“Papa Francisco foi obstruído. E se encontra mais sozinho a partir de hoje”
Marco Politi – Foto: Paul Haring / CNS O Papa Bergoglio foi obstruído. O documento pós-sinodal dedicado à Amazônia não diz uma única palavra sobre a possibilidade de ordenar sacerdotes a homens casados e também se cala sobre a possibilidade de dar um status especial às mulheres, que lideram as comunidades católicas espalhadas pela floresta amazônica. O comentário é do vaticanista Marco Politi, publicado em Il Fatto Quotidiano, 13-02-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
“A exortação é uma carta de amor, um gesto extraordinário que chama a atenção de todos”.
Entrevista com o Cardeal Czerny Luis Miguel Modino – Foto: Foro Social Panamazônico No dia em que “Querida Amazônia” foi apresentada, a exortação pós-sinodal do Sínodo para a Amazônia, um dos dois secretários da assembleia sinodal, o cardeal Michael Czerny, nos ajuda a entender um pouco melhor o processo vivido até agora. Ele viveu isso como um “fortalecimento da minha fé e da minha esperança”, um exercício “de escutar um ao outro, de nos colocar na presença do Espírito Santo”, de descobrir que “assim encontramos caminhos possíveis”. A entrevista , realizada no dia de hoje, 12-02-2020, é de Luis Miguel Modino.
CAMINHAR JUNTOS
Frei Bento Domingues, O.P. – 09/02/2020 – Foto: Gettyimages O sentido eclesial da palavra sínodo, de origem grega (sýnodos), é muito belo: “caminhar juntos”. Serve para dizer que, na Igreja, o Papa não é um monarca absoluto. Dado que, em Roma, viveram e morreram dois grandes pilares dos começos do cristianismo — Pedro e Paulo —, considera-se que o bispo de Roma tem o primado entre todos e com todos os bispos da Igreja espalhados pelo mundo.
A carta de amor do Papa Francisco para a “querida Amazónia”
Antonio Marujo, o7/o2/2020 Foto: Desmatamento no rio da Saudade, na Amazónia. / © Gérard Moss/Projecto Brasil das Águas-Simpósio Religião, Ciência, Ambiente Querida Amazónia é o título da exortação apostólica pós-sinodal que o Papa escreveu e que será apresentada na próxima quarta-feira, 12, segundo anúncio do Vaticano na página do Sínodo dos Bispos.O documento recolhe o contributo da assembleia do Sínodo que decorreu em Outubro passado, e cujo tema era “Amazónia, novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”.
2020, um ano decisivo para a Igreja católica
Reforma da Cúria, da gestão das finanças do Vaticano, sacerdócio de homens casados… uma virada decisiva aguarda o papa. Jean-Marie Guenois – LE FIGARO – 2/01/2020 – Tradução: Orlando Almeida Foto: O papa Francisco, por ocasião da sua homilia de 31 de dezembro em ação de graças pelo ano que terminou, na basílica de S. Pedro em Roma / Andreas Solaro/AFP O Papa Francisco festejou os seus 83 anos em 17 de dezembro de 2019 no final de um ano muito cheio para ele, pois fez nada menos que sete viagens internacionais para visitar onze países, notadamente o Panamá onde, em janeiro passado, se realizou a JMJ. É preciso voltar ao ano de 1982 do pontificado de João Paulo II para encontrar uma tal densidade de deslocamentos.
Sínodo para a Amazônia abriu o futuro
Roberto Malvezzi – 19 Novembro 2019 – (Foto: Vatican Media) “No final, Francisco fez uma fala. Ele tem a convicção que o grande passo desse Sínodo foi o diagnóstico, portanto, o longo processo de preparação. Decidiu que vai elaborar uma “Exortação”, de punho próprio, para reforçar o documento aprovado e deslanchar o processo de implementação do que foi decidido”, escreve Roberto Malvezzi (Gogó), formado em Filosofia, Teologia e Estudos Sociais, atuante na Equipe CPP/CPT do São Francisco e membro da Equipe de Assessoria da REPAM (Rede Eclesial Pan Amazônica).
Documento do Sínodo da Amazônia propõe ordenação de homens casados, pede diaconato para mulheres e conceitua ‘pecado ecológico’
Texto propõe que o desrespeito à natureza seja visto como uma nova forma de pecado, por representar um desrespeito ao Criador. Por Filipe Domingues, G1 – 26/10/2019 Foto: Encontro do Papa com bispos no encerramento do Sínodo — Vaticano/Divulgação O documento final do Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia, que terminou neste sábado (26), diz que a defesa da Amazônia depende de uma verdadeira “conversão ecológica e cultural”, passando pelo combate ao “pecado ecológico”. Embora o Papa Francisco já tivesse mencionado a “conversão ecológica” em sua encíclica “Laudato Si’”, de 2015, o conceito de “pecado ecológico” foi elaborado durante o Sínodo: propõe-se que o desrespeito à natureza seja visto como uma nova forma de pecado, por representar um desrespeito ao “Criador”, ou seja, Deus, e à sua obra, que são o planeta Terra e todos seres.
“A pessoa mais lúcida do Sínodo é o Papa, e isso nos deu esperança”, afirmam os indígenas presentes na sala sinodal.
Luis Miguel Modino – 25 Outubro 2019 Os povos indígenas entendem a realidade de uma maneira diferente, são capazes de perceber detalhes que escapam aos filhos de outras culturas. Portanto, é importante tentar descobrir o que o Sínodo para a Amazônia, o primeiro em que os representantes dos povos originários tiveram voz na sala sinodal, significou para eles, que nunca sonharam em participar de um momento simulado. A reportagem é de Luis Miguel Modino.
Sínodo recomenda ordenar homens já casados — na Amazónia
. Clara Barata – 26 de Outubro de 2019 Foto: Papa Francisco com uma comunidade indígena da Amazónia no Vaticano VATICAN MEDIA/REUTERS Papa Francisco anuncia que vai convocar comissão para analisar questão de ordenar mulheres como diaconisas. O documento final do Sínodo da Amazónia, que decorreu no Vaticano, recomendou formalmente ao Papa Francisco que levante a restrição em vigor há mil anos de ordenar homens já casados como padres – mas apenas na região da bacia amazónica, e para combater uma escassez de padres. No entanto, abre-se uma porta relativamente ao celibato dos padres que poderá vir a tornar-se revolucionária. As zonas remotas da Amazónia poderão tornar-se um laboratório para testar como alargar esta abertura ao resto da comunidade dos fiéis da religião católica.
Sínodo, no briefing, o apelo de um indígena: permaneçamos unidos, Jesus é o centro que nos une
– Cidade do Vaticano – 25/10/2019 – Foto: Vatican News – Tradução: Orlando Almeida Participaram do costumeiro briefing do Sínodo, na Sala de Imprensa da Santa Sé, o cardeal Beniamino Stella, prefeito da Congregação para o Clero, Dom Alberto Taveira Corrêa, arcebispo de Belém do Pará (Brasil), Eleazar López Hernández, sacerdote católico indígena pertencente ao povo zapoteca (México), a irmã Mariluce dos Santos Mesquita, religiosa da etnia Barassana (Brasil) e Delio Siticonatzi Camaiteri, membro do povo Ashaninca (Peru)