Sínodo da família: apresentadas as diretrizes para a sessão ordinária
O Instrumento de trabalho do Sínodo ordinário sobre a família foi apresentado na manhã desta terça-feira (23/06) na Sala de Imprensa da Santa Sé. O documento inclui a Relatio Synodi – texto conclusivo do precedente Sínodo realizado em outubro de 2014 –, integrado com a síntese das respostas ao questionário proposto no decorrer do ano a todas as Igrejas no mundo.
Novos olhares sobre o casamento (2)
“As instituições da pastoral familiar da Igreja ganham em realismo sendo elaboradas com os noivos e os casais, nas suas diversas metamorfoses. Não se trata de relativismo, do vale tudo, mas da fidelidade à perspectiva de Cristo perante as instituições mais sagradas: O sábado é para o ser humano, não o ser humano para o sábado.”
Novos olhares sobre o casamento
Jesus de Nazaré rejeita apenas a família como um mundo fechado, esquecida do nosso parentesco universal. Nos séculos I-III, o casamento era uma questão terrena que se procurava viver em espírito cristão: casava-se no “Senhor”, sem cerimónias próprias. Os cristãos casavam-se como os não cristãos: uns, segundo os ditames do Direito Romano, outros conforme os costumes locais (o direito consuetudinário). O grande cuidado a ter era com os ritos e sacrifícios pagãos que estivessem em contradição com a mensagem cristã.
O filho do Concílio e a luta contra o clericalismo
João Vitor Santos e Patricia Fachin “Nas ‘estruturas fundantes da vida eclesial’, começa a se afirmar uma ‘lógica nova’: a colegialidade sinodal, o primado da misericórdia, a crítica do clericalismo e a prioridade de uma Igreja pobre são apenas alguns dos sinais dessa passagem, que agora inicia de verdade”, analisa o professor.
“Também muitos fiéis querem as uniões civis gays. É preciso que a Igreja aceite este desafio”, afirma cardeal Kasper
“Um estado democrático deve respeitar a vontade popular. Isto me parece claro. Se a maioria do povo quer estas uniões civis é um dever do Estado reconhecer tais direitos. Mas não podemos esquecer que também uma legislação semelhante, ainda que distinguindo entre o matrimônio e as uniões homossexuais, reconheça a tais uniões mais ou menos os mesmos direitos das famílias formadas por um homem e uma mulher. Isto tem um impacto enorme sobre a consciência moral das pessoas. Cria uma certa normatividade. E para a Igreja torna-se ainda mais difícil explicar a diferença”.
Papa Francisco e a mudança na teologia moral. Da ética sexual para a ética social. Entrevista especial com Todd A. Salzman e Michael G. Lawler
“Esperamos que Francisco encoraje os fiéis a se informarem para desenvolver suas consciências, e a se empoderar para segui-las, mesmo que estas posturas vão de encontro aos ensinamentos falíveis do magistério sobre normas sexuais”, analisam os teólogos moralistas Todd A. Salzman e Michael G. Lawler.
MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO PARA O XLIX DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS
Comunicar a família: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor Na família, é sobretudo a capacidade de se abraçar, apoiar, acompanhar, decifrar olhares e silêncios, rir e chorar juntos, entre pessoas que não se escolheram e todavia são tão importantes uma para a outra… é sobretudo esta capacidade que nos faz compreender o que é verdadeiramente a comunicação enquanto descoberta e construção de proximidade.
Frei Bento Domingues. “O sexo não é só procriação. A relação entre um homem e uma mulher não é só para ter filhos”
O frade dominicano continua a ser uma voz incômoda na Igreja e não tem pudor em dizer que o sexo não serve só para procriar. Trouxe a Teologia para os jornais, há mais de 20 anos e numa época em que a Igreja ainda andava às voltas com o debate sobre a evangelização nos meios de comunicação. Frei Bento Domingues fez 80 anos em agosto e continua a ser uma voz incômoda no clero português. Defende a ordenação de mulheres, a comunhão de divorciados e não tem pudor em afirmar que o ser humano é sexual. “Somos sexo em tudo”, diz.
O sonho de um Ano Santo diferente
No Ano Santo da Misericórdia, a Porta Santa será uma entrada para todos e uma providencial saída para toda rigidez e toda autorreferencialidade eclesial. A opinião é do teólogo italiano Andrea Grillo, professor do Pontifício Ateneu S. Anselmo, de Roma, do Instituto Teológico Marchigiano, de Ancona, e do Instituto de Liturgia Pastoral da Abadia de Santa Giustina, de Pádua.
«As cinco tentações do Sínodo»
“No discurso final da última sessão do Sínodo, o Papa Francisco mostrou que quer enfrentar de modo inclusivo as oposições, ou seja, que quer todas as diversas “almas” da Igreja partícipes de algum modo nos seus projetos de renovação. No entanto, acreditamos que, no fim, ele não vai paralisar a necessária renovação na espera da aceitação (improvável) por parte de todos.”