A revolução católica amazónica em sete pontos-chave
António Marujo | 28 Out 19 – Foto: O Papa no início da eucaristia de domingo, 27, encerrando o Sínodo dos Bispos sobre a Amazónia. Francisco transportava um báculo feito por indígenas que lhe tinha sido oferecido por um bispo do Brasil. Foto © Tony Neves É uma pequena-grande revolução: possibilidade de ordenar homens casados, um ministério próprio de mulheres dirigentes de comunidades cristãs, um rito litúrgico específico da Amazónia que incorpore a cultura local, a identificação da espiritualidade do “bem-viver” amazónico com as bem-aventuranças do Evangelho, a necessidade de escutar o “grito dos pobres” e dos povos amazónicos. E ainda a proposta de criação de um fundo mundial como forma de reparar a dívida para com a Amazónia, o aprofundamento do rosto “amazónico” do catolicismo local que passe pela criação de uma universidade, e o alargamento de estruturas locais de participação, em que todos os crentes, incluindo indígenas, se sintam representados.
Ação pastoral dos padres que pediram dispensa do celibato
Os que deixaram o presbiterato para se casar podem ser solução para as necessidades da Igreja José Almir da Costa* – 28/10/2019 Foto: Uma pessoa que deixou o ministério ordenado continua apto ao trabalho pastoral mesmo casado (Charles Postiaux/ Unsplash) Muitos são os ministros ordenados que, por vários motivos não possíveis de serem elencados aqui, pediram dispensa do ministério. Qual ação pastoral esses padres exercem atualmente na Igreja? A pergunta suscitará várias respostas dependo da diocese, do bispo, da região e do próprio ministro que se ausentou das funções clericais.
Documento do Sínodo da Amazônia propõe ordenação de homens casados, pede diaconato para mulheres e conceitua ‘pecado ecológico’
Texto propõe que o desrespeito à natureza seja visto como uma nova forma de pecado, por representar um desrespeito ao Criador. Por Filipe Domingues, G1 – 26/10/2019 Foto: Encontro do Papa com bispos no encerramento do Sínodo — Vaticano/Divulgação O documento final do Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia, que terminou neste sábado (26), diz que a defesa da Amazônia depende de uma verdadeira “conversão ecológica e cultural”, passando pelo combate ao “pecado ecológico”. Embora o Papa Francisco já tivesse mencionado a “conversão ecológica” em sua encíclica “Laudato Si’”, de 2015, o conceito de “pecado ecológico” foi elaborado durante o Sínodo: propõe-se que o desrespeito à natureza seja visto como uma nova forma de pecado, por representar um desrespeito ao “Criador”, ou seja, Deus, e à sua obra, que são o planeta Terra e todos seres.
“A pessoa mais lúcida do Sínodo é o Papa, e isso nos deu esperança”, afirmam os indígenas presentes na sala sinodal.
Luis Miguel Modino – 25 Outubro 2019 Os povos indígenas entendem a realidade de uma maneira diferente, são capazes de perceber detalhes que escapam aos filhos de outras culturas. Portanto, é importante tentar descobrir o que o Sínodo para a Amazônia, o primeiro em que os representantes dos povos originários tiveram voz na sala sinodal, significou para eles, que nunca sonharam em participar de um momento simulado. A reportagem é de Luis Miguel Modino.
Sínodo recomenda ordenar homens já casados — na Amazónia
. Clara Barata – 26 de Outubro de 2019 Foto: Papa Francisco com uma comunidade indígena da Amazónia no Vaticano VATICAN MEDIA/REUTERS Papa Francisco anuncia que vai convocar comissão para analisar questão de ordenar mulheres como diaconisas. O documento final do Sínodo da Amazónia, que decorreu no Vaticano, recomendou formalmente ao Papa Francisco que levante a restrição em vigor há mil anos de ordenar homens já casados como padres – mas apenas na região da bacia amazónica, e para combater uma escassez de padres. No entanto, abre-se uma porta relativamente ao celibato dos padres que poderá vir a tornar-se revolucionária. As zonas remotas da Amazónia poderão tornar-se um laboratório para testar como alargar esta abertura ao resto da comunidade dos fiéis da religião católica.
Sínodo, no briefing, o apelo de um indígena: permaneçamos unidos, Jesus é o centro que nos une
– Cidade do Vaticano – 25/10/2019 – Foto: Vatican News – Tradução: Orlando Almeida Participaram do costumeiro briefing do Sínodo, na Sala de Imprensa da Santa Sé, o cardeal Beniamino Stella, prefeito da Congregação para o Clero, Dom Alberto Taveira Corrêa, arcebispo de Belém do Pará (Brasil), Eleazar López Hernández, sacerdote católico indígena pertencente ao povo zapoteca (México), a irmã Mariluce dos Santos Mesquita, religiosa da etnia Barassana (Brasil) e Delio Siticonatzi Camaiteri, membro do povo Ashaninca (Peru)
Na reta final do Sínodo Pan-amazónico…
Um briefing, um esclarecimento, um livro, uma catequese Abílio Louro de Carvalho – 25/10/2019 – Foto: Dom Total “A criação é fruto do amor de Deus. O amor de Deus para com cada uma das suas criaturas e principalmente pelo homem ao qual deu o dom da criação, lugar em que ‘somos convidados a descobrir uma presença. Mas isso significa que é a capacidade de comunhão do homem a condicionar o estado da criação (…) Portanto, é o destino do homem que determina o destino do universo’.”. Nestes termos, “a conexão entre homem e criação vive no amor e se este se acaba corrompe-se e não reconhece o dom que lhe foi dado”. Por conseguinte, “a exploração dos recursos feita de modo irresponsável para tomar posse de riquezas e poder, concentrados nas mãos de poucos, cria um desequilíbrio destinado a destruir o mundo e o próprio homem”.
O Matrimónio Sacerdotal
Paulo J. A. Victória – 22/10/2019 – Imagem: Daqui Na reflexão da semana passada – ver O Celibato Sacerdotal, partilhei convosco a preocupação sobre a carência de sacerdotes para celebrarem a Eucaristia. Sem a Eucaristia, não existe a Igreja. Cristo é quem nos congrega; quem nos chama; quem nos alimenta; quem nos salva. A Igreja Latina tem no celibato sacerdotal a sua marca distintiva. Porém, também aludi que a Igreja Católica tem sacerdotes casados. Hoje gostaria de explicar melhor esta questão.
Pacto das Catacumbas pela Casa Comum. Por uma Igreja com rosto amazônico, pobre e servidora, profética e samaritana
Texto e Foto: Luis Miguel Modino – 21 Outubro 2019 Existem lugares que têm um significado especial e se tornam uma referência na vida de pessoas e instituições. O Concílio Vaticano II foi uma época em que uma Igreja pobre e pobre queria ser construída, algo que se expressou em 16 de novembro de 1965, na catacumba de Santa Domitila, onde cerca de quarenta bispos, principalmente da América Latina, assinaram o Pacto da Catacumbas. Em treze cláusulas os signatários prometeram levar uma vida simples e sem posses. Em 20 de outubro de 2019, pode se tornar uma data histórica novamente, porque no mesmo local em que o Pacto das Catacumbas foi assinado, o Pacto das Catacumbas pela Casa Comum foi rubricado, no desejo de assumir uma Igreja com rosto amazônico, pobre e servidora, profética e samaritana.
Críticos não percebem a importância global do Sínodo da Amazônia, afirma Peter Hünermann
Christa Pongratz-Lippitt – 19 Outubro 2019 Foto: Commonweal Magazine “A região amazônica é um ponto de acesso global para todos aqueles desafios que enfrentamos como Igreja mundial e que a humanidade como um todo está enfrentando”, afirma o teólogo alemão. A reportagem é de Christa Pongratz-Lippitt, publicada em La Croix International, 18-10-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.