“A não aceitação da renúncia do cardeal Barbarin revela os limites da governança do Papa”. Entrevista com François Mabille

Sophie Lebrun – 21 Março 2019  Foto: Francisco e Barbarin –  Vatican Media /CPP/CIRIC Enquanto o Papa recusou a renúncia do cardeal Philippe Barbarin, condenado em primeira instância pelo Tribunal de Lyon por não ter denunciado crimes de pedofilia, e que entrou com recurso, o arcebispo decidiu “retirar-se” como pastor da diocese. Análise de uma situação inédita realizada por François Mabille, pesquisador do grupo Sociedades, Religiões, Laicidades (GSRL) do CNRS. A entrevista é de Sophie Lebrun, publicada por La Vie, 20-03-2019. A tradução é de André Langer.

A Igreja em tempos de desolação e purificação do descrédito

Pedro Miguel Lamet – 19 Março 2019 Foto: ACI Digital “Nunca, nos tempos modernos, a Igreja havia passado por um purgatório como o presente, em que a notícia escandalosa predomina de forma onipresente nos meios de comunicação e se abriu a caça aos padres e religiosos, sobretudo por abusos de pedofilia”, escreve o jornalista Pedro Miguel Lamet, jesuíta espanhol, em artigo publicado por Religión Digital, em 16-03-2019. A tradução é do Cepat.

PADRE CASADOS,  CONVIDADOS POR SEU BISPO

Carta ao bispo de Palencia   JULIO PÉREZ PINILLOS,  15/03/2019 – Foto: Midwest Augustinians Tradução: Orlando Almeida * A luz quente da cena brota da iniciativa simples de um bispo querido e próximo do seu povo – D. Manuel Herrero, OSA,  – de reunir uma vez por ano (em torno do Natal, este foi o terceiro) os padres casados ​​palentinos – “que o desejem” – para nos sentirmos à vontade, partilhar sentimentos e experiências de vida e dar-nos confiança para o que o Evangelho e a vida nos vá pedindo, modo muito oportuno para os tampos de mudanças e inquietude. No dizer do bispo Dom Manuel: “Fazeis uma abordagem coerente, em fidelidade ao Evangelho, ao Reino que Jesus anunciou, ao seu projeto de humanização, à porta entreaberta do Concílio Vaticano II (1965) e aos novos sinais dos tempo. Também assumis uma razão funcional, sociológica e pastoral: aproveitar o rico potencial dos padres secularizados, que vivem em matrimônio e continuam comprometidos, como é o vosso caso…”

SEIS ANOS DEPOIS: DESAFIOS PARA FRANCISCO

  Anselmo Borges, 17/03/2019 Foto: Francisco visita famílias de Padres casados, em Roma / CTV José Arregi,   diz que: “todo o feminismo é um machismo com saias” “Sim, o problema talvez tenha que ver com saias, mas com as saias do clero com sotaina.  Tem muito que ver com o clericalismo que sacraliza e enaltece os clérigos, que exalta a figura desencarnada de Maria Mãe e Virgem para assim humilhar a mulher de carne e osso, que impõe o celibato como estado mais perfeito e sagrado, que ‘sacrifica’ o sexo a troco de poder sagrado e hierárquico, que reprime e por isso exacerba a sexualidade.

O IMPOSSÍVEL PODE ACONTECER

  Frei Bento Domingues, O.P. – Imagem: aleciosouza.blogspot.com Passar de um mundo de afrontamentos para uma época de cooperação é o grande sonho de quem não é louco. À epidemia ideológica de vários nacionalismos é preciso responder com realidades e gestos criadores de esperança activa. No momento, em que as narrativas de corrupção tendem a criar a ideia do inevitável, importa encontrar os meios, as práticas e a cultura de que o normal, o mais corrente, é a honestidade pessoal e a observância das boas regras nas instituições públicas e privadas.

“Nós pedimos a descanonização de João Paulo II”. Artigo de Anne Soupa e Christine Pedotti

Anne Soupa e Christine Pedotti – 13 Março 2019 Christine Pedotti e Anne Soupa denunciam tanto os abusos perpetrados contra as religiosas pelos sacerdotes, como o conceito degradante de “Mulher” da Igreja Católica, cujo artífice foi Karol Wojtyla. A denúncia é feita em artigo publicado por Anne Soupa e Christine Pedotti, no jornal Le Monde, 11-03-2019. A tradução é de André Langer. Anne Soupa é escritora e cofundadora do Movimento Reformador da Conferência Católica dos Batizados Franceses e Christine Pedotti é diretora editorial da Témoignage Chrétien.

Está na hora de a Igreja Católica parar de canonizar papas

    De Massimo Faggioli – 15 de março de 2109 Foto: Uma estátua do Papa João Paulo II no Santuário da Mãe de Deus, na aldeia de Wardegowo, naPolônia, em 17 de fevereiro. (Kacper Pempel / Reuters) Agora, o papado está canonizando a si mesmo sem um amplo discernimento de toda a igreja sobre a sabedoria de canonizar o papa.  Isso pode ser visto como uma maneira de proteger o papado de um julgamento moral e histórico, algo como reforçar as alegações feitas pelo Vaticano I sobre o papado. Se a Igreja Católica quer ver o crescimento no discernimento que o Papa Francisco pediu em resposta à crise dos abusos sexuais, a instituição deve parar de canonizar papas.

Por que a Igreja oficial reluta a discutir a sexualidade e a lei do celibato

Leonardo Boff – 13/03/2019 – Foto: Carta Maior / Daqui: Por que a Igreja romano-católica não abole a lei do celibato? Porque seria contraditório à sua estrutura de base. Ela é, socialmente, (teologicamente demandaria outro tipo de reflexão) uma instituição total, autoritária, patriarcal, machista e fortemente hierarquizada. Uma Igreja que se estrutura ao redor do poder sagrado realiza o que C. G. Jung denunciava: “onde predomina o poder aí não há amor nem ternura”. É o que ocorre com o machismo e a rigidez, não em todos, mas em significativa parte dos padres e bispos que presidem as comunidades cristãs.

Francisco, seis anos depois: que há de bom, de mau e de misericordioso. Artigo de Thomas Reese

Thomas J. Reese – 14/03/20169 – Foto: América Latina en movimiento “Para Francisco, a Igreja não é um clube de campo para os bons e os belos. Pelo contrário, é uma ‘Igreja pobre para os pobres’, um ‘hospital de campanha’ para os feridos. É por isso que ele enfatiza a compaixão e a misericórdia.” O comentário é do jesuíta estadunidense Thomas J. Reese, ex-editor-chefe da revista America, dos jesuítas dos Estados Unidos, de 1998 a 2005, e autor de “O Vaticano por dentro” (Ed. Edusc, 1998), em artigo publicado por Religion News Service, 13-03-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Se as mulheres na Igreja fizessem greve?

  Anselmo Borges – 10/03/2019 Foto: www.sof.org.br – Mulheres debatem sobre feminismo e trabalho em Seminário Internacional Hoje, dia 8 de Março, é o Dia Internacional da Mulher. Mas dias da mulher são todos. Da mulher e do homem. Porque só com homens e mulheres, iguais e diferentes, há humanidade e futuro. Diferentes, mas com dignidade e direitos iguais. Só porque ainda se não reconhece ou, pelo menos, não suficientemente, essa igualdade de dignidade e direitos, é que é necessário haver o Dia da Mulher.