«Jesus Cristo não tem grandes teorias», Andrés Torres Queiruga
João Céu e Silva – DN – 28 de Maio de 2017 O teólogo espanhol Andrés Torres Queiruga esteve em Portugal para três debates. Jesus, de quem diz que foi um homem de sínteses e não de teorias, foi um dos temas da entrevista. Tal como Fátima. Para o teólogo português Anselmo Borges, Andrés Torres Queiruga é «o teólogo que de modo mais profundo e conseguido enfrentou o cristianismo com a modernidade e a modernidade com o cristianismo». Torres Queiruga explicou ao Diário de Notícias a sua visão da Igreja atual.
FÁTIMA, QUE FUTURO? (2)
Frei Bento Domingues, O.P. – 21/05/2017 Foto: globalnoticias.pt/dn/ 1. É cedo para fazer um balanço da última peregrinação à Cova da Iria. As televisões têm o país colonizado pela cultura omnipresente e omnipotente do futebol. Durante dois dias, sem a esquecer, voltaram-se todas para o Papa, para os Pastorinhos, para Fátima e parecia que nunca mais se calavam, mas ainda tiveram tempo para celebrar o triunfo de Salvador Sobral no Festival da Eurovisão. Graças sejam dadas a todas e todos que elevaram o ego nacional.
O que eu penso sobre Fátima (4)
Anselmo Borges 20/05/17 Não custa admitir que as três crianças em Fátima fizeram uma verdadeira experiência religiosa interior. Evidentemente, como crianças e no contexto das suas vivências, incluindo as vivências religiosas da época; enquanto crianças, é natural que essa experiência tenha assumido uma esquematização feminina com a figura materna de Nossa Senhora e, dentro do contexto histórico, com dimensões de exaltação (luz “mais brilhante do que o Sol”) e também de pavor (“o fogo do inferno”).
Evento e significado. “O que significa e como expressar hoje a Eucaristia como sacramento da presença de Cristo e de seu sacrifício?”
Carlo Molari – 05 Maio 2017 “Lembrar Cristo significa evocar sua missão salvífica e empenhar-se para que cada um seja uma epifania viva, sinal de sua ação no mundo. Então, aquele que participa da Eucaristia, mas não vive a fé, tem sim a ação de Deus, porém a relação de presença não se estabelece, escreve Carlo Molari, teólogo italiano, em artigo publicado por Rocca, 01-05-2017. A tradução é de Luisa Rabolini. Segundo ele, “A morte de Jesus não salva porque oferece algo para Deus, mas porque revela a fidelidade do amor exercido por Jesus mesmo na cruz”.
O empobrecimento da teologia
José Maria Castillo – 16 Maio 2017 Foto: logomarca-teologia. Fonte: Pixabay “O controle de Roma sobre a teologia foi muito forte, desde o final do pontificado de Paulo VI até a renúncia ao papado por Bento XVI. O resultado foi tremendo: na Igreja, nos seminários, nos centros de estudos teológicos, há medo, muito medo. E bem sabemos que o medo bloqueia o pensamento e paralisa a criatividade”, escreve o teólogo espanhol José María Castillo, em artigo publicado por Teología Sin Censura, 13-05-2017.
Marciano Vidal: “Os divorciados em segunda união podem comungar”
José Manuel Vidal – 06 Maio 2017 “É um grande sábio, misericordioso como pessoa e como moralista, e uma pessoa livre, ainda que, por causa disto, teve que pagar um preço alto”. Foi dessa forma que Antonio Ávila, diretor do Instituto Superior de Pastoral, apresentou o teólogo redentorista Marciano Vidal (San Pedro de Trones, 1937), antes que palestrasse sobre a Amoris Laetitia no II Colóquio de PPC e do ISP, ocorridas em Madri. Reportagem publicada por Religión Digital 05-05-17
O que eu penso sobre Fátima (2)
Anselmo Borges – 05/05/17 Foto: Chegada de Peregrinos “Fátima precisa de ser evangelizada. Evangelho quer dizer notícia boa e felicitante, mas, frequentemente, como bem viu Nietzsche, o que se anunciou foi um Disangelho: uma notícia desgraçada e que arrastou consigo imensa infelicidade. No Evangelho segundo São Marcos, Jesus inicia a sua vida pública, proclamando: “Metanoiete”, cuja tradução normalmente é: “Fazei penitência”, mas realmente o que lá está é: mudai de mentalidade, de modo de pensar; portanto, mudai de vida, de mentalidade, de atitude, e acreditai no Evangelho.
O que eu penso sobre Fátima (1)
Anselmo Borges no DN – 28 de abril, 2017 Antes de entrar no tema propriamente dito, quero deixar três notas prévias, que devo ao leitor. A primeira, para dizer que, a pedido da revista internacional Concilium, escrevi, de modo mais organizado, um texto sobre Fátima, a publicar no mês de Junho. A segunda, mais importante, para esclarecer que fui ordenado padre em Fátima pelo cardeal Cerejeira e que, sempre que lá vou para fazer conferências, passo pela Capelinha das Aparições e ali rezo como tantos outros.
Padre Anselmo Borges: “É evidente que Nossa Senhora não apareceu em Fátima”
Anselmo Borges, padre da Sociedade Missionária Portuguesa, falou ao Expresso a propósito do lançamento do seu novo livro, “Francisco: Desafios à Igreja e ao Mundo” Christiana Martins -16.04.17 Foto: António Pedro Ferreira Decidiu ser padre aos 19 anos porque a morte o inquietava. Ainda pensa na finitude, mas diz que “a única porta de salvação para uma vida eterna” foi Jesus quem lha abriu. Entrou há 50 anos, ao ser ordenado pelo cardeal Cerejeira. Nunca deixou a Igreja mas arrepiou caminho e escolheu a via da crítica ativa. Professor universitário em Coimbra, lança um novo livro — “Francisco: Desafios à Igreja e ao Mundo” —, prefaciado por Artur Santos Silva e, a partir da próxima semana, vai andar pelo país a apresentá-lo, na presença de pessoas tão diferentes como Ramalho Eanes, Frederico Lourenço, Pedro Mexia, Pedro Rangel, Maria de Belém, Carlos Fiolhais ou Isabel Allegro de Magalhães.
INFERNOS NÃO FALTAM
Frei Bento Domingues, O.P. – 30/04/17 1. Pesadelos do Inferno, evidências do Purgatório e tristezas do Limbo faziam parte da paisagem religiosa da minha infância. As Alminhas do purgatório habitavam em dois nichos na minha aldeia. Suscitavam devoção e reciprocidade: «Vós, que ides passando, lembrai-vos de nós que estamos penando». As pessoas lembravam-se e, para tudo o que precisavam, a elas recorriam, sabendo que aliviavam as suas penas.