as batatinhas estavam daquela forma pelo uso de agrotóxicos e adubação com nitrogênio, o que resultaria em uma falta de cálcio. Batatinhas assim eram ricas em uma substância, a solanina, que arde na garganta. Ana perguntou: “Estas batatinhas estão boas?” O homem se virou e respondeu, espantado: “Credo! Essas batatinhas não são para comer!” “Mas para que o senhor plantou então?” – Ana reagiu. “Para vender!” O relato de Ana Primavesi mostra exatamente como o solo tem sido tratado: mero suporte de adubos, algo a ser explorado e trabalhado, sem que se considere sua natureza geológica, sua gênese e importância. “A agricultura tem sido a arte de explorar solos mortos”, ela dizia. E a cada palestra, aula ou curso que participava, Ana mostrava o passo a passo da dinâmica que mantinha o solo vivo, com poros para entrada de ar, água, penetração da raiz e boa circulação dos nutrientes. Solo é rocha decomposta, e são necessários cerca de 400 anos para 1 cm de terra ser formado. Ana escreveu: “O solo não é um suporte para adubos, água de irrigação e culturas, mas um organismo vivo, cujo esqueleto é a parte mineral, os órgãos são os micróbios que ali vivem e o sangue é a solução aquosa que circula por ele. Respira como qualquer outro organismo vivo e possui temperatura própria. Necessita tanto das plantas como as plantas necessitam dele.” A defesa da vida do solo foi o grande baluarte da vida dessa cientista. Recuperação de solo Na década de 1950, Ana e seu marido Artur Primavesi são convidados por um grupo de agrônomos para “tornar as terras de Sorocaba (interior de São Paulo) novamente férteis”. A fazenda para a qual destinavam o plantio, terra devoluta, contava com um solo extremamente degradado. O desafio era não só recuperar o solo: eles deveriam plantar trigo, pois se comia o pão, mas não se plantava o cereal no Brasil, tendo que importá-lo. Foi uma revolução. O trigo colhido era da melhor qualidade, e o solo estava plenamente recuperado. A proeza colocava em xeque um aspecto muito importante da agricultura: o de que ela é um processo extrativo. O de que, para se plantar, devemos explorar o solo. Fonte: Site Globo Rural Matéria Completa: Acesse Aqui
MEIO AMBIENTE – Lençóis Maranhenses desbancam Fernando de Noronha como destino de luxo

Os Lençóis Maranhenses se destacaram como o destino preferido dos turistas brasileiros de alta renda, ultrapassando Fernando de Noronha, segundo o Anuário de Tendências de Luxo 2025, produzido pela ILTM em parceria com o Panrotas e TRVL LAB. A pesquisa, realizada com 3.284 pessoas que recebem mais de 20 salários mínimos, revelou que 8,5% dos viajantes de luxo consideram os Lençóis Maranhenses como prioridade para sua próxima viagem, enquanto Fernando de Noronha ficou com 8,1%. O crescente interesse pelo destino maranhense tem atraído grandes investimentos. A rede portuguesa Vila Galé, por exemplo, anunciou a construção de dois resorts de luxo no estado, somando mais de R$ 100 milhões em aportes: o Vila Galé Collection São Luís e o Vila Galé Collection Maranhão. Para Simon Mayle, diretor da ILTM Latin America, os Lençóis Maranhenses atendem às expectativas dos viajantes de alta renda, que procuram destinos com belezas naturais, experiências autênticas e exclusivas. “O Maranhão é muito rico tanto em locais paradisíacos fora do comum, quanto em cultura e gastronomia, o que atrai quem busca história, conhecimento, descanso e calor”, destacou. O estudo apontou que o perfil médio do viajante de luxo brasileiro é composto por pessoas que ganham mais de R$ 30 mil mensais, com predominância feminina e residentes no Sudeste. Esse público realiza, em média, de 2 a 5 viagens nacionais e de 1 a 3 viagens internacionais por ano. A infraestrutura local nos Lençóis Maranhenses está sendo impulsionada pelo mercado hoteleiro, alinhando o destino às expectativas do público de alta renda e reforçando sua posição como novo epicentro do turismo de luxo no Brasil. Fonte: Site O Imparcial Matéria Completa: Acesse Aqui
MEIO AMBIENTE – Crise climática, saúde e o futuro das cidades

Populações urbanas são as que mais sofrerão com os impactos do clima As cidades que não adotarem ações significativas voltadas a enfrentar as mudanças climáticas vão encarar um futuro de grave degradação, com o colapso da infraestrutura e a deterioração ambiental. Esse foi o alerta dado por especialistas em clima e saúde na palestra anual da Academy of Medical Sciences & The Lancet International Health Lecture, em Londres. “Em 2050, o clima de Madri se assemelhará ao de Marrakech hoje. Não é uma boa perspectiva”, disse o Professor Mark Nieuwenhuijsen, o palestrante principal do evento. Para evitar esse cenário, as cidades devem se adaptar e manter a saúde como prioridade nos projetos. “Para nossas cidades, precisamos buscar soluções que reduzam as emissões de CO2 e também melhorem o ambiente, a igualdade e, claro, a qualidade de vida e a saúde.” Até 2050, espera-se que dois terços da população mundial vivam em cidades. Nesse contexto, as mudanças climáticas ameaçam cada vez mais a saúde humana nas áreas urbanas. As centenas de milhares de quilômetros de asfalto e concreto exacerbam o aumento das temperaturas. As mudanças climáticas são responsáveis por 37% das mortes relacionadas às altas temperaturas, o que deixa as cidades especialmente vulneráveis às ondas de calor e ao calor extremo. Mark Nieuwenhuijsen argumenta que os planejadores urbanos devem passar a considerar a saúde ao projetar o futuro das cidades. Prevenir mortes relacionadas ao clima nas cidades requer planejamento urbano com foco intencional na saúde, comentou o pesquisador. Ele argumenta que o planejamento urbano inteligente é capaz de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e promover a saúde, mas isso só será possível se conseguirmos romper com o “vício” nos combustíveis fósseis. “Sabemos que combustíveis fósseis são responsáveis por mais de 5 milhões de mortes por ano devido à poluição do ar”, alerta ele. Apesar do crescente conhecimento sobre os males causados por eles à saúde, as cidades continuam a se expandir, “e a Europa lidera esse movimento”. O uso de combustíveis fósseis levou a um “planejamento urbano centrado no carro, dominado pelo asfalto e com expansão urbana extensa, o que tem efeitos prejudiciais à saúde”, disse Nieuwenhuijsen. A expansão das áreas urbanas aumenta a dependência de carros. Mas já se sabe que os sistemas de transporte público e o transporte ativo – como caminhar e andar de bicicleta – têm um melhor custo-benefício. Fonte: Outras Palavras Matéria Completa: Acesse Aqui